
Ursos comprados por Michele Montenegro em nome de ONG de São Paulo — Foto: Reprodução
GERADO EM: 03/06/2026 - 22:20
O Irineu é a iniciativa do GLOBO para oferecer aplicações de inteligência artificial aos leitores. Toda a produção de conteúdo com o uso do Irineu é supervisionada por jornalistas.
CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO
Acusada de aplicar um golpe de R$ 10 milhões em obras de arte e dinheiro,Michele Coelho Montenegro também é suspeita de praticar estelionato contra um ateliê paulista e a ONG Associação e Projeto Social Moradores de Rua e Seus Cães,que atua na ajuda a pessoas em situação de vulnerabilidade. Ela teria usado os dados da instituição para comprar ursos de pelúcia personalizados que foram colocados à venda em sua ONG,no Rio de Janeiro.
Conheça falsa advogada,presa por suspeita de fraude milionária em obras de arte,que frequenta alta sociedadeCaso Henry: 'Jairo é psicopata severo e Monique narcisista',afirma promotor em décimo dia de julgamento
Michele Montenegro se apresenta responsável por duas ONGs no Rio: a Favela Lixo Zero,que atuava em causas ambientais,e a De Volta Ao Lar,que trabalha auxiliando pessoas em situação de rua a retornar para casa. A partir desta última,Michele fez contato com a ONG paulistana Associação e Projeto Social Moradores de Rua e Seus Cães para desenvolverem projetos juntos.
Após algumas ações em conjunto,ela viajou à São Paulo e conheceu o diretor-presidente da ONG Projeto Social Moradores de Rua e Seus Cães,Eduardo Leporo. Para aumentar a credibilidade,ele conta que Michele se apresentou e disse ter diversos contatos na mídia carioca,que a permitiria conseguir fazer mais campanhas de arrecadação.
Em 2020,Michele teria usado documentos e o nome da ONG paulistana para comprar ursos e ovelhas de pelúcia de um ateliê. Ela encomendou mais de 100 unidades de cada animal para serem entregues em sua casa em Copacabana,na Zona Sul do Rio,e não pagou pelas pelúcias. Os bonecos eram customizados com uma frase e logotipo da ONG De Volta Ao Lar bordados na camisa. A empresa,sem saber que ela não tinha ligações formais com a ONG de São Paulo,registrou a dívida em cartório.
Continuar Lendo
Família se despede de menino de 12 anos morto por bala perdida enquanto brincava na Pavuna
Leporo conta que só descobriu a existência da dívida quando deu entrada em um processo para conseguir um certificado internacional da ONG,mas foi negado por causa da dívida.
— Ela pegou até uma tenda de plástico nossa e nunca devolveu. Os advogados tentaram entender e descobriram a compra que ela fez. Mas conseguimos fazer um acordo com a empresa,que tirou o protesto da dívida — conta Leporo.
Nas redes da ONG De Volta Ao Lar o urso de pelúcia é vendido em um kit de R$ 300 com outra pelúcia de ovelha,uma caneca e uma camisa.

Kit a venda com as pelúcias — Foto: Reprodução
Michele Montenegro é uma mulher discreta. Pessoas de seu círculo de relacionamentos não sabem ao certo qual é a sua profissão. Alguns dizem que é advogada,mestra e até defensora pública. Na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB),ela possui um registro de estagiária já cancelado. Outros garantem que ela é bióloga ou médica,como era o pai,o vice-almirante Marco Antonio Montenegro,que morreu de Covid-19,aos 81 anos,em 2021.
Polícia investiga suspeita de fraude em testamento de empresário morto que tinha patrimônio estimado em mais de R$ 1 bilhão
Em outubro,Michele foi nomeada como assessora do gabinete do ex-secretário da Casa Civil Nicola Miccione. Ela teria se apresentado como advogada e dona de um projeto social voltado ao meio ambiente. Com o nome de Mia Montenegro,foi contratada,então,para gerir,segundo o governo do Rio,um projeto de educação ambiental e economia circular,voltado para os Palácios Guanabara e Laranjeiras,chamado Palácio Verde,com ênfase em sustentabilidade. De acordo com o governo,“ela foi nomeada quando ainda não existiam os procedimentos de compliance para nomeações”. Apesar das suspeitas de que funcionários fantasmas eram nomeados na pasta,Michele era assídua e “bem convincente”,diz uma pessoa que acompanhou o trabalho dela. Ela ainda recebia R$ 12 mil líquidos e tinha um carro à disposição.
O perfil pessoal de Michele nas redes é restrito,mas seguido por diversas autoridades,e,no Whatsapp,ela se apresenta como “representante do governo”. No Instagram,possui um perfil recém-aberto em que escreve frases. Há menos de um mês publicou que os “requisitos para o crime e para o amor são os mesmos: estar disposto a perder tudo”.
Em nota,a defesa de Michele diz que ela é “mais uma vítima nos fatos investigados e isso será provado sem dificuldade”. O advogado Paulo Gomes Rangel Neto afirmou ainda que busca o acesso aos autos para “que tudo seja esclarecido e ela volte à liberdade a que tem direito”.
© Reportagem diária do entretenimento brasileiro