
El Niño: inverno derruba preços de aparelho,que podem ter disparada durante aumento de temperaturas — Foto: Beatriz Orle / Agência O Globo
O verão deve chegar mais cedo neste ano com a previsão de ondas de calor antes do previsto pelos meteorologistas como consequência do fenômeno climático El Niño.
Com as temperaturas mais baixas do inverno,os preços de aparelhos de ar-condicionado estão em baixa,abrindo uma oportunidade para quem quer se preparar para o calorão que especialistas estão prevendo para esta segunda metade do ano.
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De acordo com o monitoramento de preços da Confi Neotrust,que rastreia os valores apresentados por lojas na internet,os aparelhos de refrigeração de ar registram descontos de 14% a 17% nos preços na comparação com o registrado em 2025.
Os aparelhos de 12 mil BTUs,mais populares e que representam quase a metade da fatia das vendas de ar-condicionado na internet,registram redução de 14,9% no preço médio.
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A variação dos preços
Potência do aparelho (BTUs) Variação média de preços 9 mil -15,3% 12 mil -14,9% 18 mil -17% 24 e 30 mil -14,3%
Fonte: Confi/Neotrust,comparação entre 1º sem/2025 e 1º sem/2026
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Com as altas temperaturas que podem afetar o centro-sul do país antes do previsto por conta do El Niño,a demanda pelos aparelhos pode aumentar,fazendo os preços dispararem. A indústria pode ter dificuldade de acompanhar o crescimento dos pedidos com tanta rapidez,dizem representantes do setor:
— O setor depende muito da intensidade e da persistência do calor nos principais mercados consumidores. Quando o clima é menos favorável para a compra,como está acontecendo neste inverno,com as temperaturas mais amenas,parte do consumidor adia a decisão — avalia Jorge Nascimento,presidente da Eletros,que representa as principais marcas de eletroeletrônicos do Brasil.
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Os preços em baixa também são reflexo de estoques ainda cheios,diz Toríbio Rolon,diretor de Economia da Associação Brasileira de Refrigeração,Ar-condicionado,Ventilação e Aquecimento (Abrava).

Aparelhos de ar-condicionado enfileirados na fachada de um prédio em São Paulo: calor eleva procura por produto — Foto: Edilson Dantas/Agência Globo
Ainda que a demanda possa aumentar num futuro próximo,o custo financeiro do produto no estoque cria um gargalo para o revendedor. Ele afirma que a taxa de juro no atual patamar — hoje a Selic está em 14% — ainda restringe o distribuidor a aumentar as compras para revenda:
— Se reduz a demanda,os principais clientes compradores dizem “tenho estoque,prefiro aguardar”. Quando o empresário compra hoje,mesmo que ele seja faturado em 150 dias,estamos falando de um estoque que custa quase 2% ao mês— diz ele sobre a conta que o distribuidor também tem feito.
Também um efeito do El Niño,a seca no Norte do país também pode contribuir para a pressão nos preços dos aparelhos quando a temperatura subir. Como quase a totalidade dos aparelhos de refrigeração de ar brasileiros são produzidos na Zona Franca de Manaus,o escoamento dos produtos pelos Rios Negro e Amazonas pode ficar difícil,prejudicando os dois sentidos: a entrada de insumos para a produção dos aparelhos e o envio deles já prontos para outras regiões.
— Uma seca severa pode restringir a navegação,elevar fretes,aumentar o tempo de transporte e exigir operações logísticas adicionais — diz Nascimento,da Eletros,ponderando que a indústria instalada é capaz de atender a uma “demanda surpresa”,ainda que haja restrição na chegada de matéria-prima. — É claro que uma estiagem mais intensa amplia custo e complexidade para toda a cadeia.
Mas,para além do El Niño,os preços dos aparelhos de refrigeração de ar podem custar mais caro por consequências vindas de fora do continente. O conflito entre EUA e Irã,avalia Nascimento,pode contribuir para salgar o preço do ar condicionado. Isso porque o aumento dos custos derivados da alta do petróleo tende a encarecer a matéria-prima da produção dos aparelhos para combater o calorão:
— A alta do petróleo afeta diretamente fretes marítimos e rodoviários e também insumos importantes,como resinas plásticas,espumas,embalagens e derivados utilizados na produção de eletroeletrônicos — disse o presidente da Eletros,afirmando que a cadeia de produção do eletrodoméstico possui “longas rotas” e,consequentemente,tem consequência desse que chamou de “efeito relevante”.
Além do custo do aparelho,a instalação também é um serviço necessário e que pode apresentar vantagem neste momento. Com a baixa demanda durante o inverno,é até possível negociar mais descontos para além dos preços mais baixos com quem instala:
— É algo que precisa também ser levado em conta. No verão,há corrida e o preço sobe — diz Santos,da Abrava.
© Reportagem diária do entretenimento brasileiro