
Em nove estados,letalidade policial no Brasil deixou 4,3 mil vítimas — Foto: Alberto Maraux/SSP-BA
GERADO EM: 30/06/2026 - 22:03
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O ano de 2025 registrou 4.330 vítimas da letalidade policial em nove estados do Brasil,conforme mostra o relatório Pele Alvo,lançado nesta quarta-feira pela Rede de Observatórios da Segurança. Entre os mortos,64,8% eram jovens negros. Segundo os pesquisadores responsáveis pelo estudo,o padrão se repete em todas as sete edições do relatório.
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Os dados foram levantados pelo grupo por meio de pedidos feitos via Lei de Acesso à Informação (LAI) a nove estados: Amazonas,Bahia,Ceará,Maranhão,Pará,Pernambuco,Piauí,Rio de Janeiro e São Paulo.
Desde o início da série histórica em 2019,o grupo contabilizou 28.799 mortes por intervenção policial.
— Os dados mostram que não estamos diante de uma fatalidade ou de casos isolados. Ano após ano,a principal vítima da letalidade policial continua sendo a juventude negra das periferias — diz Silvia Ramos,diretora da Rede de Observatórios da Segurança.
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O estudo também identificou um aumento de 6,4% no número de mortes nesses estados quando comparado a 2024. Segundo o relatório,86,3% das vítimas eram pessoas negras,totalizando 3.104.
Veja abaixo o cenário em cada um dos estados analisados:
O Amazonas foi o estado com a maior proporção de pessoas negras mortas por policiais,atingindo o patamar de 96%. Um total de 43 pessoas morreram em ações decorrentes de intervenção policial em 2025.
Os pesquisadores destacam também a "interiorização da violência policial". As mortes se espalharam de 10 para 16 municípios,com o interior concentrando 62,8% dos casos. A capital Manaus responde por 37,2% das vítimas de letalidade policial.
A Bahia registrou uma queda no número de mortes,que caíram de 1.702 para 1.570. O levantamento destaca que o estado vive sob constante tensão devido à disputa de 20 facções por rotas e pontos de venda de drogas.
"Entre os 417 municípios,12 acumulam metade das vítimas e,dos 365 dias do ano,346 registram mortes",afirma o estudo ao comentar a alta concentração de mortes em poucas cidades.
Diferentemente da Bahia,esse estado atingiu o maior número de mortes da série histórica iniciada em 2019,com um total de 200 casos. O relatório aponta que pessoas negras representaram 87,1% dos mortos. Segundo os pesquisadores,no Ceará,jovens negros têm três vezes mais risco de morrer nessas circunstâncias do que jovens brancos.
O Maranhão foi outro estado que atingiu o maior número de mortes da série histórica,com 142 ocorrências do tipo. Trata-se de um crescimento de 86,8% na comparação com 2024,quando 76 mortes foram contabilizadas. O crescimento é atribuído ao processo de interiorização de facções como CV e PCC,que formam alianças com grupos criminosos locais para controlar rotas de tráfico.
Também como no Ceará,o estado registra uma elevada concentração dos casos de letalidade,com mais da metade das ocorrências em apenas onze municípios.
Nesse estado,a letalidade cresceu em 2025,atingindo o número de 632 mortes por intervenção policial,35 a mais que em 2024. Segundo o estudo,pessoas negras representaram 93,3% das vítimas.
O estado de Pernambuco viu um crescimento de 30,9% nas mortes decorrentes de intervenção policial,atingindo a marca de 89 registros. Desde o início da série histórica,em 2019,o crescimento foi de 20,3%. Assim como os demais estados,Pernambuco repete o padrão,com pessoas negras representando 94,4% dos casos,apesar de serem 65,3% da população.
O Piauí foi o único estado a registrar redução nos números,com apenas 20 mortes. A letalidade policial reduziu 16,7% em relação a 2024. Na comparação com o início da série histórica,a redução é ainda maior,de 52,4%.
O relatório associa o bom resultado com iniciativas como a criação de uma Superintendência de Promoção da Igualdade Racial e a adoção de protocolos antirracistas na Polícia Militar do estado.
O estado contabilizou 800 mortes provocadas por policiais,duas delas envolveram vítimas com idades entre 0 e 11 anos. O número representa um aumento de 13,8% na comparação com 2024. O relatório lembra que o estado foi palco da Operação Contenção,que terminou com 115 mortos.
"Mais da metade das mortes por intervenção policial (56,3%) ocorreu na capital,e a letalidade segue marcada por forte desigualdade racial,já que pessoas negras representam 57,8% da população,mas correspondem a 89,5% das vítimas",diz o relatório.
O ano de 2025 representou um recorde para o estado na série histórica,com 834 mortes registradas. Trata-se de uma alta de 2,7% em relação a 2024. A tendência teve início três anos antes. Entre 2020 e 2022,o estado havia visto os casos de letalidade policial se reduzirem,indo de 814 para 419.
O relatório destaca que o aumento se deu mesmo com a queda de crimes como furtos,roubos e latrocínios. Segundo os dados,a capital concentrou 30,5% das ocorrências,enquanto pessoas negras corresponderam a 64,6% das vítimas.
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