
O prédio da Santa Casa da Misericórdia — Foto: Guito Moreto
GERADO EM: 15/04/2026 - 22:50
O Irineu é a iniciativa do GLOBO para oferecer aplicações de inteligência artificial aos leitores. Toda a produção de conteúdo com o uso do Irineu é supervisionada por jornalistas.
CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO
A Santa Casa da Misericórdia do Rio,irmandade filantrópica criada em 1582 pelo padre jesuíta José de Anchieta,recebeu doação de R$ 88 milhões ao fim de uma disputa judicial que se arrastava havia cerca de três anos,como antecipou o blog de Ancelmo Gois. A fortuna — que inclui dinheiro,ações e imóveis em Brasília — estabelecida em testamento pelo advogado José Maria Valdetaro Vianna é o maior valor legado à instituição neste século. Segundo integrantes da irmandade,ele fez questão de destacar,no documento,o reconhecimento ao trabalho filantrópico desenvolvido pela entidade.
Dança das cadeiras: Governador em exercício do Rio,Ricardo Couto exonera aliados de Cláudio Castro no primeiro escalãoOperação Narco Fluxo: Poze do Rodo é preso em ação da Polícia Federal contra esquema de lavagem de dinheiro
Servidor aposentado do Senado Federal e membro do Instituto dos Advogados do Distrito Federal,o benfeitor morreu em novembro de 2022,aos 91 anos. Divorciado,não deixou filhos.
Com o desfecho do espólio de Vianna,houve a liberação dos recursos. Uma ex-empregada doméstica entrou na Justiça para tentar o reconhecimento de união estável,o que poderia alterar a destinação da herança. A tese,no entanto,foi rejeitada,e a decisão tomada em Brasília há poucas semanas garantiu o cumprimento integral do testamento em favor da Santa Casa.
— É a cereja do bolo de um trabalho de gestão de crise de cinco anos. Esse dinheiro veio na hora certa. Se fosse antes,poderia ter desaparecido no meio da dívida — celebrou Maurício Osthoff,mordomo jurídico da entidade,cargo equivalente ao de diretor.
Continuar Lendo
A Santa Casa atravessa um processo de reestruturação após anos de crise. O passivo trabalhista,que já chegou a R$ 150 milhões,está próximo da metade,depois da venda de imóveis e de um plano de amortização. Ainda há débitos fiscais,estimados em cerca de R$ 300 milhões,e cíveis,que passam de R$ 500 milhões,diz o advogado. Metade da doação deve ser destinada à quitação de pendências na Justiça do Trabalho,prioritárias por estarem em fase de execução. O restante servirá para retomar áreas paradas,modernizar unidades e ampliar a rede hospitalar.
Responsável pela gestão dos imóveis da irmandade,o mordomo dos prédios,Cláudio André Castro,afirma que a venda de ativos tem contribuído para equilibrar as contas:
— Vendemos imóveis que não eram rentáveis para pagar dívidas. A Santa Casa se mantém da gestão do seu patrimônio. É um esforço grande para manter a assistência funcionando — explicou Castro.
Hoje,a rede inclui o Hospital Geral,na Rua Santa Luzia,no Centro,onde também funciona a sede da instituição,e uma unidade na Gamboa,que fazem cerca de 13 mil atendimentos mensais. Consultas são oferecidas a preços acessíveis,em torno de R$ 100,com foco na população de baixa renda. A Santa Casa também é responsável por um educandário em tempo integral no Humaitá e atende 300 idosos em dois asilos,em Jacarepaguá e Cascadura,além de projetos sociais com o poder público.
— É uma medicina de ponta a preços acessíveis. A gente segue atendendo,mas ainda não conseguimos retomar a parte cirúrgica,que está interrompida. A ideia agora é usar esse fôlego para recuperar essas áreas e fazer a instituição renascer — afirmou o cirurgião plástico Ricardo Cavalcanti,mordomo do Hospital Geral.
Um dos principais gestores da Santa Casa,o médico ainda destaca que a Santa Casa preserva um patrimônio histórico relevante,como a capela imperial e o museu da farmácia:
— Temos excelência médica e histórica — sintetizou.
Ao longo dos 444 anos de funcionamento,a instituição recebeu bens e fortunas de benfeitores,muitos deles retratados em uma galeria na sede. Contudo,a tradição,que remonta ao período colonial,vinha rareando,afetada por crises financeiras e escândalos que afastaram potenciais doadores.
© Reportagem diária do entretenimento brasileiro