
Live de Flávio Bolsonaro sobre participação em audiência promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos — Foto: Reprodução/YouTube
GERADO EM: 15/07/2026 - 23:22
O Irineu é a iniciativa do GLOBO para oferecer aplicações de inteligência artificial aos leitores. Toda a produção de conteúdo com o uso do Irineu é supervisionada por jornalistas.
CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO
A pesquisa Genial/Quaest divulgada ontem abre necessariamente um momento de reflexão no bolsonarismo e no próprio PL sobre a viabilidade da candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República. A pesquisa,amplamente favorável ao presidente Lula,tem sinais claros de queda acentuada nas preferências por Flávio,mesmo entre os evangélicos. O que facilita a permanência da candidatura do filho do ex-presidente é que nenhum candidato da direita se beneficiou da queda,restando ainda a esperança de que o aumento dos indecisos possa ser revertido ao longo da campanha. Lula abriu vantagem fora da margem de erro,e a queda da inflação,junto com o crescimento da economia — pequeno,mas persistente — leva uma situação de estabilidade à sua campanha.
O eleitor de direita que não é bolsonarista raiz não tem para onde correr,e poderia voltar no segundo turno. O fato de estar isolado como o único candidato que pode ser competitivo diante do presidente Lula dificulta a definição sobre uma eventual substituição,e mantém o senador do Rio como a escolha possível para a direita. No entanto,são grandes as chances de Flávio aparecer envolvido em novas confusões nas investigações tanto do Banco Master quanto do crime organizado que dominava a política do Rio até a intervenção branca do presidente do Tribunal de Justiça do estado,desembargador Ricardo Couto.
Ontem foi divulgada uma foto dele ao lado do Sicário,apontado pela Polícia Federal como responsável por planejar ataques contra adversários de Daniel Vorcaro. O gestual dos dois demonstra intimidade,sendo que Sicário,que morreu na cadeia,faz o gesto da “arminha” com as mãos,num apoio declarado ao bolsonarismo. A esperança de Gilberto Kassab de que o candidato de seu partido,o ex-governador Ronaldo Caiado,crescesse à medida que Flávio caísse nas pesquisas não se confirmou,por enquanto.
Ter Michelle Bolsonaro como companheira de chapa do PSD seria uma saída para a crise da direita,mas enquanto Flávio continuar confirmando que é o que tem mais votos,mesmo caindo,dificulta uma negociação,até mesmo por falta de outro candidato competitivo. O governador de São Paulo,Tarcísio de Freitas,a esta altura deve estar apreciando de longe a derrocada da família Bolsonaro,pois,pelo andar da campanha,ele deve se reeleger,até mesmo no primeiro turno,e Flávio deve perder. Com isso,cairá no colo dele a liderança da direita para a eleição de 2030,ficando os Bolsonaros confinados a um núcleo extremista que não terá peso na decisão final.
A direita poderá então assumir seu papel divergente em relação ao PT sem se perder nas provocações dos extremistas,e ampliando seu eleitorado para o centro,que é o que está fazendo o presidente Lula mais uma vez,para derrotar o bolsonarismo. A pesquisa Quaest mostra que num eventual segundo turno,todos os candidatos da direita perdem para Lula na mesma proporção,tirando de Flávio a vantagem teórica de ser o único que empatava tecnicamente com Lula. O eleitor que permanece na direita dá o mesmo peso para Caiado,Zema,Renan Santos ou Flávio,o que pode fazer com que,em próximas pesquisas,um desses apareça como a alternativa ao senador,se ele continuar a cair.
Continuar Lendo
Os independentes,que se tornaram indecisos diante dos permanentes escândalos envolvendo Flávio,podem ir para qualquer desses candidatos da direita,mudando o perfil da eleição. Nada indica,porém,até o momento,que isso vá acontecer,pois até agora tentaram diversas maneiras de reagir a Flávio sem dar certo. Caiado tentou mostrar-se equilibrado,evitando criticar o bolsonarismo. Zema foi agressivo contra Flávio. Renan Santos vende uma imagem de direita,um misto de Milei e Bukele,que assusta e atrai muitos eleitores.
Nenhuma estratégia dessas deu certo,e Flávio permanece como a alternativa,mas cada vez menos competitivo. Mesmo se não acontecer mais nada daqui para frente,sua fragilidade como candidato é evidente,e é possível prever que não será páreo para Lula nos debates,como seu pai foi.
© Reportagem diária do entretenimento brasileiro