
Preparação de urnas eletrônicas — Foto: O Globo
GERADO EM: 21/07/2026 - 22:38
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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ),pré-candidato à presidência da República,citou ontem uma alegação falsa sobre as urnas eletrônicas brasileiras ao pedir a uma plateia de representantes diplomáticos estrangeiros que enviem “a maior quantidade de observadores possível” para acompanhar o pleito de outubro. Na fala,o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) — que se tornou inelegível por uma reunião com embaixadores na qual teceu ataques ao sistema eleitoral do país — mencionou dados inverídicos sobre uma empresa venezuelana que aparece em documentos da CIA divulgados pela gestão Trump na semana passada. À noite,após a repercussão do episódio,Flávio negou que coloque “em dúvida o processo eleitoral brasileiro”.
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A declaração aconteceu durante o encontro “Debatendo o Brasil”,realizado em Brasília pelo site The Brazilian Report e a agência Novo Selo Comunicação. Anteriormente,o grupo já realizou agendas semelhantes que contaram com a presença de outros dois presidenciáveis,Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão),além do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE),Kassio Nunes Marques. Estavam presentes membros do corpo diplomático de 42 países,como Estados Unidos,Israel,Reino Unido,África do Sul,Austrália,Paraguai,União Europeia e Alemanha,entre outros.
— O pedido que eu faço a todos aqui,não estou questionando o sistema de votação brasileiro,mas que todos os países possam mandar a maior quantidade de observadores possíveis para nossas eleições,como sempre fazem,e também pessoas que tenham conhecimento sobre essa tecnologia e como o Brasil pode dar eleições mais seguras e transparentes — disse Flávio.

Flávio Bolsonaro discursa para plateia de representantes do corpo diplomático de 42 países — Foto: Divulgação Novo Selo
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Antes,o parlamentar havia feito referência a documentos da CIA tornados públicos na semana passada,que levantam suspeitas sobre o processo eleitoral venezuelano. A papelada faz parte de um pacote de conteúdos divulgados pela Casa Branca após o presidente dos Estados Unidos,Donald Trump,aliado da família Bolsonaro,realizar um pronunciamento levantando suspeitas de interferência estrangeira nas eleições americanas de 2020.
O documento em questão,apesar de apontar que oficiais da Venezuela desenvolveram interesse e “alguma capacidade” em manipular sistemas eletrônicos de votação,não obteve confirmação definitiva de que fraudes eletrônicas de grande escala foram executadas com sucesso no país. Ao discursar,Flávio citou especificamente a empresa venezuelana Smartmatic,repetindo uma informação falsa já desmentida no passado pelo TSE.
— E uma das suspeitas é que uma empresa chamada Smartmatic,de origem venezuelana,é que tenha uma programação para alteração das votações naquele país — afirmou Flávio,acrescentando o dado equivocado: — Não vou entrar em mais detalhes,mas só para deixar registrado que muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras têm a mesma origem dessa empresa venezuelana.
A Smartmatic,entretanto,não fornece urnas eletrônicas para as eleições brasileiras. Há quase uma década,em 2017,quando a informação falsa começou a viralizar nas redes pela primeira vez,o TSE publicou uma nota a desmentindo. “As urnas eletrônicas brasileiras foram projetadas por técnicos a serviço da Justiça Eleitoral e são produzidas,sob a sua direta coordenação,por empresas selecionadas por meio de processos licitatórios públicos e de ampla concorrência”,dizia a nota. Novos desmentidos foram publicados pelo tribunal nos ciclos eleitorais seguintes,como em 2020 e 2022. Questionado ontem,o TSE reafirmou que não há relação entre as urnas e a empresa venezuelana.
Em nota divulgada durante à noite,Flávio Bolsonaro disse que “não coloca em dúvida o processo eleitoral brasileiro”. Segundo o senador,“o convite para a presença de observadores internacionais segue uma prática adotada em diversas democracias e reforça a transparência no sistema eleitoral”. O texto,contudo,não explica a vinculação equivocada da empresa venezuelana com as urnas brasileiras.
A Smartmatic já celebrou contratos com a Justiça Eleitoral brasileira. No entanto,eles versavam sobre a prestação de serviços de conexão de dados e voz e não envolviam a programação ou operação das urnas eletrônicas. A empresa venezuelana até chegou a participar de uma licitação para fabricar urnas para as eleições de 2020,mas perdeu a disputa para uma concorrente.
O próprio Flávio lembrou à plateia da condenação do pai pelo TSE,que,durante encontro com embaixadores no Palácio do Planalto em 2022,também teceu acusações infundadas sobre o sistema eleitoral brasileiro.
— Alguém que tinha preocupação com a transparência,a segurança do nosso sistema eleitoral e apenas manifestava as suas preocupações para que os embaixadores levassem esse cenário de preocupação para os seus países — argumentou,minimizando o episódio.
O TSE,entendeu que o pai de Flávio praticou abuso de poder político e usou indevidamente meios de comunicação ao atacar,sem provas,as urnas na reunião às vésperas da campanha à reeleição na qual acabou derrotado. Segundo a acusação,ao transmitir o discurso com ataques às urnas eletrônicas na TV Brasil e em redes sociais,Bolsonaro teve “expressivo alcance na difusão de informações falsas já reiteradamente desmentidas”.
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