
O senador Jaques Wagner — Foto: Roque de Sá / Agência Senado
GERADO EM: 22/06/2026 - 19:55
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A possível saída de Jaques Wagner (PT-BA) da liderança do governo no Senado após a operação da Polícia Federal que expôs as relações dele com o Banco Master abriu as conversas na bancada sobre e eventual substituição. Uma reunião na quarta-feira entre Wagner e o presidente Lula deve definir o destino do parlamentar,e os senadores Camilo Santana (PT-CE) e Teresa Leitão (PT-PE) são cotados caso a mudança ocorra.
Integrantes da cúpula do PT e do entorno de Lula dão como certa a troca,mas Wagner ainda resiste. A avaliação de governistas é que a permanência dele no cargo dá munição ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ),principal rival de Lula na eleição.
O caminho que pode ser adotado por Wagner é pedir licença da liderança do governo,abrindo caminho. Ex-ministro da Educação,Camilo é apontado por parte do PT como o melhor nome por conta da interlocução política com Lula e também com o presidente do Senado,Davi Alcolumbre (União-AP). O ex-ministro se aproximou do presidente da República durante a terceira gestão presidencial de Lula.
Além disso,mesmo em momentos de distanciamento entre Lula e Alcolumbre,acentuado desde o final do ano passado por conta da queda de braço pela nomeação no Supremo Tribunal Federal,Camilo manteve proximidade com o presidente do Senado e chegou a acompanhá-lo em inaugurações de equipamentos da área de educação no Amapá.
No entanto,há uma avaliação de que o ex-ministro da Educação não poderia assumir o cargo porque ele precisa focar nas articulações das eleições. Há um entendimento de que Camilo precisará ficar muito tempo no Ceará para evitar que o governo do estado saia das mãos do PT.
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O ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) tem ameaçado o projeto de reeleição do governador Elmano de Freitas (PT). O próprio nome de Camilo é citado como possibilidade de candidato a governador caso Ciro cresça nas pesquisas e consolide um favoritismo.
Por conta disso,o entendimento é que a líder do PT na Casa,Teresa Leitão,pode ser um nome melhor para assumir a tarefa de substituir Wagner. O mandato dela como senadora vai até 2030 e ela teria mais disponibilidade para ficar em Brasília nesta reta final das sessões do Congresso antes das eleições.
Apesar da indefinição,aliados do governo não veem uma disputa que divida o partido para a definição do cargo. Há um entendimento que a função neste momento está esvaziada por conta da proximidade das eleições e que qualquer senador do PT poderia exercer a função.
O governo ainda deseja votar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que dá fim a escala de trabalho 6x1,mas o entendimento é que o andamento dessa medida se dará por um diálogo direto entre Lula e Alcolumbre.
Na semana passada,Wagner foi alvo de mandados de busca e apreensão da Polícia Federal que investigam suspeitas de que ele teria recebido 'vantagens indevidas' para favorecer os interesses do banco Master.
O entendimento de governistas é que,toda vez que ele fizer um encaminhamento ou até dar qualquer discurso no Senado na condição de líder do governo,será uma maneira de trazer o caso Master para perto de Lula.
Também foram feitas críticas à maneira como Wagner respondeu às perguntas de uma entrevista à BandNews na quinta-feira. Integrantes do partido se queixaram que o senador expôs Lula ao mencionar que ele procurou Jaques Wagner para conversar e trouxe ainda mais para perto do presidente o escândalo. Lula ainda não comentou publicamente sobre o caso.
Uma declaração do senador,quando disse que Lula já enfrentou casos piores,provocou insatisfação no entorno do presidente e em diversos integrantes do PT.
— Ele (Lula),já teve até problemas maiores do que esse,como eu tive,mas ele muito pior,porque foi preso — disse o senador na entrevista.
Flávio Bolsonaro usou trechos da entrevista de Wagner,inclusive essa fala,para associar o escândalo de Master a Lula.
Mesmo com a insatisfação,a cúpula do partido diz confiar que Wagner vai provar sua inocência e que a legenda vai dar estrutura para ele fazer sua defesa política,além de contar com o apoio para a campanha de reeleição ao Senado.
Há um entendimento de aliados do governo de que o escândalo do Master ainda tem mais potencial de desgastar Flávio do que Lula. Petistas citam que o próprio Flávio já teve relações com Daniel Vorcaro,dono do Master,expostas,e que,no caso da campanha do PT,o que apareceu foi uma relação envolvendo um senador do PT,não do candidato à Presidência.
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