
Senador Jaques Wagner,líder do governo no Senado — Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo
GERADO EM: 23/06/2026 - 20:47
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O apoio à permanência do senador Jaques Wagner (PT-BA) na liderança do governo no Senado vem perdendo força entre integrantes das bancadas do PT e de partidos da base diante do potencial de desgaste para a campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Uma reunião entre o chefe do Executivo e o parlamentar,prevista para esta quinta-feira,pode selar o destino de Wagner.
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Parlamentares do PT e de partidos da base afirmam reservadamente que as explicações apresentadas pelo aliado histórico do presidente desde a operação não foram suficientes para dissipar dúvidas sobre sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro e seu ex-sócio Augusto Lima.
A avaliação é compartilhada por integrantes do Palácio do Planalto,que já defendem internamente uma saída de Wagner da liderança para evitar que o caso continue sendo associado ao governo e à campanha de reeleição.
O mal-estar em torno da permanência de Wagner na liderança começou a aparecer ainda no dia da operação. Um dos poucos parlamentares do PT a defender publicamente o afastamento do senador foi o deputado Rogério Correia (PT-MG),que publicou nas redes sociais que,“na condição de investigado”,o líder do governo deveria deixar o cargo para se dedicar à própria defesa,preservada a presunção de inocência.
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Na mesma manifestação,porém,o parlamentar procurou desvincular o governo do escândalo e sustentar a narrativa adotada por parte do PT de que o caso teria origem em relações construídas durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Nos dias seguintes,outros parlamentares evitaram defender publicamente a permanência de Wagner na liderança e,embora a maior parte da bancada continue afirmando confiar na inocência do senador,cresce reservadamente a avaliação de que sua saída do posto pode ser necessária para evitar que o caso continue contaminando o governo e a campanha de reeleição de Lula.
Segundo parlamentares ouvidos pelo GLOBO na Câmara e no Senado,a principal dificuldade tem sido sustentar politicamente as explicações apresentadas por Wagner desde a operação. Integrantes da base afirmam que o senador não conseguiu convencer parte dos aliados ao justificar suas ligações com a teia de Vorcaro.
Também causou desconforto entre governistas a entrevista concedida por Wagner à BandNews após a operação. Integrantes do PT avaliam que o senador acabou expondo Lula desnecessariamente ao mencionar conversas com o presidente e ao afirmar que o petista já enfrentou situações mais graves no passado.
O movimento também é percebido entre aliados próximos do senador. Um dos principais interlocutores de Wagner na Casa é o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ),Otto Alencar (PSD-BA) e,segundo relatos de interlocutores,Otto tem dito que o líder do governo não o procurou para discutir o caso.
Reservadamente,o senador baiano também tem argumentado a pessoas próximas que não pretende se envolver na discussão por se tratar de um assunto interno do PT,enquanto ele pertence ao PSD,ou seja,o assunto não compete a ele.
O movimento ocorre poucos dias depois de manifestações públicas de apoio ao senador feitas por dirigentes do partido. Na semana passada,o presidente nacional do PT e coordenador da campanha à reeleição de Lula,Edinho Silva,afirmou que Wagner era depositário da confiança da legenda e ele comprovaria sua inocência.
Petistas dizem não ver contradição entre a defesa feita por Edinho e a pressão para Wagner sair da liderança. Há um entendimento que ele virou um problema para o governo,mas não para o partido. Mesmo com a insatisfação,a cúpula do partido diz confiar que Wagner vai provar sua inocência e que a legenda vai dar estrutura para ele fazer sua defesa política,além de contar com o apoio para a campanha de reeleição ao Senado.
Há uma avaliação de aliados do governo de que o escândalo do Master ainda tem mais potencial de desgastar Flávio do que Lula,mas que para é preciso estancar a crise afastando Wagner da liderança.
Aliados do governo citam que o próprio Flávio já teve relações com Daniel Vorcaro,dono do Master,expostas,e que,no caso da campanha do PT,o que apareceu foi uma relação envolvendo um senador do partido não do candidato à Presidência.
O entendimento de governistas é que,toda vez que Jaques Wagner fizer um encaminhamento ou até dar qualquer discurso no Senado na condição de líder do governo,será uma maneira de trazer o caso Master para perto de Lula.
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