
A ex-primeira-dama Bernadette Chirac em 2018 — Foto: Diarmid Courreges,arquivos AFP
GERADO EM: 06/06/2026 - 06:18
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Bernadette Chirac,viúva do ex-presidente da França Jacques Chirac (1932-2019),morreu na noite desta sexta-feira aos 93 anos,anunciou sua filha,Claude Chirac,à AFP neste sábado. Madame Chirac,nascida Bernadette Chodron de Courcel,"faleceu tranquilamente à noite,rodeada pela família. Ela tinha acabado de completar 93 anos" no dia 18 de maio,disse Claude. Recentemente,Bernadette foi vivida pela atriz Catherine Deneuve no filme "Bernadette: A Mulher do Presidente" (2023).
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Ela foi a única primeira-dama francesa a ter ocupado um cargo político em seu próprio nome,o de conselheira geral de Corrèze,departamento onde foi eleita continuamente de 1979 a 2015.
Esposa de Jacques Chirac por mais de 60 anos,ela acompanhou o marido em toda a sua trajetória rumo ao Palácio do Eliseu (ministérios,Matignon,prefeitura de Paris,RPR...) até a vitória nas eleições presidenciais de 1995,na terceira tentativa. Seu marido foi presidente entre 1995 e 2007,por dois mandatos consecutivos.

Bernadette Chirac em 1975 — Foto: AFP
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Jacques e Bernadette Chirac em 1976 — Foto: AFP
Figura central no poder político da França por três décadas,Jacques Chirac falou sobre Bernadette em livro de memórias lançado em 2009. Ele disse que tem um modo franco de falar "às vezes demasiado para o meu gosto". Mas que,na maior parte dos casos,ela tem razão. "Sua intuição,sua capacidade de escuta e seu sentido político,sua experiências em todos os meios,dos mais modestos aos mais fortunados,fazem com que ela tenha frequentemente razão antes de todo mundo,inclusive eu".
Outro livro,“Primeiras-damas”,de 2014,sobre a solidão das primeiras-damas francesas,garante que Bernadette foi infeliz no primeiro mandato do marido,mas soube encontrar seu lugar após a reeleição,em 2002.
— No início,Bernadette foi completamente descartada,por Jacques Chirac e pela filha,Claude. Mas,pouco a pouco,se impôs e se tornou uma mulher do poder. Nas últimas eleições presidenciais,como tinha uma procuração de Chirac,fez ele votar em Nicolas Sarkozy,um inimigo político do marido,mas amigo dela. Chirac ficou furioso,pois queria ter votado em Hollande — disse,à época do lançamento,o escritor e analista político francês Robert Schneider.
Ele dizia que “todas as primeiras-damas foram infelizes à sua maneira no Palácio do Eliseu”.

Bernadette Chirac,então presidente da Fundação Hospitais da França,posa ao lado de crianças no Hospital Pediátrico Robert Debré,em Paris,em 6 de janeiro de 1997 — Foto: Gerard FOUET / AFP
Nascida em 18 de maio de 1933 em Paris,Bernadette Chodron de Courcel cresceu em uma família de diplomatas. Aluna do Sciences Po Paris,foi nessa prestigiosa instituição que conheceu Jacques Chirac,com quem se casou em 1956.
Durante o primeiro mandato presidencial de Jacques Chirac (1995-2002),ela foi inicialmente relegada a um segundo plano. Antes de desempenhar um papel fundamental na reeleição do marido em 2002,tornou-se muito popular entre os franceses,principalmente como líder da campanha "Pièces Jaunes" (Moedas Amarelas) em prol de crianças hospitalizadas,e como queridinha dos políticos de direita,que disputavam seu apoio nas eleições municipais e legislativas.

Bernadette Chirac em 1996 — Foto: Gerard FOUET / AFP
Com uma aparência clássica e burguesa,considerada muito mais conservadora que o marido e dotada de um sólido senso político,a mulher que ganhou o apelido de "Bernie" alertou Jacques Chirac em 1997 sobre o desastre de uma dissolução,que ela atribuiu ao então Secretário-Geral do Palácio do Eliseu,Dominique de Villepin,chamado de "Nero" em pequenos grupos.
O marido dela também relatou que ela foi a única a alertá-lo sobre a ascensão do líder da Frente Nacional,Jean-Marie Le Pen,durante a eleição presidencial de 2002.
"Ela é a mulher da minha vida,conquistamos tanto juntos!",disse Jacques Chirac sobre ela em suas "Memórias".
© Reportagem diária do entretenimento brasileiro