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A apatia política

Apr 16, 2026 Tecnologia IDOPRESS

Presidente Lula — Foto: Reprodução/YouTube

RESUMO

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GERADO EM: 15/04/2026 - 23:21

Polarização entre lulismo e bolsonarismo paralisa avanços no Brasil

O confronto político entre lulismo e bolsonarismo,caracterizado por rejeições mútuas e manobras personalistas,paralisa o Brasil,segundo análise da pesquisa Quaest. Flávio Bolsonaro cresce nas pesquisas,enquanto Lula mantém-se estagnado. A política atual carece de estratégia e discussão profunda sobre os problemas do país. O economista Claudio Porto destaca a necessidade de resgatar lições do passado,como o sucesso do Plano Real,para enfrentar desafios contemporâneos.

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A mais recente pesquisa Quaest revela,além dos números,uma apatia eleitoral que favorece o candidato da extrema direita,senador Flávio Bolsonaro. Jogando parado,ele vai crescendo na simpatia do eleitorado a ponto de estar,pela primeira vez,numericamente à frente do presidente Lula,que patina em torno dos 40% no segundo turno. Na eleição de 2022,não houve apresentação de programas,somente promessas vãs durante o horário eleitoral. Hoje repete-se a situação,com os dois principais candidatos se digladiando sem que haja uma discussão aprofundada sobre os problemas brasileiros.

Vivemos sob o império das narrativas de ocasião. O debate público foi sequestrado pela superficialidade. O confronto tribal entre lulismo e bolsonarismo,um duelo de rejeições que paralisa o país,está restrito a manobras eleitoreiras personalistas. O principal projeto da direita,até o momento,é a busca por anistia aos responsáveis pelos ataques antidemocráticos do 8 de Janeiro,uma tentativa de institucionalizar a impunidade,visando ao perdão ao ex-presidente Jair Bolsonaro,condenado por tentativa de golpe de Estado.

No campo oposto,a resistência em avançar em reformas estruturantes e o flerte com o retrocesso fiscal mantêm o governo Lula preso ao passado. No meio desse fogo cruzado,o governador Ronaldo Caiado tenta abrir uma brecha dirigida ao liberalismo conservador ou reformista. A preferência pela inércia é tamanha que a direita bolsonarista lamenta a existência da candidatura Caiado pelo PSD,pois sem ela a eleição poderia acabar no primeiro turno. De acordo com a pesquisa,os demais candidatos somam 15% das preferências,e cerca de 10% iriam teoricamente para Flávio,fazendo o senador atingir mais de 50% já no primeiro turno.

Os lulistas acreditam ter a vantagem de ver seu principal adversário no momento perder votos preciosos,que poderiam ser recuperados num segundo turno por Lula. Os eleitores classificados de “independentes” pelo instituto Quaest estariam hoje,no entanto,pendentes ao candidato da oposição. É nesse vácuo de pensamento estratégico que surge a oportuna análise do economista Claudio Porto,fundador da Macroplan,consultoria de cenários econômicos e políticos. Em seu novo livro,“A prática da estratégia”,Porto afirma que,em tempos de incertezas,a política brasileira precisa olhar para o espelho do passado,não com nostalgia,mas para resgatar as lições de sobriedade que permitiram nossas maiores conquistas.

O exemplo mais contundente de êxito estratégico no Brasil moderno é,invariavelmente,o Plano Real. Concebido sob a Presidência de Itamar Franco e consolidado pela liderança intelectual e política de Fernando Henrique Cardoso,o Real não foi um mero artifício técnico de estabilização,mas um exercício de Estado que atacou a hiperinflação,o desequilíbrio fiscal e a exclusão social de forma simultânea e coordenada. Nas palavras de Porto,a estratégia é uma tríade composta por antecipação,escolha e ação. No caso do Real,a antecipação manifestou-se na capacidade de aprender com os erros de planos anteriores,substituindo o improviso pela racionalidade,algo que falta aos palanques atuais.

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Há exemplos regionais que merecem atenção nacional. A virada histórica do Espírito Santo,iniciada na gestão de Paulo Hartung,demonstra como o rompimento cirúrgico com o crime organizado e a adoção de um planejamento rigoroso podem transformar um estado. É o antídoto para o que Porto chama de “cegueira deliberada” — a propensão ao curto prazo que condena o Brasil a um crescimento anêmico.

A estratégia,na definição de Porto,é uma “ferramenta humana antifatalidade”. Sem ela,o governante torna-se refém do acaso ou,pior,passageiro nos planos de terceiros. Enquanto o debate se perder em polarizações vazias,continuaremos como a Rainha Vermelha de Lewis Carroll,correndo desesperadamente para permanecer exatamente no mesmo lugar.

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