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Menopausa em homens? Entenda a síndrome que afeta até 20% da população masculina

Aug 5, 2026 News IDOPRESS

O advogado e artista plástico,Alexandre Dip. teve todos os sintomas,como: fogacho,falta de disposição,oscilação de humor,ganho de peso e irritabilidade — Foto: Edilson Dantas / Agencia O Globo

A menopausa ocorre na mulher,em média,entre os 45 e 55 anos de idade e marca o término da fase reprodutiva feminina. Entre os sintomas mais comuns estão as famosas ondas de calor,conhecidas como fogachos,mudanças emocionais e físicas,como: irritabilidade,ansiedade,variações rápidas de humor,ganho de peso e insônia. Mas engana-se quem pensa que os homens não passem por uma fase similar.

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Nos homens,essa fase da vida é chamada de DAEM (Deficiência Androgênica do Envelhecimento Masculino),popularmente conhecido como andropausa,porém,médicos e especialistas evitam usar este nome,visto que a síndrome ocorre gradualmente a partir dos 40 anos e,diferente da menopausa ou como o nome da andropausa sugere,não há uma pausa definitiva.

Ela é caracterizada pela queda gradual dos níveis de testosterona no sangue e ocorrem de forma natural com o avanço da idade.

— Estima-se que a partir dos 40 anos,os homens comecem a perder cerca de 1% da testosterona total por ano,entretanto,há alguns que perdem mais por conta de outras doenças relacionadas ou até pelo estilo de vida — explica o presidente da Sociedade Brasileira de Urologia,Roni de Carvalho Fernandes.

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Entre os principais sintomas estão: queda de libido,perda de energia (desde fazer coisas mais simples,como ir ao shopping,fazer uma caminhada,até relações sexuais ou falta de vontade de sair de casa),muitas vezes ela até pode ser confundida com início de depressão. Irritabilidade,alteração do sono e,em muitos casos,os famosos fogachos também podem surgir.

A falta de testosterona não está somente ligada ao desejo sexual,mas a menos foco,diminuição da força e pior qualidade de cognição.

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— Muitos homens ganham peso,diminuem massa magra e não conseguem repor essa massa. O ganho se torna mais difícil. Aliado as mudanças emocionais e físicas pode haver um princípio de depressão em alguns casos — diz Fernandes.

Os níveis normais de testosterona total no sangue variam de 300 a 1.000 ng/dL. Porém,os especialistas são enfáticos ao dizer que os números são apenas uma medição de escala usada por laboratórios,e que eles mudam conforme a idade,o sexo e o tipo de teste realizado (testosterona total ou livre).

— As nossas referencias são dos anos 60,muito ultrapassadas. Estudos recentes já mostram que uma testosterona abaixo dos 600 tem cerca de 75% a mais de chance de ter derrame ou infarto. Só tem proteção cardíaca e cerebral acima dos 600. Entre este número e 1200 por exemplo,você terá outra qualidade de vida. Vai se sentir mais disposto,ter mais humor,mais força para fazer seus exercícios,uma qualidade melhor de sono,mais independência e até maior mobilidade,visto que estamos falando de homens um pouco mais velhos — explica Rebeca Filgueiras,geriatra,especialista em reposição hormonal e longevidade.

Testosterona total e livre

A médica diz que,apesar do tratamento principal da síndrome ser a reposição do hormônio,quando um paciente chega ao consultório com baixa testosterona é necessário analisar a qualidade de vida do homem antes de fazer qualquer reposição.

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Se ele é fumante,faz ingestão de bebida alcoólica,saber se tem um bom sono,se a alimentação é saudável,se pratica atividade física,se é ativo sexualmente,e como se sente em relação a disposição de forma geral. Também são pedidos exames para saber se o paciente tem outras doenças metabólicas como diabetes,obesidade,hipertensão,pois pode gerar problemas para produzir testosterona.

— Quando o paciente chega com testosterona baixa,precisamos ver o que acontece na vida desse homem. Aqueles que dormem mal,não se alimentam bem e são estressados tendem a produzir 60% menos testosterona — diz Filgueiras.

Um dos exames de sangue pedidos é para avaliar a qualidade da testosterona e analisar todo o hormônio presente no corpo do paciente. A testosterona total,por exemplo,mede o hormônio circulante no sangue,porém a livre é o hormônio funcional,é aquela que de fato exerce a função dentro da célula,seja no coração,cérebro ou músculo.

— Estar com um nível alto de testosterona total não quer dizer que o paciente esteja com uma testosterona funcional. Ele precisa estar com níveis bons de testosterona livre que são as que de fato vão exercer função no organismo daquele paciente — diz a especialista.

