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Tolerância Zero: programa que pretende colocar ordem na orla terá seu primeiro teste nesta sexta-feira

Jul 17, 2026 News IDOPRESS

Na véspera. Camelôs estendem panos com suas mercadorias no calçadão de Copacabana: fiscalização ostensiva começa hoje — Foto: Domingos Peixoto / Agência O GLOBO

RESUMO

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GERADO EM: 15/07/2026 - 22:56

"Rio Lança 'Tolerância Zero' para Combater Desordem e Comércio Ilegal"

O programa "Tolerância Zero" inicia nesta sexta-feira na orla do Rio,com 160 agentes para combater a desordem urbana e o comércio ilegal. A iniciativa surge após denúncias de tráfico e ocupação irregular,prometendo fiscalização intensa e patrulhamento ostensivo. Apesar de protestos de ambulantes,o plano visa ordenar o espaço público,com foco na segurança e organização,e inclui a criação de depósitos para comerciantes regularizados.

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Na noite do último dia 6,uma segunda-feira,as duas bicicletas paradas no Costão do Leme chamavam a atenção. Os ciclistas abriram,cada um,uma valise parecida com uma caixa de ferramentas. Nos compartimentos,nada de martelos ou alicates. Havia maconha,cocaína e comprimidos. Drogas são oferecidas sem cerimônia diante da falta de repressão. O tráfico acontecia a cerca de cem metros de um carro da Polícia Militar estacionado sobre o calçadão,colado à escadaria que dá acesso ao Caminho dos Pescadores Ted Boy Marino — nome oficial da via à beira-mar.

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No dia seguinte,o prefeito Eduardo Cavaliere anunciou uma política permanente de “tolerância zero”,justamente para o combate à desordem urbana na orla — incluindo a venda de drogas — do Leme ao Leblon. O programa,com início previsto para a 0h de hoje,levará 160 agentes a pontos estratégicos,para ordenar as atividades de comércio ambulante na orla. Esse efetivo permanecerá nas ruas 24 horas,dia a dia. O plano prevê 69 pontos de monitoramento.

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Protesto na Atlântica

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O desafio não é pequeno. Ontem,cerca de 300 vendedores se concentraram diante do Hotel Copacabana Palace e percorreram a Avenida Atlântica em direção ao Leblon. Duas pistas da via próxima aos prédios foram ocupadas pelos manifestantes,que carregavam faixas contra a medida anunciada pela prefeitura e batiam panelas. À noite,a balbúrdia foi festiva: o calçadão de Copacabana foi tomado por argentinos que comemoravam a vitória da seleção de seu país na Copa do Mundo e a presença garantida na grande final. Em meio à multidão,se destacavam carrocinhas e guarda-sóis que,em geral,abrigam ambulantes clandestinos atrás de clientela.

Manifestação. Ambulantes tomam a orla para protestar contra a medida — Foto: Domingos Peixoto / Agência O GLOBO

O programa da prefeitura foi adotado em meio a repetidas reclamações sobre o caos na orla,que inclui caixas de som nas alturas durante a madrugada,ocupação irregular do calçadão e expansão do comércio clandestino.

A julgar pelo flagrante de tráfico do último dia 6,o policiamento,sozinho,pode não ser a solução: deve ser acompanhado por atenção efetiva aos cantinhos da orla mais improváveis. O presidente da Sociedade Amigos de Copacabana,Horácio Magalhães,defende a fiscalização permanente,além de um trabalho de inteligência para identificar os locais onde ambulantes guardam seus carrinhos e mercadorias.

— Temos conhecimento da venda de entorpecentes na orla e no calçadão. A mim mesmo já foram oferecidos por supostos camelôs,três vezes,em uma breve caminhada pelo calçadão. O Tolerância Zero pode contribuir muito ao ordenar o espaço público,separando o joio do trigo,o regular do irregular — disse Horácio.

O comércio ilegal cerca barracas e quiosques licenciados,o que confunde turistas e cariocas. Também há risco embutido na venda de bebidas de origem duvidosa. A ocupação dos espaços destinados aos pedestres resulta em bagunça e pode provocar acidentes — carrocinhas de milho-verde com água fervente e churrasquinhos na brasa oferecem perigo evidente,por exemplo.

De acordo com a apresentação da prefeitura feita na semana passada,no anúncio do programa de Tolerância Zero,existem 22 depósitos clandestinos utilizados para dar suporte ao comércio irregular na orla. Segundo o levantamento feito pelo município,essa estrutura movimenta cerca de R$ 100 milhões por ano com aluguel de pontos de venda,depósitos e equipamentos. Estima-se,ainda,que 20% dos ambulantes irregulares sejam estrangeiros.

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O novo programa prevê atuação ininterrupta,24 horas por dia. Os pontos de controle buscam impedir a instalação de carrinhos,estruturas improvisadas e o abastecimento de mercadorias destinadas ao comércio ilegal.

Outra estratégia é o patrulhamento ostensivo,que buscará a apreensão de mercadorias sem comprovação de origem,além do combate aos depósitos clandestinos.

Como parte da estratégia do programa,a prefeitura publicou um decreto desapropriando dois imóveis que serão destinados exclusivamente aos ambulantes regularizados. Os prédios ficam na Rua Teixeira de Melo,95,em Ipanema,e na Rua Miguel Lemos,76,em Copacabana. Segundo Cavaliere,ambos estão desocupados e passarão a funcionar como depósitos públicos para equipamentos e mercadorias dos trabalhadores autorizados.

Agentes infiltrados

Em reportagens sobre a desordem na orla,O GLOBO mostrou que houve uma quebra do “pacto de não agressão” entre facções criminosas na disputa pela orla do Leme e de Copacabana.

A Secretaria estadual de Segurança Pública,que está dando apoio à Secretaria municipal de Ordem Pública (Seop),cuida da investigação dos casos de tráfico de drogas e das rixas entre os grupos rivais na praia. Levantamento feito pelos policiais aponta também a atuação de duplas de traficantes oferecendo,principalmente,maconha e skank. Os investigadores estão atuando infiltrados,filmando a atuação dos criminosos com auxílio de drones e câmeras escondidas,a fim de identificá-los e fundamentar os inquéritos.

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