
Caminhão recebe soja em Goiás: supersafra não garante bom retorno financeiro — Foto: Dado Galdieri/Bloomberg
GERADO EM: 31/05/2026 - 22:05
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A inadimplência dos produtores rurais cresceu no fim de 2025,mais um sinal da crise financeira que assola o campo,apesar da supersafra de grãos que se encerra em meados deste ano.
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No quarto trimestre do ano passado,8,2% dos produtores rurais pessoas físicas tinham dívidas em atraso,segundo a Serasa Experian.
O resultado é 1 ponto percentual acima de um ano antes e 0,2 ponto acima dos 8% verificados no terceiro trimestre,mostra o Indicador de Inadimplência do Agronegócio da consultoria de dados financeiros.
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Marcelo Pimenta,head de agronegócio da Serasa Experian,explicou que o crescimento mais modesto na passagem do terceiro para o quarto trimestre se deveu a “sinais de estabilização em alguns segmentos”.
Os dados do Banco Central (BC),mais recentes do que os da Serasa,apontam que a taxa de inadimplência das pessoas físicas no crédito rural piorou em janeiro (7,3%) e fevereiro (7,6%),mas teve ligeira melhora em março (7,1%). São os maiores níveis de inadimplência do crédito rural da série histórica do BC,iniciada em 2011.
“A inadimplência no agronegócio segue em alta gradual,com produtores ainda enfrentando margens apertadas e fluxo de caixa pressionado,diante de custos elevados,preços voláteis e crédito mais seletivo”,disse Pimenta,no relatório da Serasa sobre os dados,divulgado nesta segunda-feira.
Com a colheita da soja praticamente concluída,a safra de grãos caminha para mais um recorde,na temporada 2025/2026,o que impulsionou o avanço de 2% na agropecuária no Produto Interno Bruto (PIB,o valor de todos os bens e serviços produzidos na economia) do primeiro trimestre,mas os produtores rurais estão cada vez mais apertados financeiramente.
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A guerra no Oriente Médio elevou custos,e as cotações da soja não estão tão boas para o produtor,o que achata os lucros. Com os produtores endividados,os juros elevados também pesam nas despesas,tanto que outros dados da Serasa apontam números recorde de recuperações judiciais.

— Foto: Editoria de Arte
A Serasa Experian analisa o endividamento de 11,3 milhões de pessoas físicas mapeadas na população rural. O indicador é o percentual de inadimplentes no total de produtores pessoas físicas — é considerado inadimplente quem tem dívidas acima de R$ 1 mil (apenas em operações relacionadas à atividade rural) vencidas com mais de 180 dias. É diferente da taxa de inadimplência do BC,que monitora as operações,não as pessoas.
Além disso,a Serasa Experian considera tanto o crédito quanto as dívidas com fornecedores — as operações de barter (permuta,na tradução livre do inglês),em que o produtor troca uma parcela da produção por insumos.
A inadimplência está concentrada nas dívidas com bancos e demais serviços financeiros,como fundos. Apenas 0,3% dos produtores estão em atraso nas dívidas com credores do próprio agronegócio,e só 0,2% estão inadimplentes com fornecedores de fora do setor,como serviços de transporte.
Apesar disso,o relatório da Serasa Experian chama a atenção para o valor médio das dívidas. Com fornecedores do próprio agronegócio,a dívida média é de R$ 138,2 mil; com as instituições financeiras,é de R$ 115,5 mil. Já com fornecedores de fora do setor,o valor médio é bem menor,de R$ 32,6 mil.
Para Pimenta,da Serasa Experian,isso eleva o risco. “O perfil do crédito rural,marcado por tickets mais altos,prazos mais longos e maior exposição financeira,faz com que poucos inadimplentes concentrem montantes expressivos de dívida,ampliando o risco”,diz o executivo no relatório.
Os dados também mostram que a inadimplência do quarto trimestre de 2025 foi maior entre os grandes produtores.
O maior percentual (9,9% dos produtores) foi registrado entre aqueles que não possuem informação de registro rural. São “possíveis arrendatários ou participantes de grupos familiares ou econômicos”,diz a Serasa Experian.
Entre os grandes proprietários,a taxa ficou em 9,8%. Já os médios (8,3%) e os pequenos (7,8%) proprietários registraram taxas menores.
© Reportagem diária do entretenimento brasileiro