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Infiltração do PCC na Câmara de SP serve de alerta

Jun 26, 2026 Ai IDOPRESS

Operação Última Parada investigou ligação de empresa de ônibus com PCC — Foto: Divulgação/Polícia Civil de São Paulo

Foi oportuna a operação deflagrada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo que prendeu nesta quinta-feira o vereador Senival Moura (PT),suspeito de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo as investigações,Senival,primeiro secretário da Câmara Municipal de São Paulo,atuava como figura central num esquema que usava uma empresa de ônibus para lavar dinheiro da facção. É apontado pelos investigadores como controlador indireto da transportadora e dono de parte da frota (ele alega inocência). A operação expõe mais uma vez elos preocupantes da política com o crime organizado.

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A infiltração de facções criminosas na economia formal tem sido prática disseminada. Permite manter as atividades ilegais sem despertar a atenção das autoridades. Nesse campo,os bandidos têm sofrido reveses importantes. A Operação Carbono Oculto,deflagrada em agosto do ano passado,se tornou um marco ao expor um esquema gigantesco de sonegação e lavagem de dinheiro para o PCC,envolvendo o setor de combustíveis. As investigações mostraram que os tentáculos do crime se estendiam a fintechs e instituições financeiras da Avenida Faria Lima.

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Não espanta que as ramificações do crime tentem também se estender aos domínios da política,pois boa parte das atividades na economia formal depende de decisões de organismos públicos ou casas legislativas. É justamente o caso das empresas de ônibus,cada vez mais usadas em esquemas de lavagem de dinheiro. Em São Paulo,Transwolff e UpBus já tinham sido investigadas por associação ao PCC. A prisão de Senival está vinculada a outra empresa,a Transunião. A Justiça decretou o bloqueio de até R$ 194 milhões dos investigados,incluindo 117 ônibus,21 imóveis e três embarcações.

O avanço sobre o Legislativo não ocorre só em São Paulo. No Rio,as milícias descobriram há tempos que a atuação política é uma forma de legitimar e beneficiar o crime,barrando no nascedouro leis que poderiam desfavorecer ou prejudicar a atuação de grupos paramilitares. Elegeram vários representantes. O tráfico enveredou por caminho parecido. Em setembro do ano passado,o então deputado estadual Thiego Raimundo de Oliveira Santos,o TH Joias,foi preso numa operação das polícias Federal e Civil do Rio,acusado de atuar em favor do Comando Vermelho (CV),uma das maiores facções criminosas do país. Ninguém menos que o então presidente da Assembleia Legislativa do Rio,Rodrigo Bacellar,foi preso,acusado de ter vazado a TH Joias a operação que o tinha como alvo. TH retirou documentos e saiu de casa,mas acabou detido noutro local.

Nada indica que o crime organizado desistirá de ocupar instituições ou empresas do mercado formal. Traficantes,milicianos,corruptos e seus asseclas querem manter seus negócios,ocultar ganhos ilegais e ficar longe da vista dos órgãos de fiscalização e controle. Cabe à sociedade impedir que eles continuem usando a fantasia de cidadãos de bem para ajudar a quem deveriam combater. Não há outra resposta possível além de investigações rigorosas e operações sistemáticas de repressão com prisões,confisco,bloqueio de ativos e empresas fajutas. Além de imporem prejuízo às quadrilhas,servem para transmitir um recado a outros criminosos.

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