
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-líder do governo no Senado Jaques Wagner — Foto: Paula Fróes
GERADO EM: 01/07/2026 - 22:36
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O presidente Lula fez ontem um elogio ao senador Jaques Wagner (PT-BA),ex-líder do seu governo no Senado. Em viagem à Bahia,Lula o chamou de irmão,o abraçou e posou no palanque a seu lado,uma semana depois de ele deixar o posto. Com seu gesto,o presidente mostrou o que realmente acha das denúncias apresentadas pela Polícia Federal,envolvendo os favores prestados a Wagner por um empresário que manteve conexões com o Master: uma grande bobagem.
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Galego,como o senador é chamado por Lula,tinha razão,portanto,quando,semanas atrás,deu uma declaração dizendo achar que Lula não o demitiria e que o próprio presidente enfrentou problemas mais graves,como a prisão na Operação Lava-Jato. O abraço público dos dois ontem foi a comprovação de que Wagner sabia do que estava falando. No mérito,Lula não deu muita bola para as denúncias,e a preocupação dele sempre foi com o uso eleitoral delas pelos adversários.
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Nesse contexto,a demissão de Wagner ocorre como algo protocolar,cujo objetivo principal era estancar a crise e dar ao presidente discurso para responder quando confrontado sobre o assunto na eleição. Aliás,o próprio senador cantou essa bola,dando a entender que Lula não havia comprado muito a história da PF sobre os favores pedidos ao empresário. Em entrevista a Catia Seabra,da Folha de S.Paulo,depois da saída do cargo de líder,Wagner revelou que,no dia de sua demissão,Lula disse a ele que o “conhecia há 48 anos”,mas que agora teria de desmontar a “história” que “construíram” contra ele.
A postura de Lula em relação a Wagner descredibiliza as investigações da PF,ainda que elas não devam ser uma condenação prévia. A Justiça é quem dará a palavra final sobre se houve corrupção no pedido de Wagner ao empresário para que ele comprasse um apartamento de R$ 2,4 milhões para a filha do senador. Mas,uma vez que Wagner já está fora mesmo da liderança do governo e que a crise parece um pouco mais estancada,o mais conveniente para Lula agora foi ignorar as denúncias contra o aliado e tentar ajudar na reeleição dele ao Senado.


Além disso,assim como a maioria dos políticos brasileiros,Lula tende a normalizar as relações entre público e privado. Casos potenciais de corrupção são tratados pela nossa classe política como simples demonstração de amizade. Ninguém compra apartamento para filha de senador só para ser boa gente. Assim como nenhum empresário banca filme sobre vida de político pelo interesse no cinema nacional. Quando Daniel Vorcaro atende ao pedido do pré-candidato do PL à Presidência,Flávio Bolsonaro,e paga milhões para,como foi alegado,produzir “Dark Horse”,também age em troca de acesso ou blindagem.
Na nossa cultura política,o anormal é viajar em voo comercial ou ter de pegar financiamento imobiliário no banco para comprar um apartamento para a filha. Os favores privados fazem parte do jogo,e quem cobra prestação de contas sobre isso está a serviço dos adversários políticos. Ao abraçar Galego no palanque,Lula não deu só uma demonstração de amizade em relação a ele. Deixou claro que também considera ter havido uma “patacoada” da PF,expressão usada por Wagner em relação à operação de que foi alvo.
© Reportagem diária do entretenimento brasileiro