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Formato dos microdramas se firma com sabor brasileiro, mas ainda vive fase de experimentação

Jun 9, 2026 Ai IDOPRESS

'Loquinha',novela vertical da Globo com o casal Lorena e Juquinha,de 'Três Graças' — Foto: Reprodução

RESUMO

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GERADO EM: 08/06/2026 - 21:15

Microdramas Chineses Buscam Espaço nas Telas Brasileiras: Desafios e Adaptações

O formato de microdramas,popular na China,busca firmar-se no Brasil com histórias curtas para telas de celulares. Exemplos como "Loquinha" mostram sucesso,mas o modelo ainda está em fase experimental. Durante o Rio2C,debates abordaram desafios como financiamento,duração ideal e publicidade. A adaptação do modelo chinês ao contexto brasileiro é crucial,com foco em produção ágil e conteúdo envolvente.

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A novela brasileira sempre coube em muitos lugares: na sala de casa,na conversa do ponto de ônibus,no café do trabalho. Agora,tenta caber inteira na palma da mão. Não como um corte de uma cena da TV,mas como história feita desde a origem para a tela vertical do celular: o microdrama. A febre “Loquinha”,que deu protagonismo às personagens Lorena (Alanis Guillen) e Juquinha (Gabriela Medvedovsky),é um exemplo de sucesso — até mesmo internacional. O casal do novelão “Três Graças”,das 21h,se tornou tão popular que ganhou versão própria em novelinha vertical,e viralizou até fora do país.

Episódios de um,dois ou três minutos,ganchos sucessivos,emoções em primeiro plano e um modelo de negócio ainda em teste foram tema de painéis do Rio2C. Durante a semana de debates,executivos discutiram o avanço do formato. Popularizado na China e impulsionado por plataformas de vídeo curto,o microdrama já se firmou no Brasil,mas ainda há mais perguntas do que respostas: quem paga a conta,qual gênero funciona melhor,que duração retém o público,como entra a publicidade e até que ponto a estética exagerada é parte da linguagem.

— A gente não sabe qual modelo vai virar no Brasil. Só através da experimentação mesmo — disse Rica Mantoanelli,da Barry Company,que comparou o estágio atual a “um bebê de dois anos”.

Pontos de abandono

Na Barry Company,segundo ele,a lógica se aproxima a de uma fábrica,com projetos em diferentes etapas ao mesmo tempo. A produtora desenvolve conteúdos próprios para futura licença e também atende marcas e plataformas. O orçamento varia,mas pode chegar a cerca de R$ 1 milhão por novela em alguns projetos. A ambição é encurtar prazos: enquanto cinema e séries trabalham com ciclos de anos,a meta no vertical é chegar a entregas em cerca de 30 dias.

André Marchezano,gerente de criadores e parceiros de conteúdo do Kwai,apresentou a lógica de uma plataforma que mistura rede social,distribuição e dramaturgia curta. Segundo ele,a empresa acompanha retenção,pontos de abandono e comportamento dos usuários para ajustar duração e formato dos episódios. A plataforma tem trabalhado com capítulos de até três minutos,pensados para consumo dentro do fluxo de vídeos curtos. O roteiro,nesse ambiente,precisa chegar mais rápido ao conflito; a imagem deve ser legível em tela pequena; e a montagem trabalha contra a dispersão.

Já na Endemol Shine Brasil,a entrada no setor tem ocorrido,por enquanto,pelo modelo de prestação de serviço,afirma Izabela Ianelli,diretora de Digital da empresa. Para ela,o aprendizado principal é adaptar a produção brasileira às exigências de cada cliente,sem copiar o padrão chinês.

— Não existe um livro na China dizendo que é assim que se faz. Cada plataforma tem objetivos de negócio e expectativas diferentes. O modelo é ágil,e a gente tem que adaptar a nossa produção para atingir essa expectativa — disse Izabela.

Na China,a indústria dos microdramas já movimenta bilhões e,em 2024,superou a bilheteria de cinema do país. Fora dali,aplicativos como ReelShort e DramaBox transformaram melodramas curtos em produtos de alto consumo,com episódios gratuitos,publicidade,assinatura e pagamento para desbloquear capítulos. O Brasil entra nesse jogo com uma vantagem: a familiaridade com a novela. E uma dificuldade: transformar um hábito cultural arraigado ao mundo analógico em prática digital.

Um tom a mais

No painel “As Inovações do Vertical”,o diretor e roteirista Bruno Vaks,da Play9,afirmou que o formato exige atuação mais carregada,além de ganchos a cada dois minutos e ações chamativas,como tapas na cara e viradas melodramáticas.

— No microdrama,você usa um tom a mais,porque a pessoa está assistindo no metrô,na volta para casa,é preciso reter a atenção para ela continuar vendo. Então muda a atuação,um pouco mais over no melodrama. Aquilo é uma fantasia — explicou Vaks.

O diretor,que trabalhou em novelas,comparou os prazos. Antes,podia permanecer mais de um ano num projeto. Nas novelas verticais,diz levar cerca de um mês e meio para filmar uma produção. A diferença comprime todas as etapas e também muda decisões de set. O enquadramento vertical exige maior proximidade com os rostos,menos dispersão no fundo e um desenho de cena pensado para o celular.

Marina Bouças,do grupo Play9,chamou atenção para a escala dessas produções. Embora o orçamento seja menor que o de filmes e séries,as equipes podem envolver dezenas de profissionais. A diferença está no ritmo. Segundo ela,é preciso gravar em “volumes avassaladores”,como 20 páginas por dia.

Mas o vertical não deve ser visto apenas como território das novelinhas,apontou Luiza Maggessi,VP da PlayAction. Fora do Brasil,disse ela,o formato já aparece em filmes de marca de luxo,como Gucci. A leitura da executiva é que plataformas,produtoras e anunciantes caminham para um campo mais amplo.

— Não é só novela,a gente está vendo todas as plataformas se movimentando para esse lugar. E como somos nativos digitais,sabemos o que funciona,e isso ajuda a pensar o plano de filmagem — afirmou Luiza.

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