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Atores e equipe de 'A viagem' falam sobre as mudanças do filme os 'memes' de Alexandre: 'É um ícone pop', diz diretor

Jun 1, 2026 Artes IDOPRESS

Carolina Dieckmann e Pedro Novaes no set de 'A viagem' — Foto: Estevam Avellar/Globo

A voz em off que dizia “a vida continua e a morte é uma viagem” em outubro de 1994,no fim da novela de Ivani Ribeiro na TV Globo,já dava sinais do que aconteceria 32 anos depois: “A viagem” não morre. Entre reprises e memes,a história espírita sobre redenção e perdão vira agora um filme dos Estúdios Globo,ainda sem data de estreia,que traz de volta o espírito obsessor Alexandre para quem o viu na tela da TV ou apenas no celular. Afinal,ano após ano,o personagem imortalizado por Guilherme Fontes segue como ícone pop,um hit nas figurinhas de WhatsApp ou memes das cenas com o sorrisinho malicioso do ator.

'A viagem': Teaser do filme mostra quem está no elenco; compare os personagens de 1975,1994 e 2026

— “A viagem” é uma história muito forte,que tem um público apaixonado — diz o diretor do longa,Henrique Sauer,que recebeu O GLOBO no set de filmagem. —Essa é a potência,sem dúvida,da escolha de fazer esse filme.

Exibida primeiramente na TV Tupi em 1975,com Ewerton de Castro como Alexandre,a versão consagrada no imaginário nacional já foi uma adaptação da história da família Toledo,cujo esteio é Diná (Eva Wilma e,depois,Christiane Torloni),às voltas com o inconsequente irmão caçula. Ele mata uma pessoa,vai preso e comete suicídio na cadeia. Atormentado,volta ao plano terreno para se vingar daqueles que considera responsáveis por sua prisão.

Henrique Sauer com Pedro Novaes no set de 'A viagem' — Foto: Estevam Avellar/Globo

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A versão da década de 1990 foi reexibida três vezes no “Vale a pena ver de novo” — a primeira em 1997 e a última em 2025,quando teve média de audiência de 16,6 pontos em São Paulo e pico de 24 no Rio no meio da tarde,número geralmente alcançado pelas tramas inéditas das 18h e das 19h. Na programação do Canal Viva (atual Globoplay Novelas),Alexandre vagou em 2014,2020 e 2024,quando virou fixação de jovens noveleiros.

—Ele é um ícone pop — diz Henrique. —(Desta vez,buscamos oportunidades no texto da Jaque (a roteirista Jaqueline Vargas) onde o personagem pudesse se divertir em cena,mas sem perder a tensão que o filme pede. Calibramos porque o filme não tem a mesma elasticidade da novela.

Desde os tempos de Ivani,afinal,a ideia era refletir sobre família,traumas e redenção sob o manto do espiritismo e da vida após a morte. É com isso em mente que o ator Pedro Novaes,o Alexandre da nova geração,tem trabalhado. No dia em que o GLOBO visitou o set,Alexandre ainda estava vivíssimo,mas causando problema. Ele acabara de cometer o crime que desencadeia a história e tentava convencer Diná (Carolina Dieckmann),de que não poderia ir para a cadeia. As cenas exigiram de Pedro — que terminara de gravar a novela “Três Graças” há poucas semanas — os berros e o choro da alternância da raiva e do arrependimento que movem o personagem.

Pedro Novaes e Carolina Dieckmann no set de 'A viagem' — Foto: Estevam Avellar/Globo

— Ele teve algumas perdas muito jovem e isso deu uma bagunçada na cabeça dele,principalmente sobre a posição na família e a relação com a irmã. Ele é um cara ressentido e isso o faz ter determinadas atitudes em vida que se prolongam no outro plano. Mas não o vejo como vilão e,sim,um homem amargo — diz Pedro,que garante não ter topado com os memes em sua vida no plano digital. — Fui impactado depois do convite,quando comecei a pesquisar sobre a história. Aí o algoritmo me mostrou mais.

No Rio2C,evento de criatividade que aconteceu na semana passada,Pedro apareceu em cena para o grande público no primeiro teaser divulgado pelos Estúdios. Algumas mudanças ficaram claras: Alexandre vai matar o cunhado Téo (agora Emilio Dantas). Nas versões para a TV,este personagem (interpretado primeiro por Tony Ramos e,por Maurício Mattar) era um dos alvos do espírito por tê-lo entregado para a polícia. No filme,é a própria Diná quem vai fazer isso,instigada pelo marido,Otávio (Rodrigo Lombardi no papel que foi de Antônio Fagundes e Altair Lima). E ela,portanto,que sofre a perseguição do irmão na Terra.

—A Diná de 2026 é muito madura e centrada,tem uma elegância que,às vezes,beira uma certa frieza — diz Carolina,já uma atriz de 15 anos quando “A viagem” passou na Globo. — É uma novela que sempre me marcou e,em todas as reprises,me toca. A música,principalmente,mexe muito comigo,com essa ideia de falar sobre vidas e sobre a possibilidade de reencontros.

A canção a que ela re refere,chamada também de “A viagem”,é um clássico do cancioneiro televisivo,daqueles que ficam na cabeça como o Alexandre no cangote de seus inimigos. Não havia,como fugir dela.

—Tirar a música é como tirar o Alexandre — diz Henrique. —Desde o início,sabíamos que precisávamos mantê-la no filme e há uma sequência muito específica para ela. Mas temos tentado colocá-la presente em outros momentos. Estamos estudando!

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