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Controle sobre finanças, decisões e até política externa: Como secretário de Estado dos EUA governa a Venezuela à distância

Jul 14, 2026 entretenimento IDOPRESS

O atual secretário de Estado americano,Marco Rubio,durante audiência de confirmação no Senado,em 15 de jan. de 2025 — Foto: Eric Lee/The New York Times

RESUMO

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GERADO EM: 11/07/2026 - 17:00

Marco Rubio: A Influência dos EUA nas Finanças da Venezuela Após Maduro

Nos últimos meses,o secretário de Estado dos EUA,tem controlado as finanças e decisões políticas da Venezuela,após a captura de Nicolás Maduro. Rubio,a partir de Washington,exerce influência significativa sobre Delcy Rodríguez,atual líder interina,controlando receitas e impondo condições de gastos. Essa relação,criticada por explorar recursos venezuelanos,desafia a soberania e alimenta tensões políticas internas.

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O presidente dos Estados Unidos,Donald Trump,estava sentado no Salão Oval no início do ano com Marco Rubio quando teve uma ideia. Talvez devesse enviar o secretário de Estado permanentemente para Caracas,a capital da Venezuela,onde comandos americanos haviam realizado a mais celebrada conquista de política externa do segundo mandato de Trump: a captura de Nicolás Maduro,presidente do país.

Rubio poderia ser o próximo líder da Venezuela,sugeriu Trump. Embora assessores digam que ele estava brincando — e que costuma provocar Rubio sobre uma missão no exterior —,o fato é que Rubio não precisa se mudar. Ele já governa a Venezuela a partir de Washington.

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Nos seis meses desde que forças americanas arrombaram a porta do quarto de Maduro e o capturaram durante a madrugada,Rubio passou a exercer influência sobre a nação de uma forma que nenhum funcionário americano fazia desde 2003,quando Paul Bremer chegou a Bagdá para administrar o Iraque ocupado pelos EUA. Rubio agora controla,na prática,as finanças da Venezuela,a distribuição de seus recursos naturais e seu governo,segundo entrevistas com autoridades.

Embora não tenha visitado pessoalmente a Venezuela desde que os EUA assumiram o controle do país,Rubio está profundamente envolvido nas operações cotidianas do governo,mantendo contato constante com Delcy Rodríguez,que era vice-presidente de Maduro e agora lidera o país interinamente. Os dois trocam mensagens em espanhol pelo WhatsApp,compartilhando fofocas,felicitações de aniversário e selfies.

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Apesar do tom descontraído das conversas,a relação entre ambos está longe de ser uma parceria. Ela representa uma manifestação do poder americano na era Trump,na qual o vencedor leva tudo,independentemente da soberania e do direito internacional.

‘Cooperação renovada’

O controle direto sobre as receitas públicas da Venezuela,em especial,diferencia a influência de Washington no país daquela exercida sobre a maioria das outras nações dependentes de seu poder militar e financeiro. O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos recebe a receita proveniente da maior parte das exportações venezuelanas e,em seguida,repassa esses recursos gradualmente à Venezuela por meio dos bancos privados do país,numa relação semelhante à de mesadas.

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Rubio e sua equipe estabelecem as condições sobre como esse dinheiro pode ser gasto e por quem. O modelo permitiu ao secretário interromper alguns dos esquemas de corrupção — e traz benefícios a Caracas,que utiliza a proteção do Tesouro americano para receber receitas sem ser perseguido pelos inúmeros credores que cobram o pagamento de bilhões de dólares em dívidas em atraso. Mas o arranjo também deu a Rubio enorme poder de influência sobre Delcy,que depende desses recursos para pagar os trabalhadores e sustentar a moeda nacional.

Ele também supervisiona a aplicação das sanções americanas contra a Venezuela,decidindo quem pode fazer negócios no país e de que forma. Trabalhou para remodelar o setor petrolífero e ampliar o acesso de empresas americanas. Por sua vez,Delcy submete a ele importantes nomeações do governo,como a do ministro da Defesa.

Críticos de Trump acusam os EUA de explorar os recursos da Venezuela e de sustentar um governo autoritário ao manter praticamente intacta a estrutura comandada pelos aliados de Maduro. O arranjo também envolve Washington no destino de um regime profundamente impopular e não eleito,que enfrenta uma pressão crescente por mudanças políticas.

Rubio,o ‘vice-rei’

A postura adotada por Rubio na Venezuela representa uma mudança marcante para alguém que passou a carreira construindo a imagem de defensor da democracia na América Latina. Ele afirma que seu objetivo continua sendo uma eventual transição democrática. O desfecho da iniciativa na Venezuela,no entanto,poderá moldar o futuro político do secretário,enquanto Trump considera quem poderá sucedê-lo.

Trump e Rubio na Casa Branca: secretário de Estado prevê novas medidas para a próxima semana — Foto: ANDREW CABALLERO-REYNOLDS/AFP/16-7-2025

Rubio foi apelidado por outras autoridades de “vice-rei”,título dado aos poderosos governadores que administravam o Império Espanhol até que a Venezuela e a maior parte de suas demais províncias se rebelassem e conquistassem a independência no início do século XIX. À medida que Delcy começou a formar seu governo,o secretário interferiu em decisões importantes sobre cargos e a incentivou a afastar familiares e parceiros de negócios de Maduro. Ela cumpriu a orientação.

