
Entenda a nova dinâmica dos salões de beleza diante de um público mais seletivo — Foto: Freepik
GERADO EM: 14/04/2026 - 18:06
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Nos últimos anos,o setor de beleza passou por uma mudança silenciosa,mas significativa. Se antes o volume de atendimentos sustentava o crescimento dos salões,agora o comportamento do consumidor indica outra direção. Mais seletivo,ele pesquisa antes de contratar,espaça procedimentos e prioriza experiências completas,não apenas o resultado técnico.
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Dados do Sebrae mostram que pequenos negócios de serviços enfrentaram maior instabilidade no faturamento em 2025,refletindo uma demanda menos impulsiva e mais racional. No segmento de beleza,esse movimento não representa necessariamente queda de interesse,mas uma transformação na forma de consumir.
"O cliente não deixou de investir em beleza,ele passou a escolher melhor. Hoje,ele compara,observa detalhes e entende valor antes de decidir",afirma Saulo Abrahão,empresário do setor da beleza,fundador do salão conceito Duo+ e mentor de donos de salão.
Essa mudança desloca o foco do serviço isolado para a jornada completa. Atendimento,ambiente,comunicação e acompanhamento passam a ter peso semelhante ao da técnica. O que antes era percebido como diferencial agora começa a se consolidar como base do negócio.
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Nesse contexto,novas vivências ganham centralidade. O consumidor busca previsibilidade,clareza e uma sensação de cuidado que vai além do procedimento. Pequenas falhas,como atrasos,falta de orientação ou atendimento impessoal,impactam diretamente a recompra.
"A forma como o cliente é recebido influencia mais do que muitos imaginam. A experiência começa antes do atendimento técnico,e isso muda completamente a percepção de valor",explica Luiz Ferraz,profissional da área e sócio do salão conceito Duo+.
A mudança também expõe fragilidades em modelos tradicionais de operação. Salões que dependem exclusivamente da agenda cheia ou da indicação tendem a sentir mais rapidamente oscilações no fluxo. Sem processos estruturados,a previsibilidade de receita se torna mais difícil.
Por isso,a recepção vem assumindo um papel mais estratégico. De função operacional,passa a atuar como ponto inicial do relacionamento e organização da jornada do cliente,contribuindo para a conversão e fidelização.
"Quando existe um processo claro,a venda deixa de ser improvisada. O cliente é conduzido com mais segurança,e o salão ganha consistência no resultado",diz Saulo.
Essa abordagem responde diretamente ao novo comportamento do consumidor,que espera orientação e personalização. A indicação de serviços complementares,o acompanhamento após o atendimento e a organização da agenda passam a influenciar o ticket médio e a recorrência.
Ao mesmo tempo,cresce a percepção de que a profissionalização da gestão é determinante para sustentar o negócio. Estrutura,padronização e clareza na comunicação deixam de ser práticas avançadas e passam a integrar o funcionamento básico dos salões.
"A técnica continua sendo importante,mas não sustenta o crescimento sozinha. O que faz diferença hoje é a consistência da experiência e a forma como o negócio se organiza",afirma.

Empresários Saulo Abrahão e Luiz Ferraz comentam mudanças nos salões de beleza diante de um público mais seletivo — Foto: Divulgação
A tendência aponta para um setor mais orientado à experiência e menos dependente do volume. Em um cenário de consumo mais criterioso,salões que estruturam atendimento,treinam equipe e constroem processos comerciais tendem a manter crescimento mesmo diante de oscilações.
"Quem entende o comportamento do cliente consegue se adaptar mais rápido. E isso muda completamente o resultado do negócio",completa Luiz.
© Reportagem diária do entretenimento brasileiro