
Colagem: De Luigi Mangione (E) a Cole Allen (D),casos recentes têm levado especialistas a apontar uma mudança no padrão dos suspeitos de ataques políticos violentos nos EUA — Foto: Departamento de Justiça dos Estados Unidos / AFP
GERADO EM: 29/04/2026 - 18:36
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Uma nova geração de suspeitos de ataques políticos violentos nos Estados Unidos tem chamado a atenção de especialistas por fugir do perfil historicamente associado a esse tipo de crime,segundo o Wall Street Journal. Em vez de indivíduos com histórico de fracasso escolar ou isolamento social extremo,casos recentes envolvem jovens com trajetórias acadêmicas de destaque — alguns formados em instituições de elite e com desempenho excepcional. De Luigi Mangione,acusado de matar o CEO da UnitedHealthcare,a Cole Allen,investigado por tentar assassinar o presidente americano,Donald Trump,durante um evento em Washington,os episódios apontam uma mudança no padrão dos agressores.
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— Estamos vendo um novo tipo de indivíduo,alguém que poderia ter seguido uma carreira de destaque,mas que passa a enxergar a violência como uma missão — afirma Mary Ellen O’Toole,ex-perfiladora do FBI e atual diretora de um programa de ciências forenses na George Mason University. Para ela,trata-se de uma “evolução” no perfil dos autores de ataques.
Ao longo das últimas décadas,episódios de violência em massa nos EUA estiveram frequentemente ligados a jovens que enfrentavam dificuldades em estudos,carreira ou relações pessoais,muitas vezes motivados pelo desejo de notoriedade. Agora,segundo especialistas,parte dos novos casos está mais associada a motivações ideológicas.


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— Esses indivíduos não buscam apenas atenção,mas tentam impor uma visão de mundo ou provocar debate público por meio da violência — explica Russell Palarea,presidente da empresa Operational Psychology Services.
Allen,por exemplo,se formou no Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) e concluiu um mestrado em ciência da computação. Antes do ataque,ele teria enviado a familiares um documento estruturado como um trabalho acadêmico,com argumentações e respostas a possíveis críticas — um indício,segundo analistas,de planejamento racional e motivação ideológica.

Cole Tomas Allen — Foto: Reprodução / Rede Social
Apesar do alto nível intelectual,esses perfis não estão imunes a influências externas. Especialistas apontam o papel de comunidades online que reforçam visões extremas. Palarea descreve o surgimento do que chama de “Luigisfera”,redes digitais em que indivíduos compartilham frustrações e acabam radicalizando suas crenças.
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O caso de Mangione ilustra esse fenômeno. O jovem,que estudou na Universidade da Pensilvânia e concluiu graduação e mestrado em quatro anos,demonstrava interesse pelos escritos de Ted Kaczynski,conhecido por ataques com bombas motivados por críticas ao avanço tecnológico. Após o crime,ele passou a ser citado e até admirado em fóruns online.

Luigi Mangione em audiência nesta segunda-feira no Tribunal de Nova York — Foto: STEVEN HIRSCH / POOL / AFP
Referências a Mangione já apareceram em outros episódios recentes. Um estudante acusado de atacar a residência do CEO da OpenAI mencionou a ideia de “fazer um Luigi” contra executivos de tecnologia. Em outro caso,um homem investigado por incêndio criminoso também citou o nome do jovem.
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Outros suspeitos com histórico acadêmico de destaque incluem Tyler Robinson,acusado de matar o ativista conservador Charlie Kirk,e Thomas Crooks,morto após supostamente tentar assassinar Trump.
Embora exceções já existissem,como Ted Kaczynski,especialistas afirmam que o número de casos recentes sugere uma tendência mais ampla. Entre as hipóteses estão o aumento da polarização política,o crescimento de sentimentos antiestablishment entre jovens e a ampliação de diagnósticos de transtornos mentais.
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Estudos indicam que,em média,criminosos tendem a apresentar níveis de QI mais baixos do que a população geral. Ainda assim,segundo o psicólogo forense J. Reid Meloy,a violência costuma estar ligada a impulsos emocionais,como raiva ou medo,o que torna esses novos casos ainda mais difíceis de compreender.
Para investigadores,o ponto central é que inteligência não impede radicalização. Pelo contrário,em alguns casos,pode contribuir para que indivíduos construam justificativas mais elaboradas para seus atos.
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Familiares e amigos frequentemente relatam surpresa diante das acusações,descrevendo jovens com trajetórias promissoras. Mas,segundo O’Toole,os próprios autores não veem suas ações como destrutivas.
— Na cabeça deles,não estão jogando a vida fora,mas cumprindo algo que acreditam ser único e necessário — afirma.
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