
Tecnologia permite que insetos controlados remotamente sobrevivam por até três horas sem oxigênio — Foto: Reprodução/Universidade Tecnológica de Nanyang
GERADO EM: 06/07/2026 - 08:37
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Se a ideia de baratas já assusta muita gente,imagine encontrá-las usando uma espécie de traje de mergulho. O cenário parece saído de um filme de ficção científica,mas é resultado de uma pesquisa liderada por cientistas da Universidade Tecnológica de Nanyang,que desenvolveram um sistema capaz de manter baratas ciborgues vivas por até três horas em ambientes sem oxigênio. A expectativa é que a tecnologia ajude equipes de busca e resgate em desastres naturais e,futuramente,possa até ser adaptada para missões de exploração espacial,incluindo Marte.
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Os insetos recebem implantes elétricos que permitem aos pesquisadores controlar remotamente sua direção. O novo equipamento funciona como um pequeno tanque de oxigênio: em vez de armazenar ar comprimido,utiliza uma solução diluída de peróxido de hidrogênio e uma esponja revestida com catalisador para produzir oxigênio continuamente,que é levado aos espiráculos,estruturas respiratórias das baratas,por meio de quatro tubos. Segundo o professor Hirotaka Sato,coordenador do estudo,a inovação amplia significativamente o campo de atuação desses insetos.
— Ao expandir os parâmetros operacionais de nossos insetos ciborgues para incluir viagens subaquáticas,acreditamos que eles podem aprimorar os esforços de busca e resgate — afirmou.
Em entrevista à revista New Scientist,neste mês de julho,ele acrescentou que o objetivo de longo prazo é adaptar a tecnologia para exploração espacial.
— É um grande passo rumo a trajes espaciais para insetos ciborgues. A exploração da superfície de Marte,por exemplo.
Nos testes,as baratas conseguiram caminhar por até três horas debaixo d'água,a até 50 centímetros de profundidade,e atravessar túneis preenchidos com dióxido de carbono sem sofrer efeitos adversos. Mesmo submersos,os insetos perderam pouca velocidade,e todos os exemplares monitorados permaneceram saudáveis dias após os experimentos.
A proposta aproveita características naturais das baratas,como resistência,baixo consumo de energia e capacidade de se locomover por espaços extremamente estreitos,tornando-as mais eficientes do que pequenos robôs em determinados cenários. Os componentes eletrônicos apenas direcionam os movimentos,enquanto os músculos do próprio inseto fazem o restante do trabalho,reduzindo o gasto energético.
O conceito não é novo. Em 2021,a equipe de Sato apresentou as primeiras baratas ciborgues equipadas com pequenas mochilas eletrônicas que estimulavam seus cercos,órgãos sensoriais responsáveis por detectar vibrações e correntes de ar,para controlar sua direção. Em 2024,os pesquisadores demonstraram um enxame de 20 insetos capazes de se mover de forma coordenada,desviando de obstáculos. Segundo os cientistas,dez desses insetos chegaram a ser empregados na Operação Lionheart,realizada após o terremoto de Myanmar,em 2025,para auxiliar na busca por sobreviventes.
A equipe pretende agora submeter os trajes a condições ainda mais extremas,como vácuo,radiação intensa e temperaturas elevadas ou muito baixas,simulando o ambiente espacial. Apesar do potencial para futuras missões,especialistas reconhecem que o uso de organismos vivos fora da Terra enfrenta obstáculos,já que agências espaciais evitam o risco de contaminação biológica de outros planetas,o que poderia comprometer a busca por possíveis sinais de vida extraterrestre.
A ideia de usar baratas em operações de resgate também vem sendo explorada há mais de uma década. Em 2014,pesquisadores da Universidade Estadual da Carolina do Norte apresentaram biobots equipados com microfones capazes de localizar pessoas soterradas pelo som de pedidos de socorro. — Em um prédio que desabou,o som é a melhor maneira de encontrar sobreviventes — explicou,na época,o professor Alper Bozkurt. — O objetivo é usar os biobots para distinguir sons relevantes,como pessoas pedindo ajuda,de ruídos do ambiente,permitindo localizar vítimas com maior precisão.
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