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Comércio de Brasil e China bate recorde: país asiático compra mais petróleo e quadruplica venda de carros elétricos

Jul 16, 2026 Tecnologia IDOPRESS

Comércio de Brasil e China bate recorde: país asiático compra mais petróleo e quadruplica venda de carros elétricos — Foto: Márcia Foletto / Agência O GLOBO

RESUMO

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GERADO EM: 14/07/2026 - 19:37

Crescimento das Exportações Brasileiras para China Alcança 22%

As exportações do Brasil para a China cresceram 22% no primeiro semestre,atingindo US$ 58,3 bilhões,impulsionadas por petróleo e carne bovina. As importações também subiram,lideradas por veículos eletrificados,destacando a crescente demanda do mercado brasileiro. O superávit comercial com a China chegou a US$ 19,8 bilhões,refletindo o rearranjo do comércio global devido ao conflito no Oriente Médio.

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Com um salto em remessas de petróleo bruto e carne bovina,as exportações do Brasil para a China no primeiro semestre deste ano foram recordes,com crescimento de 22%,na comparação com igual período de 2025,a US$ 58,3 bilhões. Já as importações subiram 8%,a US$ 38,5 bilhões,puxadas por uma onda de veículos eletrificados. As transações com o país asiático,principal parceiro comercial brasileiro,renderam à corrente nacional um superávit de US$ 19,ou quase metade (47%) do saldo positivo de todas as transações fechadas pelo Brasil globalmente de janeiro a junho.

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O movimento reflete o rearranjo do comércio internacional em decorrência do efeito do conflito no Oriente Médio no fluxo de petróleo,além da crescente demanda por veículos eletrificados e por semicondutores,segundo relatório do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC).

O comércio com os Estados Unidos,o segundo maior parceiro comercial brasileiro,ficou em US$ 36,4 bilhões nos primeiros seis meses deste ano.

Exportações de petróleo do Brasil para a China no primeiro semestre de 2026,segundo relatório do CEBC — Foto: Editoria de Arte

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Na frente deste avanço no comércio entre Brasil e China estão soja,minério de ferro e petróleo,que somam 76,5% das exportações brasileiras ao parceiro,ampliando as remessas da indústria extrativista. Com o mercado chinês impactado pelos bloqueios no Estreito de Ormuz,os embarques de petróleo do Brasil cresceram 62% em valor ante maio e junho de 2025,um desempenho recorde,combinando uma expansão de 41% em volume a uma alta no preço da commodity de 15,7%. O país asiático compra mais da metade (54%) das exportações de petróleo brasileiras.

— O que chamou atenção foi o petróleo. O Brasil acabou se tornando um parceiro estratégico para a China. A parada no tráfego pelo Estreito de Ormuz tem consequências no comércio com a China,que tem 50% de suas importações de petróleo passando pela região. Daí as exportações brasileiras subirem 62% para o país — destaca o diretor de Conteúdo e Pesquisa do CEBC,Tulio Cariello. — A sinalização para o ano como um todo é de recorde em exportações. Em importações,não dá para garantir,pelo limite em carros elétricos.

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Em março,abril e junho,as exportações de petróleo bruto do Brasil para a China bateram nos valores mais altos da série iniciada em 1997,com pico de US$ 3,35 bilhões em março,mês seguinte ao início do conflito entre Estados Unidos,Israel e Irã. No semestre,somaram US$ 15,1 bilhão,mais que o dobro das exportações totais do Brasil para a Argentina no período,que ficaram em US$ 7,3 bilhões.

A reboque do petróleo,o Rio de Janeiro é o estado líder em exportações à China no período,abocanhando 23,3% das vendas totais do Brasil para o país asiático.

Embarque antecipado de carne

Cariello se diz “cauteloso” sobre avaliar que o tarifaço de Donald Trump imprimiu efeito nessa expansão do comércio bilateral entre Brasil e China:

— Foto: Editoria de Arte

— As pautas exportadoras do Brasil para os EUA e para a China são bem diferentes. Não há um deslocamento natural de um mercado para o outro — ponderou ele. — Os EUA tem uma influência mais indireta,pelo envolvimento no conflito em Ormuz,que impactou as exportações do Brasil à China.

As exportações de carne bovina brasileiras para o país asiático dispararam 50% no primeiro semestre,somando US$ 4,8 bilhões. Somente em junho foram 158 mil toneladas e US$ 1,07 bilhão em vendas,maior volume em exportação e faturamento de 2026. É movimento que reflete a adoção de barreiras a essa exportação brasileira,com cota de 1,1 milhão de toneladas este ano com imposto de 12%. A partir desse patamar,que já foi alcançado,incide uma sobretaxa de 55%.

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Como essa cobrança adicional retira competitividade da carne bovina brasileira no mercado chinês,o executivo entende que pode haver recuo nas exportações neste segundo semestre,quando os frigoríficos brasileiros possivelmente terão de redirecionar seus produtos para outros países ou para o mercado interno.

Em paralelo,as remessas de carne de frango para a China voltaram a crescer. No ano passado,Pequim suspendeu essas importações do Brasil por seis meses,entre maio e novembro,após a identificação de um único caso de gripe aviária em uma granja no Rio Grande do Sul. Entre janeiro e junho,as vendas brasileiras de carne de frango para o mercado chinês somaram US$ 772 milhões,43% a mais que no primeiro semestre de 2025.

Importação de veículos elétricos quadruplica

No sentido contrário,os veículos eletrificados lideram de forma acelerada,representando 15% das importações brasileiras totais do parceiro asiático de janeiro a junho,ou US$ 2,79 bilhões. As compras de carros híbridos plug-in dobraram,enquanto as de elétricos foram multiplicadas por quatro. Já os veículos híbridos saltaram para o sexto lugar no ranking da pauta de importações feitas pelo Brasil da China,ante a 25º em igual período de 2025.

— Foto: Editoria de Arte

Ao todo,as importações de veículos eletrificados chineses alcançam 88% do total trazido pelo mercado brasileiro do exterior. Os desembarques no Brasil são realizados pelo Espírito Santo.

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O CEBC destaca que esse avanço é consequência do esforço de importadores brasileiros para antecipar embarques antes do aumento da tarifa sobre veículos eletrificados,que subiu de 25% para 35% a partir deste mês.

— É um volume sem comparação. E como existe o aumento do imposto de importação,os carros eletrificados tiveram movimento similar ao da carne bovina,com importadores antecipando compras — diz Cariello. — A tendência é de acomodação nos próximos meses porque tem novas marcas chinesas chegando ao Brasil e já temos fábricas de BYD e GWM no país.

Os veículos eletrificados vêm seguidos dos chips de memória. Neste caso,as importações recuaram em 2,6% em volume,mas o faturamento registrou um aumento de 218%,passando a US$ 432 milhões,sob impacto da demanda aquecida por semicondutores globalmente.

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