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Novo líder supremo do Irã está mais disposto a desenvolver uma arma nuclear, diz inteligência dos EUA

Jul 28, 2026 estilo de vida saudável IDOPRESS

Homem passa por painel com imagens do aiatolá Ali Khamenei e de seu filho,Mojtaba Khamenei,nos subúrbios ao sul de Beirute — Foto: Anwar Amro /AFP

RESUMO

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GERADO EM: 27/07/2026 - 16:40

Novo líder iraniano Mojtaba Khamenei pode acelerar programa nuclear

A inteligência dos EUA aponta que o novo líder supremo do Irã,está mais inclinado a desenvolver armas nucleares do que seu predecessor,Ali Khamenei. Após a morte de Ali,Mojtaba,apesar de não defender publicamente a bomba,parece apoiar seu desenvolvimento,especialmente após ataques dos EUA e Israel. Informações sugerem que o Irã está preservando suas capacidades nucleares,o que poderia elevar as tensões na região.

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As agências de inteligência dos Estados Unidos acreditam que o novo líder supremo do Irã,o aiatolá Mojtaba Khamenei,tem muito mais interesse do que seu pai e antecessor em buscar uma arma nuclear,segundo autoridades informadas sobre as avaliações. O pai de Mojtaba,Ali Khamenei,morto no início da guerra em um ataque israelense com apoio da inteligência americana,havia renunciado ao desenvolvimento de armas nucleares. Embora autoridades dos EUA sustentassem havia muito tempo que a República Islâmica buscava manter capacidade para fabricar uma bomba atômica,muitos acreditavam que a resistência do aiatolá era genuína.

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Seu sucessor nunca defendeu publicamente que o Irã desenvolvesse uma arma nuclear. No entanto,as agências de inteligência americanas avaliam que Mojtaba Khamenei e o governo mais linha-dura que emergiu após EUA e Israel matarem muitos dos antigos líderes iranianos têm a ambição de desenvolver armamentos nucleares avançados.

O atual governo já trabalhou para ampliar seu controle sobre o Estreito de Ormuz e se mostrou um interlocutor difícil nas negociações. Se a guerra entre EUA e Israel tiver tornado Teerã mais,e não menos,propenso a desenvolver um arsenal nuclear,isso representaria mais uma grave consequência da morte do líder supremo e das iniciativas de mudança de regime inicialmente perseguidas pelo governo do presidente americano,Donald Trump.

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Autoridades americanas alertam que a maior parte das informações de inteligência sobre as posições de Mojtaba Khamenei foi obtida antes da guerra. Segundo elas,ele ficou gravemente ferido na fase inicial do conflito e,desde então,reduziu suas comunicações e aparições públicas tanto em razão dos ferimentos quanto para evitar ser alvo de um ataque aéreo.

As avaliações indicam que ele continua no comando do governo,mas não exerce a autoridade absoluta nem a influência que seu pai teve durante os mais de 36 anos em que liderou o país.

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A avaliação ocorre em um momento em que Trump considera intensificar a campanha militar contra o Irã. A conclusão de que o líder supremo pode estar disposto a buscar uma bomba atômica daria um argumento adicional para uma escalada do conflito.

Embora autoridades americanas insistam que Teerã ainda não tomou medidas para reiniciar seu programa nuclear,o Irã adotou algumas iniciativas para preservar seus ativos nucleares após os ataques dos EUA às principais instalações nucleares no ano passado ou durante as pausas nos combates da guerra atual.

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Segundo autoridades americanas,o Irã transferiu ao menos parte de suas centrífugas para um complexo subterrâneo altamente fortificado no centro do país,conhecido pelos EUA como Montanha da Picareta. O Wall Street Journal noticiou na semana passada que a inteligência israelense havia monitorado o deslocamento desses equipamentos.

Embora essa movimentação possa representar um primeiro passo para reconstruir a capacidade de enriquecimento de urânio,autoridades dos EUA afirmam acreditar que,por enquanto,o objetivo do Irã é preservar parte de seus equipamentos,deslocando-os para fora do alcance das bombas americanas.

Instalações nucleares seguem preservadas

Em junho de 2025,Trump ordenou que as Forças Armadas dos EUA realizassem ataques contra três instalações nucleares estratégicas do Irã. Bombardeiros furtivos B-2 lançaram as maiores bombas convencionais do arsenal da Força Aérea americana sobre duas delas,Fordow e Natanz. Uma terceira instalação,em Isfahan,foi atingida por mísseis Tomahawk.

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Trump afirmou imediatamente que a operação militar havia destruído completamente as instalações,mas as avaliações iniciais da inteligência foram bem mais cautelosas e indicaram que o programa nuclear iraniano havia sido atrasado apenas por alguns meses.

A instalação nuclear localizada na Montanha Picareta não foi alvo dos ataques realizados no verão passado. Além disso,trata-se de um alvo muito mais difícil para as Forças Armadas americanas. Segundo diversas autoridades dos EUA,as instalações subterrâneas estão escavadas profundamente sob uma montanha,além do alcance até mesmo das bombas convencionais mais potentes do arsenal americano.

