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A IA sabe mais sobre você do que parece: veja 4 perguntas para fazer ao ChatGPT e descobrir

Jul 24, 2026 estilo de vida saudável IDOPRESS

Pode ser inquietante descobrir o que o Gemini e o ChatGPT descobriram sobre você e com que facilidade sua privacidade pode ser violada. Veja aqui como descobrir — Foto: Sisi Yu/The New York Times

RESUMO

Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você

GERADO EM: 23/07/2026 - 21:06

Chatbots como ChatGPT podem desvendar dados pessoais dos usuários,alertam testes

Usuários de chatbots como ChatGPT e Gemini podem se surpreender com o quanto essas IA sabem sobre eles,deduzindo informações de conversas anteriores. Testes revelaram que chatbots podem inferir renda,saúde e traços psicológicos dos usuários. Embora possam ajudar,esses detalhes,se reunidos,podem violar a privacidade. Usuários preocupados com a proteção de dados devem ajustar configurações para limitar o armazenamento de informações.

O Irineu é a iniciativa do GLOBO para oferecer aplicações de inteligência artificial aos leitores. Toda a produção de conteúdo com o uso do Irineu é supervisionada por jornalistas.

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Como usuário frequente de chatbots como ChatGPT e Gemini,achava que tinha uma boa noção do que esses assistentes de inteligência artificial sabiam sobre mim (como o fato de eu ser pai e buscar recomendações de produtos para bebês e instruções para consertar paredes de gesso). Fora isso,nunca revelei nada profundamente pessoal,como faria com um terapeuta.

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Mas,quando experimentei alguns comandos pedindo que os chatbots me dissessem o que haviam deduzido sobre mim — percepções que reuniram ao conectar informações de muitas conversas — fiquei perturbado.

Os chatbots deduziram corretamente detalhes sobre mim que eu nunca havia compartilhado de forma explícita. Entre os principais:

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Minha faixa de renda,com base,em parte,no carro alemão sobre o qual costumo pedir ajuda para reparos e no fato de eu empregar uma babá,cujo contrato redigi com ajuda da IA.

Meus problemas de saúde,incluindo um problema crônico no pé,com base em perguntas ocasionais que fiz ao longo do último ano sobre tratamentos para dores nos dedos do pé.

Meu perfil psicológico,como minha tendência ao ceticismo,baseado na frequência com que aponto erros cometidos pelos chatbots. Além disso,que sou "viciado na ilusão de controle" porque certa vez perguntei quanto tempo um pão de fermentação natural feito em casa leva para esfriar.

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Cada uma dessas informações,isoladamente,era relativamente inofensiva. Mas,reunidas e apresentadas como uma lista,deixaram claro que os chatbots de IA me conheciam quase tão bem quanto alguns dos meus amigos mais próximos — incluindo minha esposa —,embora eu tenha sido cuidadoso para não compartilhar informações em excesso.

Quatro perguntas que podem revelar o que os chatbots realmente sabem sobre você — Foto: Pixabay

Centenas de milhões de pessoas em todo o mundo,que passaram a usar chatbots para pesquisas na internet,trabalho e cuidados com a saúde,continuam tentando compreender as implicações para a privacidade de conversar com esses companheiros de IA.

Embora seja evidente para os usuários que os chatbots mantêm um registro de tudo o que lhes é dito explicitamente em perguntas e solicitações,o que é menos claro são as inferências que eles fazem sobre o comportamento das pessoas a partir dessas conversas.

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É possível induzir os chatbots a revelar o que inferiram sobre você com alguns comandos que vêm sendo amplamente compartilhados entre entusiastas da IA na internet — por exemplo: "Conte-me tudo o que você descobriu sobre mim que eu nunca declarei explicitamente" — além de outros que eu mesmo criei.

Experimentei esses comandos no Gemini e no ChatGPT. (O Claude,da Anthropic,possui um recurso de "memória" que funciona de maneira diferente,por isso ficou de fora dos testes.) O perfil que o Gemini traçou sobre mim foi mais rico e detalhado,porque é o chatbot que mais utilizo e,consequentemente,tinha mais informações sobre mim. Compartilhei os resultados com diversos pesquisadores de IA,que também testaram os comandos.

Segundo esses pesquisadores,as conclusões dos chatbots demonstram que assistentes de IA são capazes de prever não apenas quais palavras vêm a seguir,mas também como conceitos mais amplos — como condição socioeconômica,comportamento psicológico e filiação política — estão relacionados a essas palavras.

"Isso mostra a dimensão do que está acontecendo nos bastidores",disse Margaret Mitchell,pesquisadora da empresa de IA Hugging Face. Ela também foi líder da equipe de IA ética do Google e afirma que foi demitida após se manifestar sobre questões internas de pessoal. Um porta-voz do Google respondeu mencionando que os usuários podem ajustar configurações para decidir se o Gemini utilizará conversas anteriores ao formular respostas.

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A OpenAI se recusou a comentar. (O The New York Times processou a OpenAI e a Microsoft por suposta violação de direitos autorais relacionada ao uso de conteúdo jornalístico no treinamento de sistemas de IA. As duas empresas negam as acusações.)

