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Política migratória dos EUA impõe obstáculo inédito a jogadores, árbitros e comissões técnicas na Copa do Mundo 2026

Jun 9, 2026 Tecnologia IDOPRESS

Integrantes da seleção iraniana de futebol antes do embarque em Antalya,na Turquia — Foto: ONER SAN / AFP

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GERADO EM: 08/06/2026 - 18:03

Políticas Migratórias dos EUA Afetam Copa do Mundo: Vistos Negados e Tensões Diplomáticas

As políticas migratórias dos EUA têm criado obstáculos para atletas,árbitros e comissões técnicas de países considerados 'hostis',afetando a preparação para a Copa do Mundo. Casos de barramento de vistos ou detenções prolongadas,como o do árbitro somaliano Omar Artan e de membros da seleção do Iraque,refletem tensões políticas,especialmente com países como Irã e Haiti. As restrições e o temor de prisões em estádios levantam questões sobre acessibilidade e direitos humanos,complicando a realização do evento esportivo.

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Quando a Fifa anunciou,em abril,a lista de árbitros escalados para a Copa do Mundo 2026,o nome de Omar Artan foi especialmente celebrado: ele seria o primeiro somaliano a apitar no principal torneio de futebol do planeta. Mas na segunda-feira,o Ministério dos Esportes da Somália disse que Artan,mesmo com um visto válido,foi barrado na imigração dos EUA. A Fifa emitiu nota dizendo que “não se envolve nos processos de imigração dos países-sede,incluindo concessões de vistos,e foi informada pelas autoridades que a situação do Sr. Artan não será alterada no momento”. Esse não foi um caso isolado em uma Copa já marcada por polêmicas antes mesmo do primeiro toque na bola.

— Negar-lhe a entrada nos Estados Unidos e impedi-lo de arbitrar partidas agendadas prejudica não apenas a sua pessoa,mas também mina o compromisso do futebol com a justiça,o mérito e o espírito do jogo limpo — disse Clise Aden Abshir,conselheiro do Ministério dos Esportes somaliano,à AFP.

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Segundo Abshir,Artan retornou a Istambul,onde obteve o visto,após ter sido barrado. Ele faz parte do quadro da Fifa desde 2018,e no ano passado recebeu o prêmio de melhor árbitro do continente africano. O governo americano não apresentou razões para a decisão. No passado,não se tem registro de problemas semelhantes com outros países-sede.

Outra vítima do sistema migratório americano foi a seleção do Iraque. No fim de semana,um fotógrafo que viajava com a delegação foi barrado em Chicago — segundo o serviço de fronteiras (CBP),Talal Saleh “foi considerado inadmissível e teve sua entrada negada devido a informações confidenciais,de acordo com a legislação dos EUA”. No mesmo voo,o principal atacante da equipe,Aymen Hussein,foi retido por sete horas por agentes da imigração antes de ser liberado.

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Na semana passada,o meia haitiano Woodensky Pierre foi recebido com festa no aeroporto internacional de Miami,depois de finalmente conseguir o visto para entrar nos EUA e se juntar a seus colegas em um centro de treinamento na Flórida. Na seleção,ele é o único atleta que atua no Haiti,e percorreu uma verdadeira corrida de obstáculos para obter o documento. De acordo com a federação do país,há outros membros da delegação que ainda não sabem quando ou se receberão os vistos.

Pierre Woodensky,do Haiti — Foto: Reprodução / Instagram / @woodensky06

O presidente dos EUA,Donald Trump,encara a Copa do Mundo como um elemento crucial de sua agenda de celebrações dos 250 anos da independência do país,que incluem obras na capital,Washington,e um evento de MMA nos jardins da Casa Branca. E ao mesmo tempo em que promete realizar o maior Mundial de todos os tempos,suas pegadas políticas se confundem com um evento que faz de tudo para ao menos parecer apolítico.

