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Ciro Gomes e ACM Neto apostam na segurança pública para desgastar governadores petistas

Aug 21, 2026 estilo de vida saudável IDOPRESS

Ciro Gomes (PSDB),Elmano de Freitas (PT),ACM Neto (União) e Jerônimo Rodrigues (PT) — Foto: Reprodução

Enquanto desafiam governadores petistas postulantes à reeleição,Ciro Gomes (PSDB) e ACM Neto (União) apostam na segurança pública como principal mote de campanha no Ceará e na Bahia,respectivamente. O destaque a essa área,que pesquisas apontam como principal preocupação da população de ambos os estados,representa uma forma de desgastar as gestões de Elmano de Freitas e Jerônimo Rodrigues sem nacionalizar a eleição.

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A estratégia é adotada diante da força do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Nordeste. Tanto Ciro quanto ACM Neto buscam atrair o eleitor lulista e descartaram apoiar o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL),ao menos em um primeiro turno.

Cientista político da Universidade de Brasília (UnB),Murilo Medeiros avalia que “lei,ordem e segurança são o tripé de desgastes” dos governos petistas,sobretudo entre os eleitores de baixa renda. O pesquisador defende que este campo configura um terreno favorável para estadualizar a eleição,uma vez que as polícias Civil e Militar estão sob o comando dos entes federativos.

— Na percepção do eleitor,existe uma associação muito direta entre violência,policiamento e governo estadual. A segurança é,portanto,o instrumento que ACM Neto e Ciro encontraram para manter o debate dentro das fronteiras da Bahia e Ceará. Permite cobrar diretamente Jerônimo e Elmano sem transformar Lula no alvo principal — avalia Medeiros.

A rodada mais recente da pesquisa Genial/Quaest,publicada em julho,mostra que a violência é enxergada como maior problema do estado tanto pelos cearenses quanto pelos baianos. No Ceará,essa é a percepção de 53% dos moradores. Já na Bahia,esse é o entendimento de 42%.

Em ambos os estados,a percepção sobre a violência é mais acentuada,numericamente,entre eleitores de direita não bolsonarista (78% no Ceará e 55% na Bahia) e de esquerda não lulista (61% e 52%,respectivamente).

Promessas no Ceará

Ciro tenta evitar a sexta vitória consecutiva do grupo petista na disputa pelo Palácio da Abolição. O plano de governo do tucano afirma que o Ceará enfrenta “domínio territorial de facções,infiltração do crime organizado em instituições e substituição da autoridade do Estado pelo poder armado”.

Entre as propostas de Ciro para o campo está o fortalecimento de forças estaduais de segurança — com melhores condições de trabalho,inteligência policial e tecnologia. O tucano também promete a construção de uma rede estadual integrada de segurança,que conecte as câmeras do estado e permita reconhecimento facial.

Contra o crime organizado,Ciro afirma que os criminosos serão "capturados,responsabilizados e isolados em unidades de alta segurança,sem condições de continuar transmitindo ordens de dentro dos presídios". Outra promessa é a ampliação de vagas e modernização do sistema prisional.

O plano de governo de Elmano,por sua vez,propõe a consolidação de uma política estadual de prevenção à violência,fortalecendo a atuação conjunta com municípios. Também defende a modernização do sistema de segurança,o investimento em inteligência policial e o policiamento especializado.

O petista aponta que atuará para modernizar o 190,reduzindo o tempo de resposta aos chamados de emergência e otimizando o uso da força policial por meio de dados em tempo real. A modernização do sistema penitenciário também está entre as promessas do atual governador.

Propostas na Bahia

ACM Neto faz menção ao tema até no slogan de campanha: "mudança com segurança". O plano de governo do carlista afirma que a "Bahia cansou de ter medo” e fala em “abandono,efetivo policial encolhendo,inteligência criminal desmontada e crime organizado crescendo" nos últimos 20 anos. O PT comanda o Palácio de Ondina desde 2007.

O ex-prefeito de Salvador promete a criação de uma governadoria da segurança,em que o governador passa a comandar o setor. No campo carcerário,afirma que fará o bloqueio de comunicação e vigilância aérea sobre as unidades prisionais,além do isolamento de lideranças criminosas em regime de segurança máxima.

O carlista também defende o investimento em inteligência e em grupos especializados em crimes rurais,assim como atuar com tolerância zero à violência de gênero.

