
Mauro Vieira e o vice-presidente chinês, Han Zheng — Foto: Marcelo Ninio/O Globo
GERADO EM: 01/06/2026 - 18:36
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No fim de 2014,Mauro Vieira mal teve tempo de fazer a mudança de Washington,onde servia como embaixador do Brasil,quando foi nomeado chanceler pela então presidente Dilma Rousseff. Tomou posse no início de 2015 e,menos de uma semana depois,desembarcava em Pequim. Na época,o ministro adotou um mote para impulsionar o início de sua gestão à frente do Itamaraty: “diplomacia de resultados”.
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Mais de 12 anos depois,Vieira está em Pequim para sua primeira visita independente como chanceler desde aquela,no gelado inverno da capital chinesa. Sob o governo Lula desde 2023,as relações entre Brasil e China se fortaleceram como nunca,enquanto o cenário mundial se tornou o mais incerto em décadas — o que de certa forma ajudou a aproximar ainda mais os dois países. Na atual visita,o mote de 2015 está implícito nos objetivos de Vieira,que busca não só ajustar a sintonia política com Pequim,mas obter resultados práticos,abrir portas aos negócios que interessam ao Brasil.
Em todos os encontros que manteve ontem em Pequim,um dos temas que se mantiveram no topo da agenda do ministro foi a ampliação do fornecimento de fertilizantes para o Brasil. Havia sido assim também nas viagens que ele fez no mês passado a Cazaquistão,Uzbequistão e Índia. A urgência da diplomacia dos fertilizantes aumentou com a guerra no Irã e a ameaça de bloqueio do Estreito de Ormuz,que elevou o preço do petróleo e dos fertilizantes,gerando risco de inflação e de insegurança alimentar.
Mais de 90% dos fertilizantes usados na agricultura brasileira são importados. Dois países respondem por metade desse montante,China e Rússia — que deve ser um dos próximos destinos de Vieira. O primeiro encontro do chanceler brasileiro em Pequim foi com o vice-presidente Han Zheng,chefe pelo lado chinês da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (Cosban). Vieira reiterou o convite para que Han vá ao Brasil ainda este ano,para que possa ser realizado o encontro da comissão. É o que prevê o cronograma da Cosban,principal mecanismo de diálogo entre os dois países.
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Nos bastidores,porém,a expectativa de que isso ocorra é baixa — os chineses alegam falta de espaço na agenda de seu vice. Mas sabe-se que eles relutam em participar de um evento no Brasil tão perto de uma eleição em que está em jogo a permanência do atual governo,com o qual Pequim mantém a parceria mais robusta em meio século de relações bilaterais. Na reunião,Han disse que a China está de olho nos próximos “50 anos dourados” de relações,repetindo a frase dita em 2024 pelo presidente Xi Jinping,em Brasília.



Casal de cisnes negros no lago da Diaoyutai,onde Mauro Vieira se reuniu com o chanceler chinês,Wang Yi — Foto: Marcelo Ninio/O Globo
Mauro Vieira esteve ainda com o ministro do Comércio,Wang Wentao,com quem discutiu temas multilaterais,principalmente a reforma da Organização Mundial do Comércio (OMC),e entraves bilaterais,como as salvaguardas chinesas impostas à carne bovina brasileira. O dia foi concluído em Diaoyutai,o pictórico parque que serve de residência a convidados de honra,onde o ministro se reuniu e jantou com o chanceler chinês,Wang Yi.
No banquete tradicional,com incontáveis pratos e vista para o lago,houve acordo em torno da necessidade de união diante das turbulências internacionais e das críticas a “um certo país” da América do Norte. No lado de fora,um casal de cisnes negros flutuava tranquilamente nas águas do lago,alheio às incertezas do mundo.
© Reportagem diária do entretenimento brasileiro