
Estalações das provas estão semi ocupadas. No Complexo de Realengo a Arena Radical funciona a canoagem,na foto Gabriel Mascarenhas,treinando,e o circuito de mointain bike,em reforma. Já a Arena da Juventude ao lado da Av. Brasil está fechada,e a Arena de Tiro ao Alvo funciona precariamente — Foto: Custodio Coimbra / Agência O Globo
Do ponto de vista esportivo,olhar para o legado da Rio-2016,exatos dez anos depois da Cerimônia de Abertura dos Jogos,é se deparar com contrastes. Entre as arenas que foram construídas ou reformadas para as competições,há aquelas que continuaram funcionando com todo ou quase todo seu potencial,ajudando a desenvolver o esporte,em nível olímpico ou não. E há aquelas que estão fechadas ou vêm sendo subutilizadas desde então — e custaram R$ 910,8 milhões aos cofres públicos,em valores da época. A maior parte delas está em Deodoro,na Zona Oeste da cidade,segundo maior complexo de locais de competições dos Jogos. Um passeio pelo bairro dá a perfeita noção dessa dicotomia.
Lá estão o Estádio Olímpico de Canoagem Slalom e o Centro Olímpico de Ciclismo BMX,que continuam a todo vapor,utilizados inclusive pelos atletas de alto rendimento. Ambos estão abrigados dentro do Parque Radical,que pertence à Prefeitura do Rio. Por outro lado,a a Arena de Hóquei,a Arena da Juventude,o Centro Militar de Hipismo e o Centro Militar de Tiro Esportivo estão fechados ao público desde março de 2025,em razão de um impasse financeiro entre o Exército,proprietário dos espaços,e o Ministério do Esporte.

Estalações das provas estão semi ocupadas. a Arena de Tiro ao Alvo funciona precariamente — Foto: Custodio Coimbra / Agência O Globo
No ano passado,o Centro de Educação Física do Exército (CCFEX) estimou que precisava de pelo menos R$ 20,5 milhões por ano para não apenas manter os equipamentos esportivos e estruturas,mas para pagar as contas de água e luz. Entre 2018 e 2024,o Ministério do Esporte repassou R$ 255 milhões para o custeio do complexo. Mas o acordo foi rompido após a pasta limitar a R$ 10 milhões por ano o total de recursos para o legado olímpico.
— A estrutura é excelente,a melhor do Brasil,mas deixou de receber nossos atletas para treinos— diz Jodson Gomes Edington Júnior,presidente da Confederação Brasileira de Tiro Esportivo: — Entre 2021 e 2024,tivemos várias competições internacionais em Deodoro,inclusive Sul-Americanos e Mundiais. Lá foram realizadas inclusive seletivas para Paris-2024. Em 2025,precisamos retirar a candidatura ao Sul-Americano,que acabou sendo realizado em Buenos Aires. O impasse é ruim para todo mundo.
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Hoje o espaço só está disponível nos fins de semana,segundo informações do site do complexo. E para fazer uso dos equipamentos é preciso ser militar ou receber autorização especial.

Estalações das provas estão semi ocupadas. A Arena da Juventude ao lado da Av. Brasil está fechada — Foto: Custodio Coimbra / Agência O Globo
O local mais usado pela população quando o acordo foi fechado era a Arena da Juventude,às margens da Avenida Brasil,próximo à entrada para o BRT Transolímpico. Ao longo dos anos,virou uma referência para treinos e competições de artes marciais,em especial o jiu-jitsu. Com o impasse,quarenta e um eventos de luta que aconteceriam ali no ano passado foram cancelados. Boa parte das atividades foram transferidas para o Parque Olímpico da Barra,no entorno do Velódromo. Nos últimos meses,o espaço foi cedido para alguns eventos gospel.
— A arena era um espaço excelente inclusive para o público,muitos moradores da Zona Oeste. Chegamos a realizar torneios de judô,boxe e muay thai que atraíam de quatro a cinco mil pessoas por fim de semana — lamenta Fabrício Xavier,presidente do Sindicato de Lutas Marciais.

Estalações das provas estão semi ocupadas. A Arena da Juventude ao lado da Av. Brasil está fechada — Foto: Custodio Coimbra / Agência O Globo
Procurado,o CCFEX informou que caberia ao Ministério do Esporte comentar a situação. O ministério,por sua vez,manifestou-se por nota,na qual “reafirma seu compromisso com a preservação e a valorização do legado dos Jogos Rio-2026”,mas não faz qualquer menção a uma retomada dos pagamentos.
O outro lado da moeda no complexo de Deodoro está no Parque Radical,que abriga um dos maiores legados da Rio-2016: o Estádio Olímpico de Canoagem Slalom. Tornou-se casa de atletas como Gabriel Mascarenhas,que em sua rotina de treinos nas corredeiras artificiais pode ter companheiros como Ana Sátila — referência da modalidade no país,com quatro edições de Jogos no currículo. Patrocinado pela prefeitura,o carioca de 22 anos começou a praticar o esporte há quatro,já disputou torneios internacionais e se diz fã da pista construída na cidade natal.
— Todos os colegas dizem que o desenho e o nível de dificuldade dela só perdem para a estrutura montada para a Olimpíada de Londres — conta ele.
A pista,que mantém os obstáculos comprados para a Rio-2016,é usada para treinos do Time Brasil. O espaço foi mantido aberto pela prefeitura do Rio após os Jogos,com uma interrupção em 2020 por conta da pandemia de Covid-19.
Também no Parque Radical,o Centro Olímpico de Ciclismo BMX,ficou sem receber torneios oficiais depois da Rio-2016 por mais de oito anos,em função da falta de manutenção,que provocou rachaduras e outros problemas estruturais. No início de 2025,porém,a prefeitura concluiu uma reforma de R$ 4,5 milhões que recuperou a área. A retomada das competições oficiais internacionais ocorreu em outubro do ano passado,com a realização do Campeonato Ibero-Americano de BMX. O espaço é usado pela seleção brasileira da modalidade bem como por atletas de outros países.
O complexo tem ainda uma pista para a prática de mountain bike,atualmente em reforma. Uma piscina é aberta ao público no fim de semana e também são oferecidas atividades físicas gratuitas para a população. A área abriga ainda a chamada Floresta dos Atletas: em 2016,13.725 mudas foram semeadas pelos atletas com espécies da Mata Atlântica. Elas foram plantadas recuperaram uma área antes degradada no Parque Radical.
© Reportagem diária do entretenimento brasileiro