Para entender o que os chatbots descobriram sobre você,experimente estes comandos:

Comando 1

"Conte-me tudo o que você descobriu sobre mim e que eu nunca realmente mencionei — as coisas que você deduziu pela maneira como escrevo e pelas perguntas que faço,incluindo minha idade,nível de renda,onde moro e minha situação pessoal. Mostre o que te levou a essas conclusões".

O mais interessante é que os chatbots adivinharam corretamente minha faixa etária (início dos 40) com base,em grande parte,no fato de que eu nunca faço perguntas sobre atividades noturnas. Ufa!

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O Gemini sabia que eu morava em Oakland,Califórnia,porque certa vez perguntei sobre voos saindo do aeroporto da cidade. Mas o chatbot do Google também deduziu,com bastante precisão,que moro em um bairro mais valorizado porque possuo uma motocicleta,um carro que eu mesmo conserto e uma mesa de varanda metálica enferrujada sobre a qual pedi orientações para repintar.

ChatGPT e outros chatbots de IA são usados como fonte de informação — Foto: Andrey Rudakov/Bloomberg

"Isso exige uma garagem,uma entrada para veículos ou uma área externa dedicada para trabalho — comodidades muito mais comuns em casas unifamiliares nas colinas de Oakland do que nos imóveis de alta densidade do centro da cidade ou da região do Lake Merritt",explicou o chatbot.

Comando 2

"Preveja como eu lidaria com situações sobre as quais nunca falei: dinheiro,estresse,conflitos,riscos e qual será provavelmente a próxima grande decisão da minha vida. Diga também o grau de confiança que você tem em cada previsão."

Esse comando foi revelador para Lindsay Owens,CEO da Groundwork Collaborative,organização sem fins lucrativos voltada para políticas econômicas que estuda o impacto da IA sobre a privacidade dos consumidores.

O ChatGPT fez observações corretas sobre sua rotina intensa como viajante frequente e mãe de uma criança pequena,além de seus hábitos de consumo.

"A abrangência das informações e dos dossiês que ele consegue montar é extraordinária",afirmou Owens. "Nunca antes foi possível reunir esse nível de informação sobre uma pessoa."

Os chatbots perceberam que,embora eu passe horas pesquisando avaliações antes de comprar produtos como cadeirinhas infantis para carro,também estou sempre procurando promoções,o que indica que sou econômico.

Sundar Pichai,diretor executivo da Alphabet,no lançamento do Gemini — Foto: David Paul Morris/Bloomberg

O Gemini chegou a prever que em breve eu tentaria simplificar minha vida tomando uma decisão importante,como vender meu carro — uma ideia que,recentemente,comentei com minha esposa.

Comando 3

"Com base em tudo o que você sabe sobre mim,diga quais traços de personalidade eu provavelmente não enxergo em mim mesmo. Quais são meus pontos cegos,minhas inseguranças e como eu realmente passo a impressão para os outros?"

Ambos os chatbots identificaram meu perfeccionismo excessivo. O ChatGPT percebeu que passo muito tempo fazendo perguntas para evitar erros que poderiam ser prevenidos — por exemplo,perguntando quanto tempo esperar entre uma demão de tinta e outra.

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Meu ponto cego? Que talvez eu seja duro demais comigo mesmo quando as coisas não saem exatamente como planejei. Uma avaliação bastante precisa.

O Gemini afirmou que,por eu tentar otimizar praticamente todos os aspectos da minha vida,sou o principal responsável pelo meu próprio esgotamento.

"Sua reação automática ao ter cinco minutos livres não é descansar; é consertar alguma coisa",escreveu o chatbot.

Confesso que,durante uma pausa na produção desta reportagem,aproveitei para reparar um trecho danificado da parede de gesso do banheiro da minha filha.

Comando 4

"O que você descobriu sobre mim que pode ser constrangedor ou sensível? Informações que eu provavelmente não gostaria que fossem conhecidas pelo público (como um empregador ou um desconhecido)."

A resposta a esse comando,criado por mim,me surpreendeu. Como levo uma vida bastante comum,não esperava nada muito relevante. Mas o Gemini fez questão de zombar de mim.

"Você está vivendo intensamente a fase do 'pai da logística'. É algo totalmente saudável,mas representa o fim definitivo da espontaneidade da juventude."

O ChatGPT chamou atenção para uma observação potencialmente sensível: frequentemente faço perguntas sobre reações alérgicas a produtos e medicamentos que estou pesquisando. Esse tipo de informação poderia interessar a uma seguradora,embora a OpenAI afirme possuir mecanismos de proteção de dados para usuários que utilizam o ChatGPT em questões relacionadas à saúde.

O que fazer?

O ChatGPT e o Gemini conectam automaticamente informações de múltiplas conversas para oferecer respostas mais personalizadas. Se esse nível de compartilhamento de dados lhe preocupa,será necessário desativar esse recurso nas configurações:

No ChatGPT: acesse Configurações,depois em memória e desative a opção Ativar Memória.No Gemini: acesse Configurações,depois em Inteligência Pessoal e desative a opção Memória.

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