
Integração de sistemas de dados está na vanguarda da saúde — Foto: Magnific
O futuro da saúde não chegará ao Brasil por acaso. Precisará ser construído com ciência,planejamento,coragem institucional e a decisão política de colocar a tecnologia a serviço das pessoas. É com esse propósito que São Paulo receberá,de 5 a 7 de agosto,o I Simpósio Internacional de Smart Hospitals and AI in Healthcare,realizado com o II International Symposium on Critically Ill Patients,o ISCIP.
Durante três dias,a Disciplina de Emergências da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo será o ponto de encontro entre medicina intensiva,emergência,inteligência artificial,inovação hospitalar e cuidado humano. Mais de mil pessoas já se inscreveram.
O encontro reunirá 12 convidados internacionais,vindos de diferentes continentes e sistemas de saúde. Ouvir essas personalidades significa ter acesso não apenas a palestras,mas a experiências capazes de encurtar caminhos. São profissionais que ajudaram a transformar a terapia intensiva,a ventilação mecânica e o tratamento do choque,do AVC,da sepse e do trauma. Outros lideraram hospitais inteligentes,plataformas de inteligência artificial e modelos assistenciais que ampliaram o acesso.
Devi Shetty apresentará a experiência indiana de assistência em larga escala,conciliando qualidade,eficiência e acesso. Zhixun Wang mostrará como o Zhongshan Hospital,na China,incorporou tecnologia aos processos hospitalares. Gregory Albers discutirá o uso da inteligência artificial na triagem,na pesquisa clínica e no cuidado do AVC. Jean-Louis Vincent,Daniel De Backer,John Marini,Jacques Duranteau,Giovanni Landoni,Tony Yeh,Otavio Ranzani e outros grandes nomes abordarão temas que definem,todos os dias,a fronteira entre a vida e a morte.
O programa parte da convicção de que uma inovação só tem valor quando melhora o cuidado. Serão debatidos inteligência artificial,prontuários eletrônicos,monitoramento conectado,soberania de dados,ventilação mecânica,choque,sepse,ECMO,trauma,pneumonia,insuficiência renal e síndrome coronariana aguda. O encerramento discutirá o futuro do cuidado crítico na convergência entre conhecimento humano,IA e hospitais inteligentes.
Para o Brasil,esse debate é urgente. Temos ilhas de excelência,profissionais extraordinários e produção científica respeitada internacionalmente. Mas ainda convivemos com filas,desigualdade regional,fragmentação de informações,desperdício de recursos e demora no acesso a tratamentos dependentes de tempo. Na emergência,minutos salvam cérebro,coração,pulmões e vidas.
Um hospital inteligente não é um prédio repleto de telas,robôs e equipamentos caros. É uma instituição capaz de usar dados para antecipar riscos,organizar fluxos,apoiar decisões clínicas,reduzir erros e levar o paciente certo ao lugar certo,no momento certo.
O simpósio também marcará a apresentação primeiro hospital público inteligente do Brasil,que sera construído a partir de 2027 no Complexo Hospital das Clínicas da FMUSP. A ambição não é importar um modelo pronto,mas aprender com as melhores experiências do mundo e construir uma solução brasileira,voltada ao SUS,às nossas desigualdades e à nossa escala continental.
O país não pode ser apenas consumidor de tecnologias. Precisa produzir conhecimento,formar profissionais,proteger seus dados e participar da criação dos sistemas que definirão a medicina das próximas décadas. Em saúde,depender exclusivamente de soluções externas não é apenas uma limitação econômica. É uma questão de soberania.
Reunir profissionais de saúde de todo o país com as maiores referencias internacionais em uma universidade pública brasileira tem um significado que ultrapassa os três dias de programação. Representa conectar ciência global,capacidade nacional e compromisso social; formar redes,estimular pesquisas,criar cooperações e inspirar uma nova geração.
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