
Mulher toma café — Foto: Freepik
GERADO EM: 12/04/2026 - 13:12
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Mais do que apenas um estímulo,sua xícara matinal de café pode ser um simples reforço para o seu bem-estar mental. Em um estudo recente,pesquisadores da Universidade de Fudan,descobriram que o consumo de duas a três xícaras de café por dia,considerado uma ingestão moderada,está associado ao menor risco de ansiedade e depressão,de acordo com informações do site especializado Medical Xpress.
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A equipe buscou descobrir se a quantidade de café que uma pessoa bebe diariamente e o tipo que escolhe influenciam o risco de desenvolver estresse e transtornos de humor ao longo do tempo. Para isso,eles analisaram dados do UK Biobank,um dos maiores bancos de dados médicos do mundo,que acompanhou os hábitos alimentares de 461.586 homens e mulheres que apresentavam boa saúde mental no início do estudo,durante uma média de 13,4 anos.
Os participantes relataram a quantidade de café que consumiam,e sua saúde mental foi acompanhada ao longo do tempo. Ao final do estudo,mais de 18 mil novos casos de transtornos de humor e estresse foram registrados,fornecendo um conjunto de dados robusto para análise.
Os resultados,publicados na revista científica Journal of Affective Disorders,mostraram que o consumo moderado — cerca de duas a três xícaras de 250 ml por dia — estava associado ao menor risco. O padrão seguiu uma curva em forma de J,o que significa que os benefícios atingiram o pico em níveis moderados e diminuíram em ambos os extremos. Em outras palavras,aqueles que bebiam muito pouco ou muito café não se saíram tão bem quanto aqueles que encontraram um equilíbrio.
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No extremo superior do consumo,ingerir cinco ou mais xícaras por dia foi associado a um risco maior de transtornos de humor,indicando que o consumo elevado pode ser contraproducente. Além disso,o efeito protetor do consumo de café contra transtornos de humor foi mais forte em homens do que em mulheres.
A equipe também examinou se a genética desempenhava um papel,analisando as pontuações de risco poligênico dos participantes,que medem a eficiência com que o corpo metaboliza a cafeína com base em múltiplas variantes genéticas,para verificar se ser um metabolizador rápido ou lento de cafeína influenciava os resultados. Eles descobriram que essas diferenças biológicas no metabolismo da cafeína não alteraram significativamente a associação.
Os transtornos mentais se tornaram silenciosamente uma das crises globais mais urgentes,afetando a qualidade de vida de milhões de pessoas. À medida que a dimensão do problema continua a crescer,os pesquisadores estão cada vez mais olhando além das clínicas e dos medicamentos,voltando sua atenção para as escolhas cotidianas das pessoas,como a alimentação,como potenciais ferramentas de prevenção.
O café tem atraído a atenção de muitos pesquisadores porque a cafeína,o composto bioativo presente na bebida,nos deixa mais alertas ao bloquear a adenosina,substância química cerebral que sinaliza a fadiga. Em pequenas quantidades,a cafeína pode ajudar a melhorar o humor ao estimular a dopamina,um neurotransmissor envolvido no prazer,na motivação e no aprendizado. Baixos níveis de dopamina são frequentemente associados à fadiga,ao mau humor e à falta de motivação,portanto,aumentá-los pode ajudar as pessoas a se sentirem melhor.
As descobertas do novo estudo podem orientar os médicos em conversas com pacientes sobre escolhas de estilo de vida e alimentares que contribuam para o bem-estar mental. Ao mesmo tempo,o café não é uma solução universal,já que a sensibilidade à cafeína varia de pessoa para pessoa e os indivíduos podem apresentar nervosismo,inquietação ou palpitações,mesmo com níveis de consumo relativamente baixos.
© Reportagem diária do entretenimento brasileiro