
Presidente da Rússia,Vladimir Putin,discursa durante a parada militar do Dia da Vitória,em Moscou — Foto: Vyacheslav PROKOFYEV / POOL / AFP
GERADO EM: 02/07/2026 - 15:32
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O presidente Vladimir Putin,da Rússia,está sob pressão. Nas últimas semanas,a Ucrânia levou a guerra para dentro da casa dos russos de novas maneiras,com ataques a refinarias e em Moscou,valendo-se de seus avanços na produção de drones e mísseis. Será que o aumento dos ataques ucranianos contra o território russo acabará por convencer Putin a pôr fim à guerra? Até o momento,a resposta parece ser não.
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Na quinta-feira,a Rússia lançou uma série de mísseis balísticos e drones contra Kiev,matando pelo menos 21 pessoas,no que pareceu ser a resposta imediata do Kremlin à pressão e o mais recente sinal de Moscou de que Putin está se mantendo firme.
Isso não significa que a campanha da Ucrânia não esteja tendo impacto.
Os ataques aéreos contra refinarias de petróleo russas causaram escassez de combustível em todo o país. O maior ataque com drones contra Moscou durante a guerra lançou enormes nuvens de fumaça negra sobre a capital russa no mês passado. Além disso,Kiev vem isolando gradualmente a Crimeia,a península do Mar Negro que o Kremlin anexou ilegalmente da Ucrânia em 2014,o que levou a cortes de energia,graves déficits de combustível e problemas no abastecimento de água na região.
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Os russos parecem estar cada vez mais frustrados com a guerra,à medida que enfrentam perspectivas econômicas piores,impostos mais altos,restrições à internet,greves em solo russo e um desgaste generalizado devido a um conflito que já dura mais tempo do que a Primeira Guerra Mundial.
Após dias de silêncio,Putin abordou as crescentes dificuldades em uma entrevista à imprensa estatal no domingo. Ele prometeu resolver os problemas de combustível e produzir mais sistemas de defesa aérea,mas também prometeu continuar a luta no campo de batalha.
Está longe de ser claro que a crescente insatisfação pública com a guerra na Rússia se traduzirá em um desafio político formidável para Putin,visto que ele estabeleceu um sistema autoritário e aumentou drasticamente a censura e a repressão em tempos de guerra.
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Alexander Gabuev,diretor do Centro Carnegie Rússia-Eurásia em Berlim,disse:
— As chances de a maré virar contra Putin existem,mas são de um dígito percentual. A pressão ucraniana torna isso mais provável,mas não acho que seja o cenário mais provável — acrescentou. — O cenário mais provável é que tudo continue com mais destruição e mais mortes em ambos os lados.
Os cálculos futuros de Putin dependerão,em parte,do alcance dos ataques aéreos ucranianos. Se a campanha aérea limitar ainda mais a capacidade da Rússia de travar guerra,destruindo fábricas de defesa e linhas de abastecimento,isso poderá forçar Putin a rever suas ambições.
Em seus comentários de domingo,Putin afirmou que a Ucrânia enfrenta uma grave crise de tropas,sugerindo que ele ainda acredita que precisa apenas resistir o tempo suficiente e continuar pressionando para que as defesas ucranianas entrem em colapso.
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— Diante da catastrófica escassez de pessoal,as Forças Armadas da Ucrânia aparentemente acreditam que isso pode ser a sua salvação — disse Putin. — Mas salvar o regime de Kiev não faz parte dos nossos planos.
Em seguida,Putin ofereceu uma longa descrição das posições no campo de batalha que,segundo analistas,empregavam algum tipo de matemática mágica,com o líder russo reduzindo regularmente pela metade as distâncias entre suas forças e as cidades ucranianas.
— Ele está mal-informado,ou mentindo,ou ambos — disse Gabuev. — Mas não importa,porque ele parece irredutível quanto a isso. Não acho que,neste momento,haja qualquer indício de mudança.
Se os ataques ucranianos representarem uma ameaça mais grave à vida das pessoas na Rússia e na Crimeia,isso também poderá incitar maior resistência na sociedade russa e dar voz aos russos belicistas. Há anos,eles argumentam que o Kremlin precisa adotar uma postura mais agressiva,destituir o presidente da Ucrânia,Volodymyr Zelensky,e recorrer a armas nucleares,se necessário.
Uma das surpresas mais marcantes do conflito é o quanto Putin esteve disposto a sofrer internamente para atingir seus objetivos de guerra.
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O conflito já isolou a Rússia da economia global,reverberou na região de Belgorod,criando uma zona de guerra dentro das fronteiras russas,e levou a um período de meses em que a Ucrânia ocupou parte da região de Kursk. Provocou um breve motim de mercenários que ameaçou Putin e resultou em cerca de 350 mil a 450 mil mortes de russos na linha de frente,além de uma vergonhosa retirada de Kiev no início da guerra.
Putin manteve-se firme em sua determinação.
Se Kiev conseguir manter a pressão sobre a Rússia durante meses e afetar a capacidade de Moscou de travar a guerra,isso será importante,disse Stefan Meister,analista da Rússia no Conselho Alemão de Relações Exteriores.
A campanha na Ucrânia já está forçando Putin a reagir,observou Meister,corroendo a crença dos russos de que podem vencer a guerra e de que sua liderança é capaz de realizar a tarefa.
Os ataques também prolongam o fardo militar de Putin num momento em que seus tecnocratas financeiros lutam para arcar com os custos crescentes da guerra sem causar consequências ainda mais negativas para a sociedade russa.
— A questão é: O que mudará a opinião de Putin? Quando o cálculo de custo-benefício começará a mudar fundamentalmente? — disse Meister. — Essa é uma pergunta que temos nos feito há anos. Com Putin,tenho minhas dúvidas,seja lá o que for,se ele vai parar.
© Reportagem diária do entretenimento brasileiro