
Presidente da China,Xi Jinping — Foto: Brendan SMIALOWSKI / POOL / AFP
GERADO EM: 22/06/2026 - 20:16
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Quando o presidente dos Estados Unidos se sente compelido a manifestar gratidão aos líderes chineses só por não terem feito nada,é sinal de que algo de fato mudou na ordem mundial. O aceno de Donald Trump a Pequim foi uma dose extra de humilhação para os EUA no acordo de cessar-fogo com o Irã,com um travo amargo de derrota na competição geopolítica global.
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E foi especialmente simbólico por ocorrer na cúpula do G7,o clube das potências industriais que tem na ascensão da China um de seus grandes desafios. Trump agradeceu ao líder chinês,Xi Jinping,por ter ficado “totalmente neutro” na guerra com o Irã. De quebra,estendeu o agradecimento a outro rival-mor do Ocidente,o russo Vladimir Putin. “Eles poderiam ter dificultado muito as coisas para nós”,disse Trump no balneário francês de Évian-les-Bains,sede da reunião.
Como é habitual com o presidente americano,o agradecimento conteve uma pitada de autopromoção. Afinal,assim Trump pôde vender a versão de que ele foi o responsável por obter a “ajuda” da China na conversa que teve com Xi em sua recente visita a Pequim. Há outras formas de interpretar o comportamento chinês. Para começar,a neutralidade é relativa.
Uma das expectativas na visita de Trump a Pequim era de que ele convencesse os chineses a cortar a importação de petróleo do Irã para estrangular o regime dos aiatolás,o que não ocorreu. Além disso,jogar parado é estratégia em benefício próprio para a China,não uma concessão a Washington. Enquanto os EUA dilapidam sua reputação e seus cofres na campanha militar contra o Irã,Pequim se consagra como referência diplomática,com visitas em sequência de Trump e Putin.
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O agradecimento a Xi coroou essa posição. O roteiro “captura a essência da estratégia de Pequim: uma demonstração de poder que não requer ostentação”,descreve o analista Wenran Jiang,no jornal South China Morning Post. Se o desfecho da guerra no Irã é incerto,tudo indica que a China estará no lado vencedor,com a influência em alta e sem risco de perder um parceiro no poder em Teerã.
Enquanto preserva sua influência na Ásia,no outro lado do mundo a China contabiliza danos. A eleição na Colômbia sinaliza uma perda significativa para Pequim,que contava com um parceiro leal em Gustavo Petro. Com a vitória do advogado ultradireitista Abelardo de la Espriella,a Colômbia ensaia uma guinada de volta para a esfera de influência dos EUA.
A mudança de ares em Bogotá reforça uma virada na América Latina,com inevitável repercussão para a disputa por influência Washington-Pequim. Além da Colômbia,eleições recentes na região levaram ao poder governos com inclinação para a direita em outros cinco países — Chile,Bolívia,Equador,Honduras e Costa Rica — com chances de chegar a seis no Peru. Em todos,a China sai perdendo,num sinal de que a expansão de investimentos e comércio não assegura ganhos políticos. Nesse sentido,a eleição no Brasil é a bola da vez nas preocupações latino-americanas de Pequim.


Em maio,o colombiano Sergio Cabrera foi premiado pelo governo chinês com a medalha “Excelência Diplomatica”. Ex-guerrilheiro maoista e cineasta premiado,foi escolhido a dedo por Petro para representar o país numa nova era de parceria com a China. Com a reviravolta,Cabrera deve voltar ao cinema,com uma história de amor envolvendo Colômbia e China. Ao menos nesse caso,ele será o dono do roteiro.
© Reportagem diária do entretenimento brasileiro