
Ian Duarte e Allann Seabra,diretores da Verve Galeria — Foto: Paschoal Rodriguez/Divulgação
GERADO EM: 15/04/2026 - 16:03
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Por causa de uma reforma,Allann Seabra não tinha como deixar as obras de arte de sua galeria recém-inaugurada no espaço físico que começava a ocupar,em 2013,no Centro de São Paulo. A melhor alternativa foi bater à porta do escritório ali ao lado. O arquiteto Ian Duarte acabou por ceder um lugar para guardar as telas e demais trabalhos que o jovem galerista lhe pedia. Mas fato é que aquela troca de olhares e as poucas conversas iniciais ganhariam nova dimensão meses depois.
O início do relacionamento de Allann e Ian,ambos de 36 anos,que completou uma década recentemente,se confunde com a história da galeria que hoje comandam juntos,a Verve. Os dois,aliás,veem hoje o negócio,“uma empresa familiar”,crescer à medida que o casamento se fortalece.
Na semana passada,o casal passou a enfrentar,pela primeira vez,um longo período distante um do outro — por causa do trabalho. Enquanto Allann ficou em São Paulo para a SP-Arte,Ian seguiu para os Estados Unidos,onde a Verve esteve na EXPO Chicago. Agora,continuará fora do país mais alguns meses por conta de parcerias da galeria paulistana com outras instituições e eventos,como a Bienal de Veneza. A “maratona” faz parte de um esforço de internacionalização que a galeria vem promovendo nos últimos meses — e mexe diretamente com a vida do casal,já que trabalho e relação acabaram entrelaçados.
— Está grudado o que a gente sente um pelo outro,no amor,com o que sentimos pela galeria. Sempre falo que ele (Ian) entrou em um sonho meu — conta Allann,que abriu a Verve após se formar em artes visuais na Faculdade de Belas Artes de São Paulo. — Somos desses que abrem e fecham a lojinha juntos. É nossa vida há dez anos.

Vista da Verve Galeria,em São Paulo — Foto: Victor Nassar/Divulgação
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Mas,no início do relacionamento,eles precisaram lidar com “conselhos” para que não parecessem um casal diante de clientes e do público em geral:
— Falavam que não poderíamos tirar foto juntos para não marcar a galeria como um espaço gay. Ficamos revoltados. Mas,pelo contrário,precisamos reafirmar nossa identidade — conta Ian. — Não sei diferenciar o que veio antes (o trabalho ou o relacionamento),foi uma construção única.
Tem dado certo. Nos últimos meses,a Verve viu obras de alguns de seus 23 artistas representados chegarem a acervos de importantes instituições no mundo. Em Chicago,por exemplo,um trabalho de Caroline Ricca Lee foi incorporado à coleção do Denver Art Museum. Em ascensão com imagens queer feitas com inteligência artificial,Mayara Ferrão passou a integrar o acervo do MoMA,em Nova York,e do Photo Museum,em Antuérpia,na Bélgica. Já Randolpho Lamonier teve uma obra adquirida pelo MAC de Lyon,na França. No braço editorial,lançado pela galeria recentemente,um livro de gravuras de Francisco Hurtz foi incorporado ao acervo da Bibliothèque Kandinsky,do Pompidou,em Paris,além de constar em outras instituições. Em paralelo,também expandem a entrada em feiras no exterior.

Trabalho da série 'Álbum de esquecimentos',de Mayara Ferrão — Foto: Divulgação
A sede da galeria ainda dobrou de tamanho,ganhando mais 300m² no Edifício Louvre,no centro da capital paulistana.
— Parecem 30 anos,porque é muita coisa,muito trabalho envolvido. É a celebração de um parceria de vida mesmo. Estamos dedicando a vida a um projeto comum — comemora Ian.
O casal tem um perfil de galeristas que permanecem próximos aos artistas,acreditando que isso é essencial para a atuação da Verve.
— O diálogo é constante e acontece com abertura,o que fortalece não apenas a circulação do trabalho,mas também a elaboração conceitual ao longo do tempo — afirma a artista Mayara Ferrão. — Mesmo antes de qualquer formalização,já existia uma construção coletiva. Eu me senti acolhida e levada a sério.
E essa proximidade se observa também no relacionamento com colecionadores,como aponta Paulo Vieira,advogado e vice-presidente do conselho do MAM-Rio:
— Eles são galeristas próximos,vieram conhecer a minha coleção e entenderam meu perfil de colecionador. Não é apenas eu que os procuro. Eles sabem do meu interesse e sugerem coisas.
© Reportagem diária do entretenimento brasileiro