
Maurício Silva Knoploch dos Santos,diretor do Instituto Rio Metrópole — pai do deputado Alexandre Knoploch—,preso em operação do MPRJ e da Polícia Civil — Foto: Reprodução / TV Globo
GERADO EM: 09/07/2026 - 22:38
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Durante as investigações do Ministério Público do Rio (MPRJ) sobre o desvio de recursos públicos do Instituto Rio Metrópole (IRM),promotores encontraram um caso de nepotismo envolvendo a família do deputado estadual Alexandre Knoploch (PL) — que não foi alvo da operação. Os denunciados são o pai do parlamentar,Maurício Silva Knoploch dos Santos,e a cunhada dele,Amanda Íthala Santos da Paschoa. Ambos foram presos na manhã desta quinta-feira (09/07). De acordo com a denúncia do MPRJ,entre julho de 2022 e maio de 2026,o esquema movimentou R$ 86,28 milhões.
Fraudes no Rio:Presidente de autarquia do Governo do Estado é preso em operação sobre desvio de R$ 86 milhões'Rio chegou ao fundo do poço e descobriu que ainda havia uma caixa de gordura',diz juiz sobre desvio de verbas públicas
Maurício atuava como diretor de Planejamento e Projetos do IRM e integrava a Comissão Técnica de Licitação. Segundo o Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal (Gaesf),do MPRJ,ele se encarregava de direcionar as licitações em favor das empresas contratadas. Sua função era coordenar o planejamento estratégico e elaborar estudos e projetos metropolitanos.
A denúncia do MPRJ apontou ainda que a nora de Maurício,Amanda Paschoa,ocupava cargo comissionado no IRM desde 2020. Para o Ministério Público,o vínculo familiar — citado como "favorecimento indevido na ocupação de função pública estratégica" — entre os dois "viola expressamente" o decreto que proíbe o nepotismo na administração pública estadual.

Polícia Civil e Ministério Público prendem Amanda Íthala Santos da Paschoa,cunhada do deputado Alexandre Knoploch — Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo
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O procurador-geral de Justiça do Rio,Antonio José Campos Moreira,afirmou em entrevista coletiva que,até o momento,não há qualquer indicativo de participação direta ou indireta de Alexandre Knoploch no esquema.
— Há hoje,no estado,um ambiente singular,com a chefia do Poder Executivo transitoriamente exercida pelo presidente do Tribunal de Justiça,desembargador Ricardo Couto,um magistrado de carreira. Isso tem possibilitado uma atuação integrada,mas com absoluta independência entre as instituições,no sentido de investigar crimes e atos de improbidade administrativa — afirmou.
Na denúncia do Gaesf,consta que o Instituto Rio Metrópole foi capturado por uma organização criminosa e transformado em uma máquina de desvio de dinheiro público. Segundo a acusação,presidente,diretores,procurador e servidores ocuparam cargos estratégicos para fraudar licitações,dar aparência de legalidade aos contratos,impedir a fiscalização e garantir o fluxo de recursos desviados,convertendo uma autarquia estadual criada para planejar políticas públicas em um "instrumento de enriquecimento privado".
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Em sua decisão,que decretou a prisão dos seis denunciados,o juiz da 1ª Vara Criminal Especializada em Organização Criminosa,Marcello Rubioli,foi incisivo: "O Estado do Rio de Janeiro chegou ao fundo do poço e descobriu que ainda havia uma caixa de gordura".
Em suas redes sociais,o deputado Alexandre Knoploch saiu em defesa de sua família. Ele conta que foi surpreendido com a prisão do pai e da cunhada:
"Primeiro eu gostaria de dizer que eu recebi com surpresa,hoje,essa questão da operação no Instituto Rio Metrópole,e que inclusive,está envolvido meu pai e minha cunhada. E por que eu digo que eu estou surpreso? Porque meu pai está lá desde 2019,ou seja,não foi uma indicação minha,para vocês terem uma ideia,aquilo lá era ainda,se não me engano,Câmara Metropolitana,e foi nomeado pelo ex-governador antes do Cláudio Castro,o governador (Wilson) Witzel,e ele permaneceu lá". (sic)
Procuradas,as defesas de Maurício e Amanda não se manifestaram até a publicação desta reportagem.
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