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Quatro anos após protestos na Copa do Catar, europeus se calam diante de problemas políticos e migratórios nos EUA

Jul 9, 2026 entretenimento IDOPRESS

Jogadores da Alemanha em protesto antes da partida contra o Japão na Copa do Catar,em 2022 — Foto: Anne Christine Poujoulat/AFP

RESUMO

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GERADO EM: 07/07/2026 - 20:12

Seleções Europeias Criticadas por "Indignação Seletiva" nos EUA

Quatro anos após protestos na Copa do Catar contra violações de direitos humanos,seleções europeias,como Alemanha e Inglaterra,permanecem em silêncio diante de questões políticas e migratórias nos EUA. Críticas surgem sobre a "indignação seletiva",com destaque para a deportação de 500 mil pessoas sob gestão Trump. Irã e Egito manifestam-se,enquanto o movimento "OneLove" perde força.

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Em 2022,na Copa do Mundo do Catar,jogadores da Alemanha posaram para a foto oficial,em campo,com todos os seus jogadores tampando a boca. Já a seleção da Inglaterra se ajoelhou antes do apito inicial. Os gestos marcavam protestos contra leis discriminatórias e violações de direitos humanos no país sede e tiveram ampla repercussão. Quatro anos depois,essas e outras seleções se calaram mesmo após o governo dos EUA,que iniciou uma guerra no Irã,ter vetado e dificultado a presença de torcedores,jornalistas e até de árbitros,em meio a uma política de imigração considerada arbitrária e ilegal po

Além de Inglaterra e Alemanha,Dinamarca,Bélgica,Holanda,Suíça e País de Gales se engajaram nos protestos no Catar. Na aparente contradição vista agora,a impressão é de que as seleções europeias passaram a calcular com mais precaução os custos simbólicos e comerciais de manifestações nos EUA.r observadores internacionais.

A diferença de postura foi percebida por torcedores e imprensa internacional,principalmente jornais do Oriente Médio e da África,que apontaram uma espécie de indignação seletiva. O jornal libanês L'Orient-Le Jour (O Oriente- O Dia,em francês),por exemplo,publicou uma reportagem com o título "Quatro anos após o Catar,onde estão as indignações ocidentais agora?"

Em março,a Anistia Internacional cobrou medidas da FIFA para que os direitos humanos fossem respeitados. A entidade lembrou que,desde 2025,a gestão Trump deportou cerca de 500 mil pessoas,mais de seis vezes o público que estará na final da Copa,no MetLife Stadium.

— Apesar do número alarmante de prisões e deportações,nem a FIFA nem as autoridades americanas ofereceram garantias de que torcedores e comunidades locais estarão protegidos contra discriminação étnica e racial,batidas indiscriminadas,detenções ilegais e deportações — disse,antes da Copa,Steve Cockburn,chefe de Direitos Trabalhistas e Esporte da Anistia Internacional.

Protestos do Irã

Em uma Copa do Mundo que parece se calar para questões políticas,as vítimas gritaram para ser ouvidas. Os protestos mais enérgicos vieram da própria seleção do Irã,que teve sua logística inviabilizada por decisão do governo de Trump,e precisava viajar para o México logo após as partidas nos EUA.

Irã deixa carta emocionante em vestiário da Copa e faz apelo por paz entre as nações — Foto: Reprodução

Após a estreia do Irã,contra a Nova Zelândia,o presidente da FIFA,Gianni Infantino,visitou o vestiário iraniano,prometeu esforços para mitigar prejuízos,e ouviu reclamações dos jogadores. Em todas as entrevistas,o técnico Amir Ghalenoei destacou as dificuldades.

— Acho que nossa equipe é talvez a mais oprimida da Copa do Mundo — disse o treinador

Técnico do Egito se alia à causa palestina

Outra voz dissonante foi Hossam Hassan,técnico da seleção do Egito,que levou a questão palestina para o centro da mesa,com gestos em campo e postura assertiva nas entrevistas,lembrando que o futebol continua sendo usado como tribuna. Ele dedicou a vitória contra a Austrália,na fase 16 avos,ao povo palestino. Antes do jogo contra a Argentina afirmou que a guerra é "uma vergonha para todos e,acima de tudo,uma vergonha para os responsáveis que deixam de lado vidas humanas":

— Se alguém nunca sentiu o sofrimento do povo palestino,é porque lhe falta humanidade — afirmou Hassan,que vestiu a bandeira da Palestina no gramado — Esse gesto partiu de mim porque sou um ser humano,assim como são seres humanos aqueles que estão morrendo.

Honan Hassan,treinador do Egito,com as bandeiras da Palestina e do Egito — Foto: Molly Darlington / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP

O movimento "OneLove"

O principal protesto em 2022 foi a criação do movimento "OneLove",que previa o uso de uma braçadeira de capitão colorida,em homenagem aos direitos LGBTQIA+,com adesão das seleções da Inglaterra,Alemanha,Suíça e Gales criaram a movimento “OneLove”. No Catar,existem leis que proíbem relações homoafetivas.

Antes do torneio,porém,a Fifa anunciou que iria aplicar cartão amarelo caso a braçadeira fosse usada,o que enfraqueceu o movimento. Em resposta,houve camisas especiais de protesto,da Dinamarca e Bélgica,e os gestos dos jogadores alemães e ingleses em campo. Nos EUA,restou o silêncio.

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