
Mariana Tanaka Abdul Hak,de 20 anos,morreu após ser atropelada por uma van em Ipanema,Zona Sul do Rio — Foto: Reprodução
GERADO EM: 19/05/2026 - 22:47
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Filha de diplomatas,Mariana Tanaka Abdul Hak,20 anos,passou boa parte da vida no estrangeiro. Depois de concluir o curso de Administração de Empresas na ESCP Business School,na Itália,no início do mês,decidiu voltar ao Brasil para,nas palavras de seu pai,“recriar raízes”. No último sábado,ela chegou ao Rio — onde havia alugado apartamento,em Ipanema,e começaria a trabalhar em uma multinacional do setor de cosméticos. Acompanhada pela mãe,foi à rua comprar itens para a casa,como um travesseiro. Naquele mesmo dia,pouco antes das 17h,as duas estavam na calçada da Rua Visconde de Pirajá quando foram atropeladas por uma van.
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A jovem não resistiu aos ferimentos e morreu no domingo,no Hospital Miguel Couto. O caso — registrado como lesão corporal culposa e investigado pela 14ª DP (Leblon) — é um retrato particularmente trágico da violência crescente no trânsito. Mãe de Mariana,a diplomata Ana Patrícia Neves Abdul Hak,cônsul-adjunta do Brasil em Buenos Aires,sofreu luxações por todo o corpo ao ser atingida. Após levar pontos no rosto,recebeu alta. Um terceiro pedestre,identificado como Sérgio da Costa Luiz,também foi atendido,mas se recusou a ficar internado,segundo a Secretaria municipal de Saúde.
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O Estado do Rio teve 787 homicídios culposos — como as mortes no trânsito são registradas pelo Instituto de Segurança Pública (ISP-RJ) — de janeiro a abril deste ano,o que equivale a uma vítima a cada três horas e meia,em média. O número para o período não era tão alto desde 2011,quando houve 795 registros. O ISP ainda contabilizou 9.072 lesões corporais culposas produzidas no tráfego fluminense nos quatro primeiros meses deste ano,aproximadamente uma a cada 20 minutos: é o maior índice desde 2016,quando 11.677 casos foram registrados de janeiro a abril.
O diplomata brasileiro Ibrahim Abdul Hak Neto,integrante da assessoria especial internacional do presidente Lula — que na tarde de ontem telefonou para Ibrahim para expressar suas condolências —,contou que a filha passou alguns dias com ele em Brasília antes de viajar para o Rio. O pai a deixou no aeroporto da capital federal no sábado,onde a jovem pegou o voo de meio-dia rumo ao Santos Dumont,para se encontrar com a mãe.
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Mariana e Ana Patrícia — que não tem memórias do acidente e está precisando de cadeira de rodas para se locomover — deixaram as malas no apartamento em Ipanema e,na esquina das ruas Visconde de Pirajá e Vinicius de Moraes,acabaram atropeladas. A jovem foi imprensada contra um poste.
Com traumatismo craniano,a administradora de empresas chegou a passar por cirurgias,mas não resistiu. Mariana será sepultada no Cemitério São Paulo,no bairro de Pinheiros,na capital paulista,amanhã,em cerimônia restrita a parentes e amigos. A jovem deixa,além dos pais,que embarcaram para São Paulo ontem,o irmão de 24 anos.
— Todo pai e toda mãe fazem enormes sacrifícios,investem os seus recursos,dão a melhor educação,colocam o máximo de dinheiro e o máximo de amor (nos filhos). Então,interromper um projeto desses no auge,quando as conquistas acontecem,ela recém-formada,se sentindo habilitada a olhar para trás falando “todo o meu esforço de vida valeu apena”,é muito duro — afirmou Ibrahim,para quem a filha estava no “auge da felicidade”.
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Mariana falava português,inglês,espanhol e francês. Antes de decidir se radicar no Rio de Janeiro,já havia morado em países como França,Itália,Líbano,Reino Unido e Venezuela.
Motorista da van,que havia começado no emprego há cerca de uma semana,Lucas Leandro do Espírito Santo Marques relatou a policiais militares que o veículo “travou a direção” e “o freio não funcionou”. As informações foram registradas pelo sargento responsável pela ocorrência na 14ª DP. O policial informou ainda que não havia marcas de freio no local,assim como o condutor “não apresentava nenhuma alteração”. Segundo matéria exibida no RJTV2,a Polícia Civil informou que o motorista fez testes que descartaram o uso de álcool ou drogas.
Uma câmera de segurança registrou o momento do atropelamento. O relógio marcava 16h58 de sábado quando a van,que andava dentro da velocidade permitida,trafegava pela pista da esquerda da Visconde de Pirajá. Próximo à esquina com a Rua Vinicius de Moraes,o automóvel,um modelo elétrico,de uma empresa terceirizada a serviço da plataforma Mercado Livre,começou a se aproximar da calçada,até subir o meio-fio e se chocar com o poste de um sinal de trânsito.
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O Corpo de Bombeiros já foi acionado para 29.505 ocorrências de trânsito este ano (o recorte é de 1º de janeiro até anteontem),número 6% maior que as 27.743 registradas pela corporação no mesmo período do ano passado. Os atropelamentos,no entanto,caíram 1% neste ano: foram 3.427 (o mesmo período do ano passado teve 3.473 casos do tipo).
Analisados os dados do ISP para homicídio culposo por região,houve crescimento na quantidade de vítimas na capital e na Baixada Fluminense nos primeiros quatro meses deste ano,enquanto o número de mortos caiu na Grande Niterói (que engloba os municípios de Niterói,São Gonçalo e Maricá) e no interior do estado. A região com mais ocorrências é a capital,que concentra 35% das vítimas.
© Reportagem diária do entretenimento brasileiro