
Casas Bahia entra em recuperação judicial. Na foto,loja na rua Uruguaiana,Centro do RJ — Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo
As ações da Casas Bahia despencaram na segunda-feira após seu pedido de recuperação judicial. O papel,negociado com o tíquete BHIA3,fechou o último pregão valendo R$ 0,44,queda de 33,33% em um único dia,a maior retração nessa base de comparação para a varejista. O tombo das ações ocorre após a empresa protocolar,no domingo,um pedido de reorganização,no qual informou uma dívida de R$ 17,3 bilhões. A empresa teve um prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre deste ano.
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As ações da Casas Bahia amargam forte perda de valor desde o auge alcançado em 2020. Naquele ano,o papel — até então negociado sob o ticker VVAR3,quando a empresa ainda se chamava Via Varejo — chegou a valer R$ 529,25 no dia 20 de julho,em meio à forte recuperação das ações do setor de varejo após o choque inicial da pandemia,quando uma ação da empresa valia cerca de R$ 100.
As ações subiram em meados de 2020 com a expectativa de retomada da economia,o aumento das compras pela internet,o esforço de digitalização do varejo e os juros em níveis historicamente baixos. Após o pico,porém,o papel voltou a perder força em 2021 e entrou em uma trajetória de queda da qual nunca se recuperou.
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Mas,afinal,como a empresa perdeu tanto valor em seis anos? Para Fernando Siqueira,diretor de pesquisa da Eleven Financial Research,o resultado,de forma simplificada,é fruto de uma entrada tardia no comércio digital,somada a uma operação muito concentrada no varejo físico,que tem custo alto.
De acordo com o analista,o comércio online no Brasil foi dominado,num primeiro momento,por Americanas e Submarino,que depois se juntaram e fundaram o grupo B2W. O Magazine Luiza também passou a investir fortemente no digital a partir de 2015 e saiu na frente.


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Casas Bahia entra em recuperação judicial. Na foto,loja na Avenida Visconde de Pirajá,161,Ipanema,fechada. — Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo


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Casas Bahia entra em recuperação judicial — Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo
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Vendedor das Casas Bahia de Bonsucesso troca o preço da TV,com desconto de mais de R$ 100 — Foto: Lucas Tavares/Agência O Globo

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1998 - Problemas com alta de juros no mercado — Foto: Wania Corredo
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Michael Klein,dono da Casas Bahia,na loja em Santa Cruz — Foto: Jorge William

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2003 - Inauguração de loja da Casas Bahia na Rua do Catete,com ofertas e banda de música na porta — Foto: André Teixeira
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Fabiano Augusto,o garoto-propaganda da Casas Bahia — Foto: Divulgação /e-mail

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Fachada da Casas Bahia e do Ponto frio na Estrada do Cacuia,na Ilha do Governador — Foto: André Teixeira
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Natal 2019 - Loja da Uruguaiana não teve movimento bom — Foto: BRENNO CARVALHO / AGÊNCIA O GLOBO

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2021 - Natal Híbrido,centro de distribuição da Casas Bahia em Duque de Caxias — Foto: Domingos Peixoto / Agência o Globo
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2003 - Casas Bahia com juros menores,na Tijuca — Foto: Ricardo Ayres

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Michael Klein,CEO da Casas Bahia — Foto: Fabio Rossi
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Garoto-propaganda da Casas Bahia — Foto: Divulgação / E Mail

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2014 - Investimento do varejo em áreas próximas a comunidades. Inauguração da Casas Bahia em Ramos,no Complexo do Alemão — Foto: Leo Martins / Agência O Globo
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2020 - Centro de Distribuição da Via Varejo . REABERTURA DESENCADEIA OPERAÇÃO LOGÍSTICA DE GUERRA NO VAREJO E INDÚSTRIA - Retomada gradual do comércio desencadeou uma operação de guerra na logística da indústria e no varejo — Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo

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Casas Bahia entra em recuperação judicial. Na foto,loja na Avenida Nossa Senhora de Copacabana,796,fechada. — Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo
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Loja na Avenida Visconde de Pirajá,fechada. — Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo

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Casas Bahia em 1999 — Foto: Gabriel de Paiva/Agência O Globo
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Casas Bahia em 2002 — Foto: André Teixeira
Já a Via Varejo - como se chamava o grupo que controlava a Casas Bahia,após a fusão com Ponto Frio - se fundiu com o Pão de Açúcar e,depois,as empresas se separaram. Foi um período em que a companhia ficou muito tempo às voltas com reestruturações internas e sem foco,o que fez com que ficasse para trás no comércio online,explica Siqueira.
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— O foco sempre foi o varejo físico e,quando veio o comércio on-line,eles estavam um pouco presos nessas estruturas. Demoraram para se mexer. E acabou que,ao longo do tempo,isso foi penalizando. O mercado estava com demanda mais baixa,juros altos,e eles lá com estrutura apertada por conta de muitas lojas e muitos funcionários — explica Siqueira. — Tudo isso foi cobrando seu preço.
Boa parte das vendas migrou para o mercado on-line,o que prejudicou o desempenho de uma rede que sempre foi forte no varejo físico,com grande oferta de crédito.
— E eles ficaram com esse custo elevado,com pagamento de aluguel elevado,pagamento de funcionários. Um modelo de negócio que tem um custo fixo muito alto — diz o analista.
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A partir de 2021,a trajetória das ações da varejista entrou em rota de queda,com os juros voltando a subir e pressionando as empresas do setor. Em 2022,a Selic saiu do piso histórico de 2% ao ano e alcançou o patamar de 13,75% ao ano em agosto,encarecendo o crédito e afetando especialmente companhias mais dependentes de financiamento.
O mercado,aliás,já enxergava dificuldades pela frente. Segundo Siqueira,havia certo ceticismo quanto à recuperação da empresa desde 2022,com a consolidação de um novo varejo após o boom do comércio eletrônico e a entrada e consolidação de gigantes estrangeiras durante a pandemia.
Em 2023,as ações da Casas Bahia sofreram nova deterioração. Além do cenário de juros elevados,pesaram os resultados negativos,a situação de caixa,as operações de aumento de capital e as dúvidas sobre a reestruturação da companhia.
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Desde então,o papel passou a ser negociado em patamares muito inferiores aos registrados no auge. Com os papéis cotados a R$ 0,47,o ativo acumula uma desvalorização de aproximadamente 99,91% em relação ao pico histórico de R$ 529,25.
Outros dois fatores ajudam a explicar a derrocada da varejista. O fato de a empresa trabalhar com foco em itens de tíquete médio mais elevado,ao apostar na venda de móveis,eletrodomésticos e eletroeletrônicos,também se tornou uma dificuldade adicional em comparação com as demais varejistas,que tinham escala maior por conta da variedade de produtos e tíquetes,avalia Siqueira.
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O modelo de crediário,tradicional carro-chefe da Casas Bahia,foi perdendo espaço,mas sem uma substituição à altura. Ao longo dos últimos anos,a facilidade de acesso ao cartão de crédito e ao parcelamento tirou espaço do carnê,que sempre foi um diferencial da companhia.
— Uma coisa que ajudava eles era o financiamento. Eles sempre tiveram os carnês. Ao longo dos últimos anos,a facilidade de se ter cartão de crédito e parcelar foi prejudicando a empresa — resume Siqueira.
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