Foi o que aconteceu com o advogado e artista plástico,Alexandre Dip,49 anos. Ele sempre realizou check-ups com uma certa frequência,porém em meados de outubro do ano passado,quando começou a sentir um cansaço maior do que deveria,indisposição e irritabilidade procurou um urologista,fez exames,mas nada apontou irregularidades. Todos seus níveis,incluindo sua testosterona,estavam normais.

Alexandre Dip precisou fazer uma série de exames para encontrar uma síndrome metabólica e entender que sua testosterona não estava funcional — Foto: Edilson Dantas / Agencia O Globo

Foi durante um aniversário que notou algo estranho: enquanto todos se cobriam com blusas,roupas de manga comprida para se protegerem do frio,ele estava "morrendo" de calor com uma blusa sem mangas.

— Nesta época estava pesando 93 quilos. Eu não dormia,me sentia indisposto,não queria fazer nada. Meus exames apontavam que eu estava bem,mas eu sabia que não estava e foi só depois de procurar um nutrólogo e fazer novos exames que veio o resultado: apesar da minha testosterona total estar boa,a funcionalidade dela era baixa. Então o meu corpo não estava absorvendo-a — diz o advogado.

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Essa falta de testosterona funcional desencadeou outros problemas nele,como uma síndrome metabólica que estava o levando a ter uma pré-diabetes.

— Eu fiz um tratamento para a síndrome metabólica e comecei a suplementar testosterona para o DAEM. Não foi preciso repor muito do hormônio porque o meu corpo estava produzindo,só precisava produzir em uma melhor qualidade. Agora eu aplico um gel de testosterona nos meus ombros para mantê-lo próximo dos 800 — afirmou o advogado.

Hoje,cinco meses depois do início do tratamento,Alexandre está com 77 quilos,tem uma ótima disposição,pratica exercícios físicos ao menos seis vezes na semana. A síndrome metabólica diminuiu,o sono melhorou,os níveis de testosterona tanto a total quanto a livre estão ótimas e parou de consumir bebidas alcóolicas. O advogado e artista plástico costuma se consultar com sua médica a cada três meses e faz exames regularmente.

— Imagina se eu só continuasse seguindo a vida pelos números bons ou se eu tivesse feito uma reposição de testosterona. Eu poderia estar com taxas altíssimas do hormônio,o que desencadearia em outros problemas mais graves.

Uso,mau-uso e abuso

O presidente da Sociedade Brasileira de Urologia,Roni de Carvalho Fernandes,diz que há o uso,mau uso e o abuso da testosterona. O uso ocorre quando o paciente tem informações de qualidade,realiza exames com frequência e tem um acompanhamento médico indicando o quanto é seguro usar.

O mau uso acontece quando o paciente usa sem indicação,consentimento médico ou sem um acompanhamento. Já o abuso ocorre quando o paciente já tem níveis bons de testosterona normal e livre,mas quer chegar a patamares maiores de 2 mil do hormônio no sangue. Seja para se sentir melhor ou até para ganhar massa magra de forma mais fácil com os exercícios físicos,o que é proibido pelo Conselho Federal de Medicina devido aos graves riscos à saúde.

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— Entre os riscos desse mau uso e até do abuso da reposição da testosterona temos um número cada vez maior de jovens ficando inférteis pelo bloqueio da produção de espermatozóides. Aumento e hipertrofia do músculo do coração que pode gerar arritmias cardíacas e até mesmo infartos. Aumento de surtos como ansiedade,irritabilidade exagerada. Consequências físicas,emocionais e de fertilidade — afirma Fernandes.

Tratamento

Os médicos afirmam que,para além dos números,cada paciente deve ser tratado de maneira individual. Devem ser analisados os sintomas e como o paciente estar se sentindo acima de tudo.

— Hoje em dia os médicos podem prescrever géis de testosterona que são absorvidos pela pele ou até mesmo implantes hormonais. Eles também podem injetar o hormônio que,dependendo de cada caso,pode ser em ciclos semanais,quinzenais ou mensais. Todos os casos precisam de um acompanhamento de perto com monitoramento constante — afirma filgueiras.

Depois,analisar os exames e observar se apontam síndromes metabólicas que possa estar provocando os sintomas. Ver também o índice de testosterona total e livre do paciente para confirmar se ele precisa de reposição hormonal.

— Declínio hormonal não significa que você precisa repor hormônio. Uma boa alimentação pode produzir uma quantidade melhor de testosterona. Tem que cuidar para que o paciente tenha uma autonomia melhor por mais tempo. É como um carro na estrada da vida: se acelerar demais no começo,gasta combustível,ou seja,testosterona,a mais do que o necessário. Depois,mais para frente vai precisar dela e não adianta tentar colocar um combustível de avião dentro do seu carro,porque ele pode ficar mais forte em um primeiro momento,mas depois vai estragar e começar a dar problemas — explicou Fernandes.

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