
Diplo's Run Club — Foto: Reprodução/Instagram
GERADO EM: 04/06/2026 - 16:30
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A chuva e a temperatura por volta dos 20ºC no Rio (um frio considerável para cariocas),não desanimaram os 40 corredores amadores que se concentraram no Palácio do Catete,na terça-feira retrasada. Era noite de “corre social” da 5AM Running,crew formada no fim de 2024 por amigos adeptos da corrida de rua. Ao longo do circuito de 6,5 quilômetros,até o Xepa Bar,em Botafogo,um clima de balada e curtição se instalou com a playlist comandada pelo social media Victor Hugo Silva,de 26 anos,que acompanhava a galera de bike com sua caixa de som. “A música leva a proposta de festa para o corre,sem ela já vira outro tipo de experiência”,comenta o carioca.
O evento segue a lógica das running parties,tendência global que aproxima o universo da corrida ao da vida noturna. Música alta,clima de balada e confraternização pós-treino fazem parte da experiência,formato que ganhou projeção com iniciativas como o Diplo’s Running Club,criado pelo DJ Diplo,em 2024; e a Run Travis Run,de Travis Barker,baterista da banda Blink-182. A estudante de Publicidade e Propaganda Lívia Marinho,de 20 anos,viveu,pela primeira vez,a experiência da 5AM. “É uma atividade em que consigo não só cuidar da minha saúde física,mas também me divertir,fazer amigos e extravasar”,comenta a carioca. “É muito melhor do que boate.”

Corrida com eletrônica do Hybrid Club — Foto: Marina Calderon
Maycon Torres,professor do departamento de Psicologia da UFF,pontua alguns benefícios da prática a partir da ligação com o sentimento de pertencimento a uma comunidade. “Esse tipo de evento incentiva encontros fora do mundo virtual,melhorando índices de ansiedade e quadros depressivos”,afirma o psicólogo,que também chama a atenção para certos cuidados: “Temos que nos alertar à vigilância excessiva nas redes sociais,uma necessidade de postar para o outro ver.”
O Hybrid Club,grupo criado em dezembro do ano passado,levou cerca de 200 pessoas ao Museu de Arte Moderna do Rio para largar num circuito de 5,5 quilômetros até a Praça XV,no Centro,ao som de música eletrônica remixada em tempo real por um DJ. O clima era de rave,com corredores dançando,fumando e bebendo antes,durante e depois do percurso. “Precedemos esse modelo de colocar alguém para tocar ao longo da corrida. A ideia é expandir esse movimento no Rio”,afirma o fundador do grupo,Lucas Lima,de 25 anos.
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Corre social do 5AM Running Club — Foto: Marcelo Theobald
A cientista de dados Samya Pinheiro,de 40,corre regularmente há dois anos e meio e variou a rotina de treinos na “running rave” do Hybrid Club. Ela observa o corte geracional que domina o movimento de priorizar atividades esportivas a boates,mas afirma não se encaixar nesse perfil. “Sou uma millennial que ainda gosta de sair à noite,mas acho que tem como conjugar as coisas. Correr não precisa ser sempre aquela cobrança enfadonha,a busca por performance. Prefiro o equilíbrio entre lazer e o cuidado com a saúde”,conclui a curitibana.
© Reportagem diária do entretenimento brasileiro