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Com fracasso nas negociações sobre novas tarifas de Trump, Canadá promete retaliar ‘dólar por dólar’

Aug 22, 2026 Música IDOPRESS

O presidente dos EUA,Donald Trump (à direita),conversa com o primeiro-ministro do Canadá,Mark Carney (à esquerda),enquanto a primeira-dama Melania Trump observa,antes da final da Copa do Mundo de futebol de 2026 entre Espanha e Argentina,em East Rutherford,Nova Jersey,julho de 2026 — Foto: Foto de Mandel NGAN / AFP

Negociações comerciais cruciais entre Estados Unidos e Canadá para evitar novas tarifas punitivas do governo Trump sobre produtos canadenses importados pelos americanos fracassaram no fim da noite de sexta-feira.

Com a imposição de novas sobretaxas pelo governo de Donald Trump,o Canadá afirmou que retaliará “dólar por dólar”.

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O primeiro-ministro canadense,Mark Carney,disse ter decidido suspender as negociações porque o lado americano apresentou,na última hora,condições que eram “injustas,antieconômicas e colocavam em dúvida a confiabilidade de qualquer acordo”.

O primeiro-ministro do Canadá,Mark Carney — Foto: ANGELA WEISS / AFP

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Ele acrescentou que as negociações,que vinham ocorrendo havia semanas e se intensificaram nos últimos dias,haviam registrado avanços importantes,mas,no fim,“não foram suficientes para atingirmos nossos objetivos para os canadenses”.

Greer: rompido 'delicado equilíbrio'

O representante de Comércio dos Estados Unidos,Jamieson Greer,disse a jornalistas que o Canadá havia abandonado a mesa de negociações minutos antes do prazo para a entrada em vigor de novas tarifas de 50% impostas pelo governo Trump a uma ampla gama de produtos canadenses.

— Nesta noite,o Canadá se recusou a concluir o acordo comercial nos termos acertados no início desta semana,apesar da oferta dos Estados Unidos para que o Canadá recebesse o tratamento mais favorável entre todos os grandes exportadores para o nosso mercado — disse Greer em uma coletiva virtual com a imprensa. — Novas exigências e recuos do Canadá em relação a outros compromissos romperam o delicado equilíbrio alcançado nos últimos dias.

Em vigor desde 0h01

Pouco antes da declaração de Greer à imprensa,a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos enviou orientações a importadores informando que os produtos canadenses identificados pelo presidente ficariam sujeitos às tarifas a partir das 0h01.

Porto de Vancouver,no Canadá: sociedade e empresas do país apoiam retaliações — Foto: Ethan Cairns / Bloomberg

Em conversa com jornalistas,um funcionário do governo americano afirmou que o Canadá queria concessões que os Estados Unidos não estavam dispostos a fazer,sobretudo no setor automotivo e no comércio de aço,alumínio e madeira serrada.

Canadá tem US$ 20 bi a defender

Se o Canadá de fato retaliar,disse o funcionário,o presidente Donald Trump receberá opções “para voltar a equilibrar as condições de competição”.

Em sua declaração,Carney afirmou que o Canadá retaliaria contra as novas tarifas,que,segundo os cálculos do governo americano,afetarão US$ 20 bilhões em exportações canadenses,“para proteger nossos trabalhadores e nossas empresas”.

De queijo a taco de hóquei

Além de tornar centenas de produtos canadenses,como queijos e tacos de hóquei,proibitivamente caros no mercado americano,as tarifas aprofundarão a ruptura de uma relação que já foi estreita entre os dois países — e que se deteriorou drasticamente desde que Trump voltou ao poder.

O republicano impôs tarifas ao Canadá e passou a propor repetidamente que o país fosse anexado aos Estados Unidos como o 51º estado. Juntamente com México,os dois países têm um acordo de livre comércio.

Série de reuniões de até dez horas

Negociadores dos dois lados passaram vários dias desta última semana confinados no escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos,em Washington,por até dez horas por dia,tentando acertar os detalhes do acordo que acabou fracassando.