— Vejo a Copa do Mundo de 2026 na interseção de duas realidades muito marcantes — disse Ashleigh Huffman,que foi chefe de diplomacia esportiva do Departamento de Estado,em entrevista à Associated Press..— Tudo o que está acontecendo tem o poder de nos unir,mas também está forçando conversas sobre acessibilidade,direitos humanos,imigração e quem será incluído nesta celebração.

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Agentes da polícia migratória americana,o ICE,participarão da segurança do evento,e muitos temem uma onda de prisões de estrangeiros nos estádios,uma hipótese que não foi descartada pelo Departamento de Segurança Interna. As restrições à emissão de vistos afetam,em graus diferentes,sete países classificados para a Copa — dois deles,Irã e Haiti,estão em uma lista de nações cujos cidadãos têm a entrada nos EUA praticamente proibida.

— Os Estados Unidos estão bem preparados para receber viajantes legítimos de todo o mundo para a maior e melhor Copa do Mundo da FIFA da História — disse um representante do Departamento de Estado ao site The Athletic. — Ao mesmo tempo,o governo não hesitará em defender a lei americana e os mais altos padrões de segurança nacional e pública na condução do nosso processo de vistos.

Nenhum caso é tão extremo como o do Irã. Em fevereiro,Trump lançou,ao lado de Israel,um conflito de grande porte contra o país,que transformou o Oriente Médio e provocou efeitos em escala global.

Mulher iraniana passa por outdoor em apoio à seleção nacional de futebol do Irã para a Copa do Mundo de 2026,em Teerã — Foto: AFP

Quando as bombas começaram a cair sobre Teerã,o “Team Melli” já estava classificado,e autoridades chegaram a anunciar que a equipe não viajaria à América do Norte,alegando razões de segurança. Em março,no auge da guerra,o presidente americano disse que a seleção iraniana era bem vinda nos EUA,mas que não acreditava “ser apropriado que eles estejam lá,para a própria segurança e integridade física dos participantes”.

“Os EUA estão privando a seleção nacional do Irã do seu direito de participar da Copa do Mundo em condições normais e sem pressão e estresse desnecessários”,escreveu em comunicado a Embaixada do Irã em Ancara. “Esta é a pior forma possível de interferência política no esporte.”

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De acordo com o Departamento de Estado,os vistos para os jogadores já foram emitidos,mas as regras impostas são,no mínimo,peculiares. A delegação ficará baseada em Tijuana,no México,e viajará para os EUA na véspera (primeiro jogo) e na antevéspera (segundo e terceiro jogos). Todos precisarão sair do país no mesmo dia das partidas,e não está claro se serão submetidos ao mesmo tratamento dispensado aos iraquianos.

— Não sabemos até onde o obstrucionismo dos americanos vai continuar —disse Mehdi Taj,presidente da federação iraniana,à agência semiestatal Isna. —O que os Estados Unidos estão fazendo reflete malícia e falta de igualdade entre as equipes.

Se a chegada aos EUA foi uma corrida de obstáculos para os protagonistas da Copa,para muitos torcedores e profissionais ligados ao esporte,a única opção viável é a televisão. Além das restrições a certos passaportes,o elevado índice de rejeição de vistos,os preços elevados dos ingressos e o temor de ser barrado na fronteira reduziram o interesse externo em acompanhar os jogos in loco.

Na semana passada,a Associação Internacional de Imprensa Esportiva (AIPS) escreveu uma carta à Fifa reclamando da rejeição de vistos para jornalistas do Irã e de países da África. Em resposta,a federação disse que a entrada nos países-sede é “em última análise,uma questão consular e de imigração”.

— O sistema de vistos é o guardião invisível da Copa do Mundo — diz Celine Atallah,advogada especializada em questões migratórias,em entrevista à rede BBC. — A Fifa pode vender um ingresso,mas o governo dos EUA decide quem recebe o visto,e a CBP (Alfândega e Proteção de Fronteiras) decide quem de fato entra.

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