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Mortes violentas subiram 61% em áreas da Zona Sudoeste do Rio disputadas por facções do tráfico e milícias

Aug 13, 2026 estilo de vida saudável IDOPRESS

Guerra entre tráfico e milicia em Rio das Pedras apavoram moradores — Foto: Custódio Coimbra

Grupos criminosos também são responsáveis por vítimas na Zona Sudoeste esta semana,principalmente em Jacarepaguá. Anteontem,no bairro Tanque,vizinho da Taquara e da Praça Seca,traficantes ligados ao Comando Vermelho teriam atirado contra um automóvel na Estrada do Cafundá. Segundo a Polícia Militar,três homens estavam dentro dele: dois morreram,e o outro,ferido,foi levado para o Hospital Municipal Lourenço Jorge — contra ele havia mandados de prisão em aberto por receptação e posse ilegal de arma de fogo. A suspeita é de que eles integravam uma milícia local.

Criança é ferida durante operação policial,e protesto fecha Rua São Francisco Xavier e Avenida Rei Pelé,na MangueiraFonoaudióloga baleada em ônibus,em Vicente de Carvalho,passou por quatro horas de cirurgia e foi levada para CTI

No veículo,agentes do 18º BPM (Jacarepaguá),acionados para a ocorrência,encontraram uma pistola calibre 40,nove carregadores de fuzis,dois carregadores de pistolas,um carregador tipo “goiabada” (em formato de tambor),214 munições de diferentes calibres,uma luneta,dois rádios comunicadores e um telefone celular. O carro,inclusive,constava como roubado. Confrontos como esse se repetiram em outros locais naquele mesmo dia.

Em Rio das Pedras,no Itanhangá,único bairro da região ainda chefiado por milicianos,outros agentes do 18° BPM foram chamados ao Lourenço Jorge para verificar a entrada de um homem baleado por lá. Informações iniciais contextualizaram a situação: ele foi ferido em um confronto entre grupos rivais nessa comunidade. A PM,no entanto,não detalhou se ele estava ou não envolvido no conflito.

Dados da plataforma colaborativa Fogo Cruzado mostram que,de 1º de janeiro deste ano até ontem,mil pessoas foram baleadas na Região Metropolitana. Dessas,537 morreram. O número abrange todo tipo de vítima,inclusive crianças: foram três mortas e cinco feridas no período. O levantamento revela uma certa estabilidade no registros com 1.010 baleados no ano passado.

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Cerco oficial

A situação em Rio das Pedras motivou até uma “ordem” nesse batalhão. Um documento de 10 de agosto revela um esquema operacional específico para “assegurar a ordem pública” no bairro. Por meio dele,os policiais militares têm permissão para agir de forma preventiva ou repressiva,da manhã à madrugada. A ação,chamada de “Cerco Rio das Pedras”,começou no dia 11 e reforça o policiamento em 10 ruas,incluindo a Araticum. Em 2023,ela ficou conhecida como “Rua da Morte” por ter sido cenário de 17 execuções em 46 dias — todas consequência da atuação do Comando Vermelho,que tenta,ao menos desde 2022,tomar essa região da milícia.

A atuação,na verdade,é um projeto expansionista,como revelou o GLOBO em uma série de reportagens em 2024. A partir de dados do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos (Geni) da UFF e da Polícia Civil,mostrou-se que a facção financiou e articulou dezenas de ataques em 2022. Só em Jacarepaguá,19 comunidades de 14 bairros diferentes,antes dominadas por milícias,foram tomadas pelo CV. O interesse vai além da ampliação de bocas de fumo: os traficantes,assim como a milícia em sua gênese,lucram com os territórios,seja com a venda de gás e pacotes de internet,por exemplo,ou com a exploração do mercado imobiliário.

O 18º BPM também foi destinatário de uma solicitação em “caráter de urgência”,no dia 6 de agosto. Feito por uma sociedade filantrópica,o ofício denunciava a vulnerabilidade e degradação da Rua Cônego Felipe,na Taquara. Em especial,a entidade reclamava da degradação da pavimentação (“o asfalto se encontra severamente danificado,dificultando o trânsito seguro de veículos e pedestres”); do deficit de iluminação pública (“pontos de extrema escuridão durante o período noturno,sendo um facilitador para ações criminosas”); e da insegurança e violência (“como consequência direta do cenário de abandono estrutural,a criminalidade encontrou terreno fértil na rua”). Como exemplo,citavam que um colaborador foi assaltado à mão armada nela este mês.

Segundo dados do Instituto de Segurança Pública,a letalidade violenta na região do 18° BPM,ou seja,o somatório de homicídios dolosos,latrocínios,lesões corporais seguidas de morte e de mortes por intervenção de agentes do Estado,aumentou 61% em relação a 2025. Até junho deste ano,foram 124 mortes,enquanto o acumulado no mesmo período anterior foi de 77 vítimas. Esse batalhão é responsável pelos bairros Vila Valqueire,Praça Seca,Tanque,Anil,Cidade de Deus,Curicica,Gardênia Azul,Jacarepaguá,Taquara,Freguesia e Pechincha. As apreensões de drogas também cresceram nesse mesmo período: foram 151 até agora,contra 81 no ano passado.

Disputas simultâneas

Além das investidas em Rio das Pedras,o Comando Vermelho também age sobre favelas das Vargens e do Terreirão,no Recreio,assim como em Cordovil,na Zona Norte,e nos bairros de Campo Grande e Guaratiba,na Zona Oeste. Há ainda uma disputa por comunidades no Andaraí,na Zona Norte. Os adversários são ora a milícia,ora integrantes do Terceiro Comando Puro.

Segundo a Polícia Civil,o controle sobre essas regiões possibilita à facção se locomover por comunidades da Região Metropolitana para ter acesso aos portos de Itaguaí e do Rio,e à Baía de Guanabara. O principal responsável por essas expansões,como explica a secretaria,é Edgar Alves de Andrade,o Doca ou Urso,integrante da cúpula da facção. Ele é alvo de 45 mandados de prisão expedidos pelo Tribunal de Justiça,de acordo com o Conselho Nacional de Justiça.

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