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Mistério resolvido? Cataratas de Sangue da Antártida escondem vestígios de antigo mundo marinho sob o gelo

Aug 5, 2026 Música IDOPRESS

Cascatas de sangue na Antártida — Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

Você já se perguntou por que uma cachoeira vermelha escorre em um dos lugares mais frios do planeta? Um estudo publicado nesta segunda-feira (3) na revista Nature Geoscience trouxe a evidência mais robusta até agora para explicar o mistério das Cataratas de Sangue,na Antártida: a água salgada que emerge sob a geleira Taylor abriga descendentes de antigos microrganismos marinhos isolados sob o gelo há centenas de milhares de anos.

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A pesquisa analisou 167 amostras de água,sedimentos,gelo e ar coletadas nos Vales Secos de McMurdo e identificou,por meio de sequenciamento de DNA,milhares de microrganismos vivendo no local. Segundo os autores,espécies típicas do ambiente marinho,como diatomáceas,haptófitas,dinoflagelados e ciliados,permanecem preservadas no sistema subterrâneo alimentado por salmoura rica em ferro. No artigo,os pesquisadores descrevem a região como "um raro refúgio marinho no deserto polar".

Assista:

Evidências de um antigo oceano sob o gelo

A descoberta reforça a hipótese de que a água avermelhada teve origem no mar antes de ficar aprisionada pelo avanço da geleira. Os cientistas constataram que 9,34% dos microrganismos encontrados nas Cataratas de Sangue também estavam presentes em amostras oceânicas próximas,percentual muito superior ao registrado em outras áreas dos Vales Secos da Antártida. Para a equipe,essa forte assinatura biológica dificilmente poderia ser explicada apenas pelo transporte de microrganismos pelo vento.

A coloração vermelha,que tornou o fenômeno famoso,é resultado da oxidação da água extremamente salgada e rica em ferro quando ela entra em contato com o oxigênio da atmosfera. Apesar da temperatura em torno de -7°C,a elevada concentração de sal impede o congelamento completo da água,permitindo que ela continue fluindo sob a geleira.

Montagem da cascata de sangue — Foto: Reprodução/Instagram

Os pesquisadores também verificaram que muitos desses microrganismos permanecem biologicamente ativos. As análises genéticas indicam que eles ainda realizam processos como fotossíntese,reparo celular e mecanismos de resposta ao estresse para sobreviver às condições extremas. Algumas espécies,segundo o estudo,conseguem entrar em estado de dormência até que o ambiente volte a ser favorável.

Descobertas inicialmente em 1911 pelo geólogo australiano Griffith Taylor,as Cataratas de Sangue têm cerca de cinco andares de altura e ficam na região dos Vales Secos de McMurdo,uma das áreas mais frias e áridas da Terra. Para os cientistas,esse ecossistema preservado oferece uma oportunidade única de reconstruir a história geológica da Antártida e compreender como formas de vida resistem a mudanças climáticas extremas ao longo de centenas de milhares de anos. Além disso,o estudo ajuda a esclarecer a evolução das geleiras do continente,que concentram cerca de 70% da água doce do planeta e desempenham papel fundamental na regulação do nível dos oceanos e do clima global.

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