
Limpeza de mofo — Foto: Magnific
GERADO EM: 05/06/2026 - 20:32
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Os fungos estão em todos os lugares. Seja nas paredes,nos tapetes e até mesmo no ar que respiramos. Eles também são conhecidos como mofo,bolor e levedura. Um novo estudo mostra novos dados que ajudam a mensurar o impacto na saúde humana após a remoção de espécies de mofo prejudiciais.
A pesquisa revela que a retirada do bolor de diversas habitações públicas na cidade de Nova York,nos Estados Unidos,reduziu em 25% a ida de pessoas com asma ao pronto-socorro.
O trabalho,apresentado no encontro anual da Sociedade Torácica Americana (ATS,na sigla em inglês),analisa os efeitos diretos do programa Mold Busters (“Caçadores de Mofo”),iniciado em 2019. A ação coletiva fez visitas às casas de pessoas que até então sofriam com crises de asmas regulares devido à presença de fungos em suas residências.
Os pesquisadores observaram que a intervenção resultou em quase 2.800 idas a menos ao pronto-socorro em locais próximos às habitações públicas que sofreram intervenção entre os anos de 2021 e 2023.
Outra associação direta também foi encontrada: os prédios com a maior quantidade de reclamações de mofo apresentaram a maior redução nas idas ao pronto-socorro relacionada à crises asmáticas.
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“Esses resultados sugerem que intervenções habitacionais sobre os fatores desencadeantes da asma podem desempenhar um papel crucial na redução das disparidades históricas relacionadas à asma”,aponta a pesquisadora principal Nina Flores,pós-doutoranda na Escola de Serviço Social da Universidade do Texas em Austin,em um comunicado à imprensa.
Nas cidades,os principais tipos de mofos encontrados são dos gêneros Aspergillus,Penicillium,Alternaria e Cladosporum. Eles são os principais “gatilhos” para alergias,e eventualmente,crises de asma.
Não confundir com os ácaros,que são artrópodes (como as aranhas) mas de tamanho microscópico. Eles sobrevivem e se reproduzem nas mesmas condições do fungo.
De acordo com Albertina Varandas Capelo,presidente da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia Regional Rio de Janeiro (ASBAI-RJ),as crises alérgicas e de asma ocorrem por conta da inalação dos esporos que são produzidos pelos fungos.
Os esporos são pequenas estruturas utilizadas pelos fungos para se reproduzir. Eles são liberados no ar e,ao serem inalados,causam reações no corpo ao atingirem o sistema respiratório.
— A exposição contínua ao mofo pode favorecer o desenvolvimento de sensibilização,ou seja,produção de anticorpos. Quando ocorrem sintomas clínicos devido a essa resposta,se torna uma alergia — explica a alergista.
No caso das pessoas alérgicas aos esporos,as crises de rinite e asma podem apresentar intensidades variáveis,como aponta a especialista.
— Em situações de exposição intensa ou prolongada pode ocorrer inflamação importante das vias respiratórias,agravamento da asma e,em alguns casos,pneumonite por hipersensibilidade. As crises asmáticas graves podem evoluir rapidamente,causando dificuldade respiratória intensa,necessidade de atendimento de emergência e,infelizmente,quando não tratadas adequadamente causam desfechos fatais — aponta.
Mofo preto: pode ser causado por diferentes espécies. Quando é visível,é porque já foi estabelecida uma colônia de fungos no local afetado. No banheiro,o Aureobasidium é o mais comum,e em grandes quantidades causa sintomas respiratórios e alergia.Mofo azul: o bolor azul pode se tratar do gênero Penicillium,que tem como característica uma dispersão “como fumaça” ao ser retirado com um pano. No dia a dia,a espécie pode ser usada para antibióticos e até mesmo para o queijo roquefort,mas não deve ser ingerida ao ser vista sob locais ou alimentos in natura. Outra possibilidade de mofo azul é o Aspergillus,que pode causar a doença respiratória aspergilose.Mofo verde: um dos mais comuns de se encontrar é este. Pode se tratar do Penicillium,Aspergillus ou Cladosporium.
O mofo precisa de condições ideais para sobreviver. Enquanto ambientes secos e arejados são seus maiores inimigos,cômodos que proporcionam umidade,falta de sol e com pouca circulação de ar proporcionam bons locais para seu desenvolvimento.
Para mantê-lo longe,o infectologista Alexandre Naime Barbosa,chefe do Departamento de Infectologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Clínica Médica (SBCM),recomenda cuidados específicos para cada objeto da casa.
Travesseiro: deve ser lavado com lavagem a seco de dois em dois meses. Não é indicado usar o mesmo por mais de dois anos.Fronha e lençol: lavar uma vez por semana. Em períodos de altas temperaturas,pode ser lavada a cada dois ou três dias.Cobertor e edredom: precisam passar por lavagem a cada três meses. Barbosa recomenda guardar a vácuo e vedar,o que evita o acúmulo de umidade.Colchão: mudar o lado que está sendo utilizado todo mês e precisa ser deixado sob o sol duas vezes por mês. Ele precisa ser trocado entre sete a 10 anos de uso.Toalha de banho: deve ser lavada após três a quatro dias de uso.Cortina: deve ser lavada a cada três meses.Tapete: precisa ser aspirado duas vezes por semana. O infectologista também indica que seja feita uma lavagem a seco após seis a 12 meses de uso.Ar condicionado: limpar de acordo com o fabricante depois de 30 dias de uso. A manutenção deve ser feita uma vez ao ano. Sofá: deve ser colocado para ventilar uma vez ao mês sob o sol. Barbosa orienta aspirar uma vez ao mês.
Capelo,por sua vez,aconselha evitar o acúmulo de livros,caixas de papelão e objetos antigos em locais fechados e úmidos.
Em um passo a passo,o infectologista aconselha o que fazer no processo de retirada do mofo. A primeira coisa a se fazer é identificar o causador da umidade onde os fungos estão vivendo.
Pode se tratar de um vazamento de cano ou até mesmo da condensação do chuveiro elétrico (quando a água quente vai em direção ao teto na forma de vapor). Assim,é possível resolver este problema primeiro para garantir que o cômodo não continuará sendo atingido pela umidade.
O segundo passo é comprar equipamentos de proteção individual (EPI),facilmente encontrados. São necessários uma máscara,um óculos e um par de luvas.
— Antes de começar a limpar,abra as portas e janelas. Depois,com um pano úmido remova a sujeira superficial produzida pelo mofo. Feito isso,utilize outro pano com uma solução de limpeza,que pode ser água sanitária ou detergente com água. E entramos na etapa mais importante: deixe secar — enumera.
© Reportagem diária do entretenimento brasileiro