
Conceito do eVTOL da Eve Air Mobility — Foto: Divulgação/Eve Air Mobility
GERADO EM: 16/07/2026 - 17:05
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Antes de qualquer “carro voador” decolar comercialmente em São Paulo,um problema bem menos futurista do que o desenho das aeronaves elétricas precisa ser resolvido: como levar energia em alta potência,de forma confiável,até o topo de um prédio. Para solucionar esse desafio,a Eve Air Mobility,fabricante controlada pela Embraer,e a multinacional Hitachi Energy anunciam uma aliança estratégica focada no desenvolvimento da infraestrutura de recarga para as aeronaves elétricas de pouso e decolagem vertical (eVTOLs).
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O memorando de entendimento anunciado nesta sexta-feira une a expertise de cada uma das empresas mirando a expansão comercial do modal. O foco inicial das operações recai sobre os mercados de São Paulo e Nova York,metrópoles que já concentram as maiores demandas e volumes de operação de mobilidade aérea urbana no mundo.
Pelo acordo,a Hitachi vai adaptar ao eVTOL sua tecnologia de carregamento Grid-eMotion,já usada em outros mercados de eletromobilidade. A promessa é cobrir toda a cadeia — da rede elétrica até o plugue da aeronave — e também avaliar o reaproveitamento de baterias usadas em aviação como sistemas de armazenamento de energia depois do fim de sua vida útil no ar.
— A infraestrutura elétrica é um elemento fundamental para viabilizar operações seguras,eficientes e escaláveis de eVTOL. Não se trata apenas de instalar carregadores,mas de planejar a disponibilidade de potência,os ciclos de recarga,a integração com a rede e a operação em solo — diz Luiz Mauad,vice-presidente de Serviços ao Cliente da Eve.
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Carregamento de eVTOL desenvolvido pela Eve e Hitachi — Foto: Divulgação/Hitachi Energy
Diferentemente de um carro elétrico,que pode ficar horas parado carregando,o eVTOL é pensado para emendar diversos voos curtos ao longo do dia,com a meta de reduzir ao mínimo o tempo parado entre um pouso e a decolagem seguinte. Esse giro rápido não é um detalhe técnico: é o que sustenta a conta de operadores como a Revo,empresa de táxi aéreo que já fechou o primeiro pedido firme do mundo por aeronaves da Eve.
O otimismo do mercado e a promessa de mais sustentabilidade enfrentam,no entanto,uma realidade bastante conhecida pelos paulistanos: a fragilidade da rede de distribuição de energia,historicamente suscetível a apagões e oscilações durante tempestades de verão. A implantação de vertiportos demandará a conexão de cargas eletrointensivas,e a rede precisa estar imune a essas instabilidades.
Glauco de Freitas,presidente da Hitachi Energy no Brasil,reconhece que,embora o Sistema Interligado Nacional (SIN) seja robusto,a rede no seu estado atual precisará de reforços e inteligência para atender a essa nova demanda sem sobressaltos.
— O sistema elétrico brasileiro hoje é referência mundial: quase 99% do país está conectado,só falta Fernando Noronha. É uma rede extremamente interconectada. Mas,para a demanda que está por vir,ela não está preparada. É uma jornada. A próxima fase da mobilidade aérea urbana será definida pela eficácia com que construímos o ecossistema elétrico correto — projeta o executivo.

Centro de carregamento no térreo do prédio — Foto: Divulgação/Hitachi Energy
Para contornar as limitações de espaço e de engenharia nos topos dos edifícios,todo o maquinário pesado,responsável pela conversão de alta potência e inteligência do sistema,ficará ancorado no nível do solo. Para as coberturas,onde os vertiportos estarão instalados,subirão apenas os dispensadores de energia.
Essa separação física tem como objetivo poupar a estrutura dos prédios de sobrecargas inviáveis e liberar um espaço valioso nos pátios de operação. O modelo centralizado no solo deve otimizar o uso de energia e assegurar o desempenho estável e seguro para as sessões de recarga rápida,exigência técnica inegociável para o negócio.
A Hitachi Energy e a Eve não divulgaram o investimento previsto para a parceria,nem um cronograma detalhado. A Eve soma hoje cerca de 2.700 cartas de intenção de compra pelo mundo,a maioria ainda sem valor de pedido firme,e mira 2028 para certificar sua aeronave de quatro passageiros e iniciar operações comerciais.
© Reportagem diária do entretenimento brasileiro