
Senhores das emendas: os ex-deputados Valdemar Costa Neto e Eduardo Cunha — Foto: Brenno Carvalho/15-10-2024 e Cristiano Mariz/6-4-2026
GERADO EM: 14/07/2026 - 22:50
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Eduardo Cunha foi cassado e preso,mas não largou o osso. Sem mandato desde 2016,o ex-deputado encontrou uma nova forma de roer o orçamento. Abocanhou emendas reservadas para parlamentares em exercício.
O contrabando foi descoberto pela Polícia Federal. Em ofício ao Supremo,os investigadores descreveram Cunha como “beneficiário direto de malfeitos”. O ministro Flávio Dino mandou bloquear R$ 6 milhões em bens do ex-deputado,que nega irregularidades.
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A PF cruzou dados e identificou 21 emendas terceirizadas para Cunha. Ele destinou o dinheiro a pequenas cidades no interior de Minas Gerais,sua nova base eleitoral. Em diálogo com uma operadora do esquema,o fundador da Jesus.com se mostrou impaciente com prefeitos recrutados para a barganha. “Não aguento mais esses mineiros enrolados”,queixou-se.
O pai de Dani Cunha não está sozinho. O chefão do PL,também se assenhorou de emendas alheias. Sem mandato desde 2013,ele destinou ao menos R$ 119 milhões a aliados. Ontem o ex-deputado definiu a prática como a “coisa mais natural do mundo”. “Eu faço sugestão,o líder assina se quiser”,disse à GloboNews.
Num dos casos rastreados pela PF,uma emenda de um deputado do Rio de Janeiro pagou o cachê de uma dupla sertaneja no interior de São Paulo. O show de Thaeme & Thiago custou R$ 280 mil. A grana foi torrada em Guaimbê,município de 5,5 mil habitantes cuja prefeita é ligada a Valdemar.
Na última década,o Congresso avançou com fúria sobre os cofres federais. Os parlamentares criaram regras para morder fatias cada vez maiores do dinheiro dos impostos. A novidade é a usurpação de emendas por políticos sem mandato.
O ministro Dino define a prática como “privatização do orçamento público”. O Congresso criou um mercadão de emendas,em que parlamentares passaram a se sentir livres para negociar suas cotas no varejo. No domingo,o deputado Hugo Motta reclamou dos bloqueios e acusou o Supremo de “tentar criminalizar a atividade política”. Pupilo de Cunha,o presidente da Câmara conhece bem o que defende.
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