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Senador Flavio Bolsonaro (PL-RJ) — Foto: Cristiano Mariz /Agência O Globo

RESUMO

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GERADO EM: 20/04/2026 - 22:52

Lula e Flávio Bolsonaro: Estratégias Divergentes na Corrida Presidencial

Lula e Flávio Bolsonaro,favoritos na corrida presidencial,adotam estratégias opostas. Lula,expansivo,usa sua experiência e posição para fortalecer sua imagem,enquanto Flávio mantém discrição,explorando o contraste de idade e a relação com Trump. Ambas campanhas enfrentam desafios de rejeição e mudanças no cenário político,onde a direita ganha força e a esquerda luta para se adaptar ao mundo digitalizado.

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Os dois candidatos favoritos nas pesquisas eleitorais para a Presidência da República,o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro,apresentam comportamentos distintos neste começo de campanha. O segundo não fala nada,joga em sua zona de conforto,só vai aonde sabe que será bem acolhido. Lula fala pelos cotovelos,como de hábito,e aproveita a permanência no cargo para explorar sua imagem pública. Ao não se expor muito,Flávio preserva a vantagem competitiva e explora o contraste entre um homem de 44 anos e um idoso de 80,mesmo que este aparente um bom vigor físico e o exiba nas redes sociais.

Lula tem a vantagem da experiência política e da visibilidade internacional. Flávio pretende explorar a relação da família com os Trump,mesmo que as relações conturbadas com o Brasil possam interferir na aceitação de parte do eleitorado. O presidente brasileiro parece estar querendo acirrar as divergências com o governo americano para ganhar a primazia da defesa nacional contra os interesses do imperialismo. No episódio das tarifas,o Brasil saiu-se bem nesse papel,e a família Bolsonaro perdeu o apoio de parte de eleitores de centro-direita por ter incentivado a taxação aos produtos brasileiros como maneira de pressionar o governo pela soltura do ex-presidente Jair Bolsonaro da cadeia.

Não deu certo a artimanha e,naquela ocasião,Trump desinteressou-se pelos “perdedores” brasileiros,aproximando-se de quem via como “vencedor”,Lula. Como Trump tem temperamento mercurial,está de novo às voltas com as críticas de Lula,que aumenta o tom à medida que a campanha ganha forma e que o próprio Trump aumenta a dose de loucura de sua política externa.

Num país católico como o Brasil,sempre será bom defender o Papa na disputa com Trump. Bolsonaro filho não poderá fazer isso,pelo menos com a mesma ênfase de Lula,pois está cada vez mais próximo dos evangélicos. Não há promessas a ser cumpridas pelos dois,apenas críticas mútuas. Lula está no poder pela terceira vez (e teve a maior responsabilidade pela reeleição da presidente Dilma),e o senador Bolsonaro tenta a retomada carregando o nome da família. Os dois têm legados a defender,mas lutam contra a rejeição que os persegue desde a eleição de 2022,que,como a deste ano,foi a escolha do candidato menos pior.

O fato de os eleitores tendam mais a votar nos candidatos da direita,mesmo que o líder extremista Jair Bolsonaro esteja na cadeia,reforça a ideia de que a esquerda brasileira tem perdido a hegemonia no eleitorado e reflete a situação política mundial,diante da aceleração das desigualdades sociais que a digitalização internacional evidenciou. O PT e as esquerdas não se adaptaram a este novo mundo,em termos nacionais,está controlado pelos influencers de direita ou conservadores.

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Lula vive do passado,Flávio tenta refletir o futuro,mesmo que,na teoria,o progressista seja o primeiro,e conservador o Bolsonaro. Como o eleitorado brasileiro sempre foi majoritariamente conservador,esse nicho,hoje ocupado por Flávio,já foi de Lula quando ele se dispunha a fazer o papel de um político de centro-esquerda para enfrentar o PSDB,legítimo representante da social-democracia. Uma parte dos eleitores tucanos passou de armas e bagagens para a direita.

Nas eleições presidenciais que PT e PSDB disputaram,os tucanos tiveram a maioria no primeiro turno em duas e perderam as outras por média de 40% a 60% no segundo turno. Na disputa de 2018,com Lula fora do páreo,na prisão,a proporção de 60% a 40% praticamente inverteu-se a favor da direita. Na eleição seguinte,com a disputa entre os dois grandes líderes populares do país,a diferença a favor de Lula foi de pouco mais de 1,5%,menor que os menos de 3% na derrota de 2014 de Aécio para Dilma. Isso demonstra que sempre houve potencial forte de antipetismo,que cresceu nos últimos anos quando o eleitorado foi chamado a expor suas ideias conservadoras sem receio.

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