Já Jerônimo promete a ampliação do Programa Bahia pela Paz,"articulando e integrando ações policiais com ações de garantia de direitos e cidadania". O plano de governo petista fala também na ampliação do uso tecnológico e no fomento de políticas de proteção aos grupos vulnerabilizados.

A intensificação do enfrentamento às organizações criminosas por meio de ações integradas de forças estaduais e da cooperação com a União está entre as propostas. A modernização de estruturas de polícia,a ampliação do sistema penitenciário e a melhoria das condições de trabalho também são citadas no programa de governo.

Crescimento de facções no Ceará

O cenário cearense na última década foi amplamente impactado pela ocupação de periferias por quatro grandes facções. A população teve a vida atravessada por conflitos entre grupos de capilaridade nacional,como Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando Capital (PCC),e os locais Guardiões do Estado (GDE) e Massa Carcerária.

Há um ponto de virada no segundo semestre de 2025,explica o professor da Universidade Estadual do Ceará (Uece) Artur Pires. O pesquisador aponta que o CV passou a ter hegemonia na região metropolitana de Fortaleza e outras áreas do estado,o que contribui para a redução de confrontos e,por consequência,uma queda de homicídios.

— O governo Elmano tem defendido que a redução é fruto de suas políticas públicas,mas vem fazendo apenas mais do mesmo. Não tomou nenhuma medida que levasse a uma redução significativa nos últimos meses — afirma Pires,que completa: — Ao mesmo tempo,Ciro se aproveita do que era o Ceará. Ele bate na tecla de forma populista,porque o grupo político com o qual ele está envolvido nunca apresentou propostas de uma mudança significativa na segurança pública.

A campanha de Elmano defende que resultados de redução da violência no Ceará já “estão aparecendo” e,por isso,um eventual novo mandato do governador seguirá as mesmas diretrizes adotadas nos últimos quatro anos.

— Houve investimento na contratação de mais policiais,inteligência e tecnologia. Um exemplo é a implementação do uso de Inteligência Artificial para prender criminosos. Já nosso adversário (Ciro) não tem nenhuma moral para falar sobre segurança. Ele tem aliados cuja única participação no campo foi atuar por motins de policiais — afirma Chagas Vieira,coordenador da campanha de Elmano.

Já aliados de Ciro afirmam que a gestão de Elmano utiliza táticas de enfrentamento à criminalidade defasadas,que não acompanharam as mudanças na atuação de facções no Ceará.

— Nosso governo atuará para restaurar a autoridade,disciplina e ordem na força pública. Isso parte do governador,que tem que mostrar urgência,prioridade e liderança,o que foi perdido no estado. Vamos apostar em inteligência e tecnologia,nesse contexto em que o domínio territorial passou a ser a principal atividade de facções — afirma Roberto Cláudio,candidato a vice e membro da equipe de elaboração do plano de governo.

Letalidade policial na Bahia

A letalidade policial está entre os gargalos do poder público baiano. O estudo “Pele alvo”,da Rede de Observatórios da Segurança,mostra que a Bahia foi o estado com mais mortes em 2025,com 1.570 ocorrências.

Para o sociólogo Luiz Cláudio Lourenço,professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA),a segurança pública é o “calcanhar de Aquiles” dos governos petistas na Bahia. O pesquisador avalia que o uso intensivo de força para o combate do varejo de drogas em comunidades acelera a disputa entre facções por espaço e contribui para o crescimento da letalidade por policiais.

— É como um grande faroeste. O governo Jerônimo tenta reverter o cenário,mas não consegue. É um problema sistêmico: se há alto investimento ao longo do tempo em uma força militarizada que não vai às ruas,o que fazer com ela? — afirma Lourenço.

Se considerada apenas a região metropolitana de Salvador,foram registrados entre janeiro e o dia 19 de agosto deste ano 450 tiroteios,332 mortos e 92 feridos em ações policiais. Os dados foram coletados pelo Instituto Fogo Cruzado.

A campanha de Jerônimo afirma que o tema é alvo da oposição "porque tentam usar o medo como objeto da disputa eleitoral".

"De forma leviana,ignoram que segurança não é um problema de um ou outro estado isolado,mas algo de dimensão nacional e até internacional",diz em nota.

Procurada,a equipe de ACM Neto não se manifestou.

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