A maioria dos venezuelanos manifestou alívio com a queda de Maduro,mas assistiu,incrédula,ao governo Trump firmando uma aliança com grande parte dos chavistas. A inflação caiu,mas continua sendo a mais alta do mundo,e a moeda do país segue perdendo valor. Milhões de pessoas exigem novas eleições,aumentando a pressão sobre Rubio para ir além dos acordos econômicos e promover mudanças políticas. Investidores demonstram preocupação em aplicar recursos em um sistema que pode ruir a qualquer momento.

Ordens americanas

Antes dos terremotos que devastaram La Guaira em junho,Delcy vinha pedindo a Rubio maior autonomia financeira e o fim das sanções econômicas,para reduzir a pressão interna sobre seu governo. Rubio mostrou-se receptivo aos argumentos dela,mas o governo dos EUA não abriu mão do controle. O trabalho do secretário com a presidente interina provocou descontentamento entre alguns diplomatas de carreira dos EUA,venezuelano-americanos e aliados de Trump,que rejeitam a ideia de que a principal aliada de Maduro permaneça no poder.

Entenda: Terremotos na Venezuela impõem primeiro grande desafio a Delcy e à nova relação entre Caracas e EUA

Rubio e outras autoridades minimizaram essas preocupações,ressaltando que Delcy cumpriu praticamente todas as ordens emitidas pelo governo americano,especialmente as relacionadas às finanças do país. A Venezuela vende grande parte de seu petróleo por meio de um arranjo estabelecido pelo governo Trump.

A administração do republicano chega até mesmo a exercer controle sobre as aparições públicas e declarações de Delcy. Em maio,Rubio anunciou que ela viajaria à Índia antes de o governo venezuelano divulgar a informação,surpreendendo autoridades venezuelanas e diplomatas estrangeiros. E,quando o apresentador da Fox News Bret Baier procurou Delcy para convidá-la a participar de uma entrevista,ela respondeu que Trump precisaria aprovar. Trump gostou da postura e repetiu essa história diversas vezes,segundo fontes.

Quando os EUA atacaram o Irã,o ministro das Relações Exteriores da Venezuela,Yvan Gil,publicou uma condenação moderada à agressão. O governo Trump comunicou a Delcy que a publicação deveria ser removida e a advertiu para que não voltasse a apoiar publicamente adversários americanos. Gil apagou a postagem poucas horas depois,evidenciando que a Venezuela já não define sua política externa.

Reafirmação de Trump

Rubio descreveu os planos do governo para a Venezuela em três fases: recuperar a economia,estabilizar o país e conduzi-lo à democracia. Antes dos terremotos,autoridades americanas afirmavam que estavam na segunda fase,trabalhando para abrir a Venezuela ao investimento internacional. Para avançar nesse objetivo,altos integrantes do governo Trump viajaram ao país para se reunir com seus colegas venezuelanos e firmar novos acordos. Os anúncios resultantes,porém,limitaram-se a esboços otimistas de possíveis investimentos.

Pesquisa: Quase metade dos venezuelanos defende novas eleições após terremotos

O sucesso dos esforços para estabilizar a Venezuela depende em grande parte do investimento estrangeiro. Os investidores,permanecem cautelosos. O setor petrolífero está degradado e marcado pela corrupção,e o controle de Delcy sobre o poder é incerto. Os terremotos atrasaram as negociações para novos contratos de petróleo,mas Trump parece não demonstrar preocupação. Ele já sugeriu repetidamente que a Venezuela poderia se tornar o 51º estado americano.

Quem poderá liderar o país de forma mais permanente continua sendo uma incógnita. María Corina Machado,líder da oposição que vive no exílio,permanece como a política mais popular da Venezuela. Mas ela tem inimigos declarados entre integrantes das forças de segurança e das Forças Armadas venezuelanas,o que levou Rubio a contorná-la e escolher Delcy como a líder designada para o país.

Antes um firme apoiador de María Corina,Rubio se distanciou dela nos últimos meses. O esfriamento da relação entre o governo Trump e María Corina transformou-se em um rompimento aberto após os terremotos. Autoridades americanas se recusaram a ajudá-la a retornar à Venezuela por receio de provocar instabilidade.

Líder da oposição venezuelana,María Corina Machado. — Foto: Gabriela Oraa / AFP

O cronograma para a fase final do plano de Rubio para a Venezuela — a realização de eleições livres — continua indefinido. Quando o New York Times perguntou a Delcy,em maio,quando ela realizaria eleições,ela respondeu:

— Não sei. Em algum momento.

Analistas políticos afirmam que Delcy pode estar tentando ganhar tempo até o fim da presidência de Trump,na expectativa de que a pressão pela realização da votação diminua sob seu sucessor. Por enquanto,a decisão sobre quando haverá eleições não está nas mãos dela. Está nas de Rubio.

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