
Presidente dos EUA,Donald Trump,no Salão Oval da Casa Branca — Foto: Doug Mills/The New York Times
GERADO EM: 07/04/2026 - 22:10
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O presidente dos Estados Unidos,afirmou nesta terça-feira que encontrou uma brecha de última hora que lhe permite adiar sua ameaça de destruir a rede elétrica e as pontes do Irã. O republicano se aproveitou de uma proposta do Paquistão para um cessar-fogo de 14 dias que incluiria a reabertura do Estreito de Ormuz enquanto Washington e Teerã tentam negociar um acordo de paz. Em um comunicado publicado na noite de ontem,Trump declarou que,a pedido do primeiro-ministro paquistanês,Shehbaz Sharif,decidiu “suspender a força destrutiva que está sendo enviada ao Irã esta noite”.
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O ministro das Relações Exteriores do Irã,Abbas Araghchi,veterano de negociações nucleares com os Estados Unidos,afirmou que,se Israel e os Estados Unidos interromperem seus ataques,o Irã também suspenderá sua “operação defensiva” por duas semanas. Mas ele disse que as “Forças Armadas do Irã” manterão o controle da via marítima. Isso deixaria o Irã com o controle fundamental da passagem e sobre o ritmo em que uma enorme frota de petroleiros seria autorizada a entregar petróleo à Europa e à Ásia,hélio a fábricas de semicondutores em todo o mundo e fertilizantes a agricultores da África à Ásia.
Por sua vez,Trump disse que o acordo estava “sujeito à concordância da República Islâmica do Irã com a abertura completa,imediata e segura do Estreito de Ormuz”. Isso sugeriu que Trump recuou antes de ouvir a liderança em Teerã,que até então insistia em abrir a hidrovia somente se tivesse em mãos um acordo de paz completo. O Irã insistiu que o acordo final deveria incluir reparações por danos de guerra e o levantamento completo das sanções ocidentais à sua economia.
Permanece sem solução,pelo menos por enquanto,o destino de 440 kg de urânio enriquecido,quase de grau bélico,enterrado principalmente em um local em Isfahan,ou a exigência de Trump de que o Irã limite o tamanho e o alcance de seu arsenal de mísseis,agora esgotado. Ao firmar um cessar-fogo,ainda que temporário,com a Guarda Revolucionária do Irã e seu novo líder supremo,Mojtaba Khamenei,Trump está essencialmente endossando a legitimidade do novo governo,cinco semanas depois de incitar o povo iraniano a derrubá-lo.
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Quase imediatamente,os iranianos fizeram reivindicações que pareciam ir muito além de tudo o que o presidente havia dito. O Conselho de Segurança Nacional do Irã,em um comunicado,afirmou que o país havia saído vitorioso sobre Israel e os Estados Unidos,e reiterou que os EUA aceitaram integralmente o plano de paz iraniano,incluindo garantias de não atacar o Irã e o controle iraniano sobre o estreito.


Trump estava sob crescente pressão para encontrar uma saída para o confronto após estabelecer um prazo até as 21h (horário de Brasília) para a abertura do estreito e após declarar nas redes sociais na manhã de terça-feira que,se fosse desafiado,“uma civilização inteira morrerá esta noite,para nunca mais ser ressuscitada”. Foi um exemplo clássico do estilo caótico e agressivo de negociação de Trump,no qual ele cria uma crise e então usa sua influência para fechar um acordo.
Nesse caso,Trump pareceu desesperado para escapar de suas próprias ameaças e retórica,e para articular uma proposta paquistanesa que ele então assinaria. Apenas dois dias depois de chamar a liderança iraniana de "bastardos loucos" e dizer que em breve estariam "vivendo no inferno",ele os elogiou na terça-feira como uma classe de líderes "diferente,mais inteligente e menos radicalizada",prevendo que "algo revolucionariamente maravilhoso pode acontecer,quem sabe?".
O cessar-fogo temporário não aborda as questões fundamentais que levaram ao início da guerra em 28 de fevereiro: a recusa do Irã em abrir mão de seu estoque de combustível nuclear,as exigências dos EUA e de Israel para que o país limite o tamanho e o alcance de seu arsenal de mísseis e as exigências iranianas de manter o direito de enriquecer urânio e,mais recentemente,de indenizações de guerra.
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Mas,pela primeira vez em quase seis semanas de combates intensos,surge a possibilidade de retomada das negociações e algum alívio para os iranianos,cujas casas,fábricas e escolas foram bombardeadas,e para os israelenses,que constataram que suas defesas antimísseis não garantiam sua segurança.
O acordo de última hora certamente aliviará os investidores e amenizará a crescente crise na Ásia,onde algumas nações dependem do petróleo que passa pelo estreito para 80% de seu abastecimento. Uma vez estabelecido o cessar-fogo,seria ainda mais difícil para Trump rompê-lo novamente ou permitir que Israel o fizesse.
Mas também aumenta a possibilidade de que a guerra termine — ou pelo menos chegue a uma trégua instável — sem que Trump tenha alcançado muitos dos objetivos que estabeleceu.
© Reportagem diária do entretenimento brasileiro