Apenas algumas horas antes de os dois lados anunciarem a suspensão das negociações,Trump havia dito acreditar que seria possível chegar a um acordo com o Canadá. Na terça-feira,declarou que os dois países haviam chegado a um entendimento,restando apenas alguns detalhes,e prorrogou um prazo anterior que marcaria a entrada em vigor das novas tarifas.

Canadenses apoiam retaliação

Carney,porém,cumpriu a promessa de abandonar um acordo que considerasse insuficiente. Pesquisas indicam que muitos canadenses apoiam sua decisão. Uma sondagem recente do instituto Léger apontou que 56% dos entrevistados são contrários a novas concessões comerciais por parte do Canadá.

Sua decisão de deixar as negociações recebeu apoio imediato de Doug Ford,primeiro-ministro de Ontário,a província mais populosa do Canadá e sede da importante indústria automobilística do país.

— Enquanto lutamos para proteger a soberania e a segurança econômica do Canadá,tudo precisa estar sobre a mesa. Ontário está pronto para fazer a sua parte — afirmou Ford.

O que o Canadá tentou...

Além de tentar evitar as novas tarifas,o Canadá pretendia usar as negociações para reduzir — e,idealmente,eliminar — as tarifas de até 50% impostas por Trump ao aço,ao alumínio e aos automóveis do país. Os negociadores canadenses também esperavam obter algum alívio nas tarifas sobre madeira de coníferas,que remontam a décadas e foram ampliadas com novas sobretaxas impostas por Trump.

O lado americano queria que as oito províncias canadenses que haviam retirado vinhos e destilados americanos de seus sistemas estatais de distribuição de bebidas encerrassem os boicotes,adotados no ano passado em resposta à ofensiva comercial de Trump.

Os Estados Unidos também queriam que o Canadá eliminasse a tarifa retaliatória sobre automóveis americanos e alterasse as regras de entrada de produtos lácteos dos EUA no mercado canadense,fortemente regulado.

Nos últimos dias das negociações,parecia que o Canadá já havia se resignado a conseguir apenas reduzir,e não eliminar,as tarifas atuais.

Às vésperas das conversas de sexta-feira,várias pessoas dos dois países informadas sobre as negociações descreveram propostas americanas que ainda mantinham tarifas expressivas,embora menores,sobre os dois metais e os automóveis.

Segundo essas pessoas,o plano reduziria de 50% para 25% as tarifas sobre aço e alumínio. Mas apenas uma quantidade limitada de aço canadense poderia entrar com essa alíquota reduzida; o restante continuaria sujeito à tarifa de 50%.

No caso dos automóveis,disseram as fontes,a tarifa cairia de 25% para 15%,com ajustes de acordo com a participação de componentes fabricados nos Estados Unidos,que normalmente representam cerca de metade do valor de um veículo produzido no Canadá.

Executivos e analistas da indústria automobilística afirmaram que,mesmo assim,a produção no Canadá continuaria sem ser lucrativa,o que provavelmente condenaria as fábricas de montagem instaladas no país.

Embora a Suprema Corte tenha derrubado,em fevereiro,a maior parte das tarifas de Trump,tanto as sobretaxas do ano passado quanto as novas medidas contra o Canadá foram adotadas com base em outras leis comerciais que não foram abrangidas pela decisão.

O dispositivo legal usado por Trump para impor as novas tarifas de 50% ao Canadá,a Seção 338,deriva de uma lei de 1930 e nunca havia sido utilizado anteriormente. As tarifas poderão enfrentar contestações judiciais nas próximas semanas.

A notícia é ruim para consumidores e empresas dos dois lados da fronteira,alertou Candace Laing,presidente da Câmara de Comércio do Canadá.

— Isso será um duro golpe na competitividade da América do Norte nesta saga comercial autodestrutiva — afirmou. — Os americanos verão seus custos aumentarem,e os canadenses verão desaparecer clientes,investimentos e pequenas empresas.

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