
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro,lado a lado,em manifestação na Esplanada dos Ministérios,em Brasília,em outubro de 2025 — Foto: Breno Carvalho/Agência O Globo
Depois de um esforço de meses dos aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nos bastidores,a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro aceitou fazer as pazes com o enteado. De acordo com fontes ligadas aos dois,Michelle fará um “gesto de pacificação”,manifestando apoio público à candidatura de Flávio a presidente em suas redes sociais.
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Michelle vinha se recusando a declarar apoio ao filho “zero um” de Jair Bolsonaro e isso preocupava aliados de Flávio,que apostam na madrasta para vencer a resistência no eleitorado feminino,em que o senador aparece em desvantagem em relação ao presidente Lula nas mais recentes pesquisas de intenção de voto.
“Deu muito trabalho,mas ela finalmente aceitou que ninguém tem nada a ganhar com essa briga”,diz um aliado de Michelle e de Flávio que se empenhou na pacificação.
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Michelle estava rompida com Flávio desde novembro do ano passado,quando criticou publicamente a aliança do bolsonarismo com Ciro Gomes (PSDB) no Ceará,articulada pelo deputado federal André Fernandes (PL-CE). Ao participar do lançamento da pré-candidatura ao governo do senador Eduardo Girão (Novo),ela chamou a articulação com o tucano de precipitada,causando mal estar no partido.
Depois disso,Flávio desautorizou Michelle publicamente,dizendo que a madrasta foi “autoritária” e “atropelou o próprio presidente Bolsonaro”,que tinha autorizado o movimento do deputado.
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Flávio se desculpou depois com a madrasta,mas em privado. Ela queria desculpas públicas,mas ele não topou,e o impasse vinha perdurando até agora.
Por isso,embora tenha concordado em fazer uma manifestação pública de apoio,ela ainda não garantiu que vá se engajar no dia-a-dia da campanha,pelo menos por enquanto.
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Além de ainda estar magoada com Flávio,a ex-primeira dama ainda tem se ocupado com os cuidados de saúde do marido,Jair Bolsonaro,uma vez que o ministro Alexandre de Moraes,do STF,não autorizou a atuação de um cuidador. O ex-presidente toma medicações seis vezes por dia e ainda precisa ter as roupas e o banheiro de casa esterilizados para afastar o risco de infecções.
“Michelle está exausta e se acontecer algo com Bolsonaro,os filhos vão tentar jogar a culpa nela”,afirmou ao blog um aliado da ex-primeira-dama.
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Caso consiga autorização para ter ajuda no cuidado de Bolsonaro,Michelle poderá cuidar da própria campanha ao Senado pelo Distrito Federal,onde é dada como certa a sua vitória para uma das duas vagas que estão em disputa,e aí então participaria de eventos com Flávio.
A pacificação com Michelle faz parte de uma estratégia dos articuladores próximos de Flávio para vencer resistência dentro do próprio bolsonarismo. Além da ex-primeira-dama,o governador de São Paulo,Tarcísio de Freitas,também foi alvo de um esforço concentrado de alguns aliados.
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Nos dois casos,há muita mágoa também com os outros filhos de Jair Bolsonaro,como Eduardo,que fez ataques a Tarcísio nas redes sociais em vários momentos,classificando o governador como adversário que tentava minar a força do clã.
Há ainda o fato de que Tarcísio foi cogitado dentro e fora do bolsonarismo como candidato à presidente,pretensão que Jair Bolsonaro não avalizou. Em outubro,ele vai disputar a reeleição para o Palácio dos Bandeirantes.
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Numa eventual candidatura do governador paulista,Michelle seria candidata à vice. De acordo com uma influente liderança evangélica que acompanhou o processo de perto e pediu para não ser identificada,Michelle tem “mágoa por não ter sido escolhida vice”.
“A relação de Michelle com os filhos sempre foi difícil. Eles se odeiam. É a disputa pelo espólio político de alguém que ainda não morreu”,resumiu um integrante da tropa de choque bolsonarista no Congresso.
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Por enquanto,pelo menos,a madrasta e os enteados fizeram uma trégua em nome do projeto eleitoral. Se essa paz vai ser duradoura,só o tempo vai dizer.
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