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'Paredes de água': Satélite registra maiores ondas em alto-mar já medidas do espaço; entenda

May 28, 2026 Tecnologia IDOPRESS

'Paredes de água': Satélite registra maiores ondas em alto-mar já medidas do espaço; entenda — Foto: Reprodução: Freepik

RESUMO

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GERADO EM: 27/05/2026 - 10:08

NASA e CNES Registram Maior Onda do Espaço: 19,7 Metros no Pacífico

Um satélite da NASA e da CNES registrou a maior onda já medida do espaço,com 19,7 metros,gerada pela tempestade Eddie no Pacífico Norte em 2024. Este fenômeno,que transportou energia por 24 mil km até o Atlântico Tropical,ajudou a corrigir modelos sobre ondas extremas. A pesquisa revelou como ondas longas são subestimadas,melhorando previsões de segurança marítima e explorando a influência das mudanças climáticas nas megatempestades.

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Um satélite da Nasa e da agência espacial francesa CNES registrou,a partir do espaço,a maior onda já medida por satélite em mar aberto: uma parede de água de 19,altura equivalente à de um prédio de seis andares. O fenômeno foi gerado pela tempestade Eddie,no Pacífico Norte,em dezembro de 2024,e foi captado longe de qualquer costa,em uma região onde boias e navios raramente conseguem fazer medições com a mesma precisão.

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A medição foi feita em 21 de dezembro de 2024,no auge da tempestade,pelo satélite SWOT,sigla em inglês para Surface Water and Ocean Topography. A missão é uma parceria entre a Nasa e o CNES e tem capacidade de criar mapas bidimensionais da superfície dos oceanos,registrando não apenas a altura das ondas,mas também seu comprimento e direção.

O estudo foi liderado pelo oceanógrafo Fabrice Ardhuin,do Laboratório de Oceanografia Física e Espacial,na França,e publicado em setembro de 2025 na revista científica americana PNAS. Segundo os pesquisadores,o episódio revelou detalhes inéditos sobre como o oceano transporta energia em escala planetária.

Missão Artemis II alcança maior aproximação lunar em 50 anos

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Imagens inéditas da face oculta da lua são registradas — Foto: NASA / AFP

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Terra se pôs atrás da Lua — Foto: Divulgação / Nasa

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Artemis II: astronautas registram 'pôr da Terra' em imagem inédita ao redor da Lua — Foto: Nasa

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Astronautas observaram um eclipse solar ao emergirem do outro lado da Lua. — Foto: Divulgação / Nasa

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Imagem do solo lunar divulgada pela Nasa dia 6 de abril de 2026 — Foto: NASA / AFP

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Cratera Vavilov vista da espaçonave Orion — Foto: NASA / AFP

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Terra se pondo sobre a borda da Lua,vista da espaçonave Orion — Foto: NASA / AFP

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Missão Artemis II alcança maior aproximação lunar em 50 anos — Foto: NASA / AFP

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Missão Artemis II alcança maior aproximação lunar em 50 anos — Foto: NASA / AFP

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Missão Artemis II alcança maior aproximação lunar em 50 anos — Foto: NASA / AFP

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Missão Artemis II alcança maior aproximação lunar em 50 anos — Foto: NASA/AFP

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O número validado pela pesquisa é de 19,7 metros de altura significativa de onda — e não 35 metros,como chegou a circular em algumas publicações. A altura significativa é uma medida estatística que representa a média das maiores ondas observadas em determinado período. Já o valor de 35 metros se refere a estimativas de cristas individuais que poderiam ter ocorrido dentro da tempestade,mas não corresponde ao recorde oficial registrado pelo satélite.

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Antes do SWOT,cerca de 15 satélites já mediam a altura das ondas desde 1991,mas nenhuma observação havia ultrapassado 18,5 metros até dezembro de 2024. Isso não significa que ondas maiores não existissem,e sim que os satélites anteriores cobriam apenas uma fração limitada do oceano e quase sempre passavam longe do centro das tempestades. No caso de Eddie,o SWOT cruzou justamente o coração do sistema no momento em que as ondas estavam no auge.

A tempestade Eddie foi um ciclone extratropical de rara intensidade e é considerada responsável pela maior altura média de ondas no Pacífico na última década. O sistema provocou mortes e danos ao longo da costa americana,do Canadá ao Peru,e também gerou as ondas gigantes associadas à famosa competição de surfe Eddie,no Havaí,voltada a condições extremas.

O alcance do fenômeno chamou atenção dos cientistas. As ondas formadas pela tempestade se transformaram em marulho — ondulações capazes de viajar grandes distâncias depois que o temporal se dissipa — e percorreram cerca de 24 mil quilômetros. Elas deixaram o Pacífico Norte,atravessaram a Passagem de Drake,entre a América do Sul e a Antártica,e chegaram ao Atlântico Tropical entre 21 de dezembro de 2024 e 6 de janeiro de 2025.

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A pesquisa também ajudou a corrigir modelos usados para calcular a energia das ondas mais longas. O problema não era que esses modelos ignorassem a força do fenômeno,mas que superestimavam em até 20 vezes a energia transportada por ondas longas,distribuindo essa força de forma diferente da observada pelo satélite.

Com os dados diretos do SWOT,os pesquisadores passaram a trabalhar em modelos mais precisos,capazes de considerar interações complexas entre ondas curtas e longas. A melhoria pode tornar as previsões de ondas extremas mais confiáveis,algo essencial para a segurança no mar.

Ondas desse porte representam risco direto para navios cargueiros,plataformas de energia offshore,cabos submarinos e portos. Monitorar com mais precisão onde e como elas se formam pode ajudar a ajustar rotas de embarcações durante tempestades,revisar padrões de engenharia para estruturas marítimas e reduzir o risco de tragédias.

A Agência Espacial Europeia destacou que os dados de satélite também mostram como os marulhos funcionam como “mensageiros” de tempestades: mesmo quando um sistema nunca toca terra,sua energia pode viajar por grandes distâncias e atingir costas remotas. A agência observou ainda que modelos indicam que as ondas mais altas dos últimos 34 anos ocorreram em janeiro de 2014,quando a tempestade Hercules,no Atlântico,produziu ondas de 23 metros e causou danos severos do Marrocos à Irlanda.

Uma das questões ainda em aberto é se megatempestades como Eddie estão se tornando mais frequentes ou intensas por causa das mudanças climáticas. A equipe de Ardhuin investiga essa relação,mas trata o tema com cautela: o aquecimento global pode ser um dos fatores,mas não o único. Relevo do fundo do mar,trajetórias das tempestades e variações naturais do clima também influenciam a formação de ondas gigantes.

O que se sabe é que oceanos mais quentes armazenam mais energia,alimentam tempestades mais fortes e favorecem os ventos que formam ondas extremas. Nesse cenário,o SWOT deve ter papel central na comparação de eventos ao longo dos próximos anos,permitindo verificar se a energia das tempestades está mudando junto com o clima do planeta.

Mais do que um recorde curioso,a onda de quase 20 metros registrada do espaço mostra que parte da força dos oceanos ainda escapava das medições tradicionais. Agora,fenômenos antes invisíveis em áreas remotas do mar começam a ser transformados em dados concretos para a ciência,a navegação e a segurança marítima.

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