Depois de avaliar os danos provocados na instalação nuclear de Fordow,os iranianos compreenderam a profundidade que as armas americanas conseguem atingir e passaram a acreditar que os túneis ainda mais profundos da Montanha Picareta estão protegidos contra ataques aéreos convencionais.

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Ainda assim,o Irã teme que forças americanas possam realizar uma operação de comando contra o complexo,empregando tropas terrestres para invadir e destruir a instalação por dentro. Agências de inteligência dos EUA relataram que o país deslocou tropas terrestres para a Montanha Picareta justamente para dissuadir esse tipo de incursão.

Na semana passada,Trump ameaçou atacar o complexo,chamando-o de "um possível alvo para um belo e enorme ataque bem na porta de entrada".

O presidente também afirmou que os EUA não observaram atividades no local,em referência,segundo autoridades,ao fato de que o Irã não retomou o enriquecimento de urânio nem outras atividades nucleares,apesar de ter transferido equipamentos para a instalação.

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Autoridades americanas se recusaram a comentar os planos para um eventual ataque ao complexo e disseram que Trump recebeu uma ampla gama de opções militares e de possíveis alvos. Segundo vários integrantes do governo,seria imprudente prever quais objetivos o presidente poderia autorizar.

Apesar dos erros cometidos pelos EUA durante a guerra contra o Irã,os danos causados às instalações nucleares iranianas — especialmente pelos ataques realizados no ano passado — conseguiram ao menos interromper temporariamente o avanço do programa nuclear.

As agências de inteligência avaliaram que os danos teriam atrasado o programa em apenas seis meses caso os iranianos tivessem imediatamente iniciado os reparos das centrífugas ou retomado o enriquecimento em outras instalações. No entanto,segundo autoridades americanas,isso não ocorreu,e o Irã não desobstruiu rapidamente as instalações nem reiniciou o enriquecimento em outros locais.

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Ainda assim,os principais elementos necessários para fabricar uma bomba — sobretudo o estoque iraniano de urânio altamente enriquecido — permanecem intactos e acessíveis a Teerã.

Ali Khamenei havia emitido uma fatwa (decreto religioso) proibindo o uso de armas nucleares pelo Irã,posição comunicada publicamente à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) em 2005.

Essa fatwa,contudo,tinha limitações. Embora proibisse o uso de uma bomba nuclear,ela não impedia o governo de desenvolver seu programa nuclear nem de avançar em etapas relacionadas à fabricação de armamentos. Mesmo após sua emissão,setores mais linha-dura do governo iraniano defendiam que o país mantivesse capacidade para desenvolver rapidamente uma arma nuclear.

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Com base em declarações públicas e em conversas interceptadas antes da guerra,autoridades da inteligência americana concluíram que Mojtaba Khamenei não compartilhava da hesitação do pai e demonstrava interesse em desenvolver um armamento nuclear avançado.

No fim do governo do presidente Joe Biden,autoridades dos EUA afirmaram que o Irã estudava formas de desenvolver uma arma nuclear mais rudimentar,semelhante às bombas lançadas sobre Hiroshima,que seria difícil de transportar,mas serviria como elemento de dissuasão.

Segundo autoridades americanas,o novo líder supremo considera esse tipo de armamento menos útil e parece apoiar o desenvolvimento de uma ogiva termonuclear que possa futuramente ser miniaturizada e instalada em um míssil de longo alcance.

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Em suas declarações públicas,Mojtaba prometeu preservar as capacidades nucleares do Irã,mas nunca falou diretamente sobre a necessidade de obter uma arma nuclear. Ele também se distanciou do acordo firmado entre EUA e Irã em junho,segundo o qual Teerã não buscaria desenvolver uma arma atômica. O aiatolá afirmou que autorizou o acordo,mas que não concordava com ele "como uma questão de princípio".

Rosemary Kelanic,diretora do programa para o Oriente Médio do centro de estudos Defense Priorities,que adota uma postura crítica em relação às intervenções militares americanas,afirmou que a guerra e o recente anúncio de que os EUA podem ajudar a Arábia Saudita a construir instalações de enriquecimento de urânio tornam "significativamente mais provável" que o Irã decida buscar uma arma nuclear.

— O Irã agora tem um incentivo muito maior para desenvolver armas nucleares como forma de dissuadir futuras tentativas dos EUA ou de Israel de derrubar o regime ou o Estado iraniano,o que significa que a guerra acaba sendo contraproducente em relação ao seu objetivo declarado de impedir a proliferação nuclear iraniana — afirma.

Segundo autoridades americanas,integrantes do governo iraniano que,em debates internos,defendiam que apenas uma arma nuclear poderia impedir um ataque israelense ou americano acreditam que sua posição saiu fortalecida após a guerra.

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