
Ex-presidente Jair Bolsonaro ao lado dos generais Hamilton Mourão e Walter Braga Netto,escolhidos para a vice nas chapas presidenciais de 2018 e 2022,respectivamente — Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo e Pablo Jacob/ Agência O Globo
GERADO EM: 21/07/2026 - 21:20
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Indefinida em função da dificuldade de costurar alianças com os partidos do Centrão neste ano,a escolha de vice na chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se assemelha ao cenário vivido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em 2018. Na época,ele chegou à convenção nacional do PSL sem o companheiro de chapa definido e anunciou o general Hamilton Mourão de última hora,depois de descartar a aposta na advogada Janaina Paschoal. Quatro anos depois,o mandatário mudou de estratégia,optando por deixar de fora o escolhido no passado e anunciar antecipadamente o general Walter Braga Netto para o posto.
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No ano em que Bolsonaro concorreu ao Planalto pela primeira vez,Janaina Paschoal foi,durante a pré-campanha,o principal nome considerado para a vaga,era a advogada. Ela chegou a ser recebida na convenção nacional do partido aos gritos de "vice" no instante em que foi anunciada no palco,apesar de não ter tido o nome oficializado. Conhecida como autora do processo que resultou no impeachment contra a ex-presidente Dilma Rousseff (PT),ela fez um discurso defendendo a pluralidade de opiniões entre apoiadores de Bolsonaro e mencionando o risco do grupo político se tornar "um PT ao contrário".
– Não se ganha a eleição com pensamento único. Não se governa uma nação com pensamento único. Essa parte é muito importante: os seguidores,muitas vezes,do deputado Jair Bolsonaro têm uma ânsia de ouvir um discurso uniformizado. Pessoas só são aceitas quando pensam exatamente igual nas mesmas coisas. Reflitam se nós não estamos correndo risco de fazer um PT ao contrário – disse.
O comentário desagradou militantes e aliados do então deputado,que passaram a desconsiderá-la para a vaga nos bastidores e articular a indicação de outros nomes dentro do PSL,como o astronauta Marcos Pontes,o deputado federal Marcelo Álvaro e o "príncipe" da família real brasileira Luiz Philippe de Orleans e Bragança. O escolhido por Bolsonaro para o posto,no entanto,foi o general da reserva Hamilton Mourão,na época no PRTB e presidente do Clube Militar. Ele foi anunciado durante a convenção do diretório do PSL em São Paulo no dia 5 de agosto,data-limite fixada pela Justiça Eleitoral para a realização dos encontros entre correligionários para a escolha dos candidatos. Na véspera,Janaína também anunciou que havia negado o convite para o posto.
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Janaína Paschoal e Jair Bolsonaro em convenção nacional do PSL em 2018 — Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil/
Durante a gestão de Bolsonaro,Mourão acumulou atritos com o presidente e perdeu espaço no círculo mais próximo de aliados do ex-mandatário,sendo preterido por Braga Netto,general e então ministro da Defesa,para a vice na chapa presidencial em 2022. O anúncio do escolhido foi formalizado no final de junho,quase um mês antes da convenção nacional do PL. Àquela altura,também estavam desenhadas as alianças do partido com União Brasil e o Republicanos,que endossaram oficialmente a candidatura à reeleição de Bolsonaro em julho.
O quadro contrasta com a situação enfrentada hoje por Flávio Bolsonaro para montar sua coalizão. Neste ano,o União,agora federado ao PP,tende a declarar neutralidade na disputa nacional. Integrantes do grupo político admitem que é possível haver a declaração de apoio de alguns líderes locais a Flávio,mas somente em estados em que candidatos bolsonaristas aparecem como favoritos ou fortemente competitivos para a eleição de governador,como em São Paulo,Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Já no Rio de Janeiro,berço político do próprio Flávio,há uma tendência de recuo de uma aliança entre o União Progressista e o PL.
Por trás do distanciamento,membros da federação afirmam que a relação de proximidade entre Flávio e Daniel Vorcaro,protagonista do escândalo de fraude financeira do banco Master,afastou um apoio dos partidos ao pré-candidato do PL. O presidente do PP,Ciro Nogueira,que já foi alvo de operação da Polícia Federal que investigou o uso de seu mandato para beneficiar Vorcaro,se queixou a aliados da forma como Flávio tratou o episódio,na tentativa de se afastar do caso.
Já com o Republicanos,aliados de Flávio consideram que ainda há uma porta aberta para a negociação,que poderá incluir a indicação do vice na chapa presidencial pelo partido. Mesmo assim,o presidente do partido,Marcos Pereira,tem indicado pessimismo com a aliança e aponta dificuldades no apoio do PL a candidatos do Republicanos a governadores,condição colocada como essencial para um acordo nacional. Pereira também quer que o PL abra mão de candidaturas em Mato Grosso e Roraima para haver apoio ao seu partido ao nível nacional.
© Reportagem diária do entretenimento brasileiro