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Análise: Com exigências sobre Ormuz, Irã pretende garantir que Trump não abandone guerra sem resolvê-la

Aug 10, 2026 News IDOPRESS

Homem segura bandeira do Irã em frente a outdoor na Praça Valiasr,no centro de Teerã — Foto: ATTA KENARE / AFP/ 8-8-2026

RESUMO

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Teerã utiliza o controle do Estreito de Ormuz como principal moeda de troca. O objetivo é forçar Washington a cumprir o acordo firmado em junho. As exigências iranianas incluem o fim do bloqueio naval e a suspensão de sanções econômicas. O país também demanda a liberação de ativos congelados no exterior. Apesar do avanço nas negociações com Omã sobre o tráfego marítimo,a reabertura da via depende diretamente de concessões americanas. O Irineu é a iniciativa do GLOBO para oferecer aplicações de inteligência artificial aos leitores. Toda a produção de conteúdo com o uso do Irineu é supervisionada por jornalistas.

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As demandas do Irã para reabrir o Estreito de Ormuz,como expostas em uma declaração no sábado,são amplamente o que o presidente dos EUA,Donald Trump,já havia concordado em um memorando de entendimento assinado em 14 de junho e que rapidamente desandou. Mas o Irã vê o controle sobre o estreito como a melhor chance de fazer Trump cumprir aquelas promessas — e não está disposto a abdicar disso por enquanto.

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Para o Irã,sugerem analistas,negar a Trump a habilidade de declarar vitória sobre a via marítima é a peça de barganha mais eficiente para persuadi-lo a voltar àqueles acordos e implementá-los. Manter o estreito amplamente fechado mantém os preços de energia altos e também é uma forma de garantir que os Estados do Golfo Pérsico,que dependem da passagem para suas exportações,também vão encorajar Washington a voltar ao memorando.

O nível de desconfiança entre o Irã e os EUA é tão alto que a República Islâmica,antes de prescindir mesmo de um controle parcial sobre o estreito,quer assegurar que conseguirá o alívio econômico que lhe foi prometido para a reconstrução,disse Esfandyar Batmanghelidj,fundador da Fundação Bourse & Bazaar,um centro de estudos centrado em diplomacia econômica.

— Autoridades iranianas estão preocupadas de que,se o estreito reabrir,Trump abandonará conflito sem sentir a necessidade de resolvê-lo — disse. — Eles querem usar a via marítima como um mecanismo de compromisso para garantir que Trump implemente várias provisões do memorando de entendimento.

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Ali Vaez,diretor de projetos sobre o Irã no International Crisis Group,comparou o estreito à "espada de Dâmocles sobre Trump",que simboliza a ideia de que o poder está sempre por um fio.

— O Irã quer obter benefícios antecipadamente sem abrir mão de sua principal carta na manga,que é Ormuz — disse.

No domingo,Trump disse ao portal Axios que acredita que o Irã eventualmente vai ceder por causa das dificuldades econômicas e da inflação. Ele não ameaçou nova ação militar contra o país,dizendo: "Estamos indo com calma."

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As exigências do Irã foram enumeradas no sábado por Mohammad Bagher Zolghadr,secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã. Ele exigiu que os Estados Unidos suspendessem o bloqueio naval e as sanções às exportações iranianas de petróleo e produtos petroquímicos,retirassem as forças militares dos arredores do Irã,pagassem reparações de guerra e liberassem ativos iranianos congelados,além de cessarem os ataques contra aliados do Irã na região — incluindo no Líbano — e as ameaças contra o país.

Todas essas exigências,exceto as reparações,estão detalhadas no memorando de 14 pontos de junho. A maioria dos termos do acordo foi violada em questão de semanas,com o próprio Trump declarando o acordo "encerrado".

A exigência de reparações também é algo conhecido,e autoridades iranianas afirmaram na mídia local que a questão serve como moeda de troca para obter de Washington o maior alívio possível das sanções,disse Vaez.

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As negociações do Irã com Omã sobre como o tráfego fluiria pelo estreito,uma vez aberto,estão praticamente concluídas,disse Vaez. No entanto,o Irã quer vincular a questão do estreito ao restabelecimento do memorando,o que exigiria novas conversas com os Estados Unidos,afirmou ele. Quaisquer negociações sobre o futuro do programa nuclear iraniano — apontado por Trump como um dos principais motivos para o início do conflito — dependem do restabelecimento do memorando.

Rotas de navegação no Estreito de Ormuz — Foto: Arte/ O GLOBO

Neste domingo,ao falar com jornalistas,o ministro das Relações Exteriores do Irã,Abbas Araghchi,disse:

— As negociações com Omã sobre o Estreito de Ormuz estão avançando bem e em fase final,uma vez que especialistas estão trabalhando nos mapas. — disse,acrescentando: — No entanto,um acordo com Omã não significa a reabertura do estreito,que permanece dependente do cumprimento de condições transmitidas por meio de mediadores.

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Parte da confusão decorre de divisões dentro do sistema iraniano sobre como proceder,o que levou à ênfase nessas exigências,disse Sanam Vakil,diretora do programa para o Oriente Médio e Norte da África da Chatham House,centro de estudos sediado em Londres.

Algumas autoridades veem a diplomacia como o melhor caminho para a reconstrução econômica,disse ela. Já outras — a ala linha-dura — “são tão céticas e paranoicas que preferem manter sua vantagem de negociação a pensar na economia”,apostando que Trump não retomará a guerra.

Mas os iranianos também veem Washington como uma administração dividida,disse ela,com algumas autoridades defendendo a diplomacia e outras,mais bombardeios,enquanto Trump "oscila de um lado para o outro". Há também quem acredite em Washington que,uma vez aberto o estreito,Trump se sentiria tentado a abandonar a questão por completo e deixar o urânio altamente enriquecido do Irã enterrado no subsolo.

Os iranianos “não querem fazer isso de graça”,disse Vakil.

— A questão do estreito não se refere a taxas; trata-se de controle e poder de barganha para o restante do pacote.

E é sobre confiança,disse Batmanghelidj. O Irã poderia ter feito exigências mais extremas,afirmou,mas optou por tentar retornar ao memorando como base para um fim permanente da guerra.

— O que menos importa é o número,o valor ou a concessão em si,mas sim o que os EUA podem fazer para provar ao Irã que são capazes de cumprir qualquer um desses compromissos.

O memorando de entendimento “é a base a partir da qual todos tentarão construir a estrutura de um acordo”,disse Vakil.

— Mas ainda estamos longe disso.

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